Entidades não humanas e o adjetivo simpático
Pode um sítio ser simpático? E um objecto? É a simpatia exclusiva dos seres vivos?
Conheço uma pessoa que regularmente afirma «este sítio é simpático» ou «este jantar é simpático», mas não consegue clarificar exatamente o que isso significa. Gera-se então a discussão do que significa ser simpático e se pode ser aplicável a lugares e objectos inanimados.
O dicionário Priberam define simpático como «que inspira simpatia». Consigo conceber que isso se aplique a um local (mas não uma refeição) até ler a definição de simpatia no mesmo dicionário: «Sentimento de atração moral que duas pessoas sentem uma pela outra.» Esta definição nem dá latitude para animais serem simpáticos (discutível), mas parece de todo fechar a porta a objetos. Isto é, até ler a definição de moral: «Não físico nem material (ex.: estado moral). = ESPIRITUAL.» Um sítio pode invocar uma atração espiritual, mas se formos por este caminho temo que já nos estejamos a afastar demasiado do cerne da questão.
Recapitulando: pode a palavra simpático ser aplicada a seres não vivos?
O topónimo Spa (Bélgica)
Qual o significado das iniciais SPA (ex.: hotel com SPA)?
Os valores da preposição por
No início do ano litúrgico do ano passado, as igrejas no Brasil passaram a usar uma nova edição do Missal Romano, que, apesar de sofrer algumas alterações, os responsáveis pela revisão conservaram a fórmula de consagração: «…será entregue/derramado por vós.»
A meu ver, num contato direto com o texto em português, alguém encontrará um problema de interpretação, pois o pronome introduzido por por pode indicar outras interpretações pelo fato de seguir formas passivas: «…será entregue…» e «…será derramado…».
Se se recorrer ao texto da qual foi traduzido, se verá que a preposição utilizada em latim é pro, correspondente, por sua vez, a ύπέρ do texto bíblico em grego. Tanto em latim quanto em grego podem significar «a favor de» ou «no lugar de», sendo esta última a que a Igreja se serve para interpretar o texto.
Também, a respeito da preposição por (per), Cláudio Brandão escreve:
«Conquanto difiram na etimologia (latim pro, que por metátese deu por) e per (latim per), estas duas partículas confundiram-se semanticamnte na Ibéria. O português antigo às vezes ainda as distingue quanto ao sentido, mas isto nem sempre acontece. O mesmo escritor não raro usa delas indiscriminadamente» (Sintaxe Clássica Portuguêsa, 1963, § 357).
Daí se vê um pequeno aceno a preposição latina pro.
Sei que seria estranho dizer: «…será entregue/derramado pro vós«?
Porém, em textos do português antigo, há realmente registros do uso da preposição pro com o significado de «no lugar de» em vez de por?
Se sim, vocês poderiam trazer alguns exemplos?
Desde já, obrigado.
Modificador: «Cortou a meta em primeiro lugar»
Na frase «Ela cortou a meta em primeiro lugar, para alegria de todos», «em primeiro lugar» é um modificador do grupo verbal?
Tendo essa função sintática, como se explica, uma vez que não me parece que possa ser um elemento móvel, nesta frase?
Muito obrigada!
Complemento do adjetivo: «fabricadas com o ouro»
No segmento «[...] Camões revela-se um subtil ourives de composições delicadas e gráceis, discretamente preciosas, fabricadas com o ouro dos cabelos e do sol, com o verde dos campos e dos olhos [...]», a expressão «com o ouro dos cabelos e do sol» desempenha a função sintática de complemento do adjetivo, uma vez que está precedida do particípio passado fabricadas que funciona como adjetivo?
Obrigada pela atenção.
A locução «uma vez que» e a coordenação
«Uma questão importante que se coloca, nesse quesito, segundo o autor, é se os municípios brasileiros poderiam editar leis de cooficialização de línguas em seus territórios, uma vez que, no Brasil, a temática referente ao “idioma oficial” está vinculada aos direitos da nacionalidade, e a competência para legislar sobre tais direitos é privativa da União»
a) [...] uma vez que, no Brasil, a temática referente [...], e [X] a competência para [...]"
b) [...] uma vez que, no Brasil, a temática referente [...], e [QUE] a competência para [...]"'
É necessária a repetição da palavra que quando há duas orações unidas por e após a expressão «uma vez que»?
Obrigado.
Nada adverbial
A palavra nada é um pronome indefinido.
No entanto, na frase «Não gosto nada de ti», deixa de ser pronome indefinido, não?
Será um advérbio de quantidade e grau?
Obrigada.
«Tanto frio» vs. «tão frio»
Antes de mais, muito obrigada pela utilidade gigantesca desta página.
Uma vez que a palavra frio pode funcionar como adjetivo e nome, estou com dúvidas na construção desta frase comparativa:
Hoje está tanto/ tão frio como ontem.
Deve usar-se tão ou tanto? E será preferível utilizar quanto em vez de como?
Muito obrigada.
A sintaxe de retaliar
No semanário Expresso, num e-mail com uma resenha de notícias, li o seguinte texto: «Irão os israelitas retaliar o Irão?»
«"É um ponto de viragem, estamos num momento perigosamente imprevisível”, considera John Strawson, perito em Estudos do Médio Oriente, em declarações ao Expresso.»
A minha dúvida é sobre a utilização do verbo retaliar.
«Irão os israelitas retaliar o Irão» ou, o que me parece ser mais correcto, «irão os israelitas retaliar contra o Irão»?
Agradecendo uma vez mais o vosso interessante e útil serviço público, aguardo o vosso esclarecimento.
A expressão «musa inspiradora»
Um amigo me disse que "musas inspiradoras" é pleonasmo vicioso/redundância viciosa, mas não sei mais se "musas inspiradoras" é pleonasmo estilístico/redundância estilística, pleonasmo vicioso/redundância viciosa ou não pleonasmo/não redundância!
O que vocês entendem do assunto todo no caso então?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
