DÚVIDAS

Elipse de verbo e preposição: «gosta dos mesmos pintores que Caio»
Na frase «João admira os mesmos pintores que Caio», entende-se que houve a elipse de «admira», isto é, «[…] que Caio (admira)». Mas estaria igualmente correta uma frase como «João gosta dos mesmos pintores que Caio», considerando-se que o verbo «gostar» pede objeto indireto? Se considerássemos somente a elipse do verbo, teríamos esta frase agramatical: *«João gosta dos mesmos pintores que Caio (gosta)». Ou seja, há que pressupor também a elipse da preposição de: «João gosta dos mesmo pintores (de) que Caio (gosta)». É pressuposto aceitável? Está correta a frase «João gosta dos mesmos pintores que Caio»? Se não, que torneios devemos dar à frase para corrigi-la? Agradeço desde já quaisquer esclarecimentos.
A grafia de coleóptilo
Adquiri a edição do conto para crianças de José Saramago, A Maior Flor do Mundo, numa edição da Porto Editora. Considerei uma brilhante ideia as «sugestões» finais e, quando cheguei a "Palavras raras", fiquei surpreendido com a palavra "colióptilo", que desconhecia. Atirei-me a todos dicionários da língua portuguesa que tenho e não encontrei a palavra, julgando mesmo que se trata de um erro de português, sendo a palavra correta coleóptilo, «camada protetora dos rebentos emergentes de monocotiledóneas como as gramíneas» (Wikipédia), ou, como se informa no Dicionário Houaiss, «primeira folha do embrião das plantas monocotiledóneas». [Qual a grafia correta?] Coloco a questão ao Ciberdúvidas.
Adiar e agradecer
Gostaria de saber se os verbos adiar e agradecer se regem por alguma preposição. Consultei várias fontes e não consegui encontrar. Desta forma, deve dizer-se: (I) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar uma hora. ou: (II) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar por uma hora. Quanto ao verbo agradecer: (III) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe a generosa gratificação. ou: (IV) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe pela generosa gratificação. Obrigada!
Os coloquialismos «toda vida que» e «tudo que»
Gostaria do parecer dos amigos em relação ao seguinte fato: desde muito cedo mesmo, antes de entender um pouco de gramática, sempre ouvi expressões como "toda vida que", "tudo que" para expressar uma ideia de tempo futuro. Após aprender um pouco de gramática na escola é que entendi que tais expressões fazem parte da classe das conjunções temporais, porém não encontrei nenhuma referência sobre as referidas locuções em nenhuma das fontes que consultei, embora eu perceba que o uso no cotidiano é bem corriqueiro, sendo inclusive bastante utilizado por minha professora de língua portuguesa: «Toda vida que preciso de dinheiro emprestado, corro para casa de meus pais» (todas as vezes que). «Tudo que esta tempestade cessar, irei embora daqui» (assim que). Assim, por gentileza, poderiam me informar se há algum registro em alguma fonte (gramáticas, dicionários ou obras literária) ou seria apenas um regionalismo aqui no Brasil? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa