DÚVIDAS

A pronúncia de anéis
[A minha dúvida] diz respeito às realizações do ditongo [ɛj] como em anéis. Segundo um manual de recente publicação (Manual de Fonética e Fonologia da Língua Portuguesa de Fails e Clegg publicado em 2021), na supracitada sequência também pode ocorrer a abertura da vogal, resultando em [ɐˈnɐjʃ]. Esta afirmação não se confirma em nenhuma fonte representável sobre a fonética ou fonologia do português de publicação recente que pude consultar [...]. Não tendo encontrado evidências contundentes a este respeito, pergunto-vos, mais uma vez, se a realização de éis como [ɐjʃ] pode ser considerada normativa no português europeu. Obrigado.
A sintaxe de fundamental e evoluir
«Ler é fundamental NA evolução das pessoas. Ajuda-nos a compreender o mundo e EVOLUIR os nossos saberes.» Relativamente a estas frases, a palavra fundamental pode reger e preposição em? Por outro lado, para que a segunda frase tenha sentido, o verbo evoluir não deverá ser auxiliado, por exemplo, pelo verbo fazer? «Ajuda-nos a compreender o mundo e a FAZER EVOLUIR os nossos saberes.» Obrigado
Sobre a sequência «... e mas»
Eu gostaria de saber se há algum respaldo da gramática prescritiva para a combinação de duas conjunções (e + mas). Encontrei isso num verso de Gonçalves Dias: «Nem tão alta cortesia / Vi eu jamais praticada / Entre os Tupis,– e mas foram / Senhores em gentileza.» (I-Juca-Pirama, VII). Também encontrei outros exemplos: 1. «A ameaça rugiu-lhe no coração e mas a cólera cedeu à angústia e ele sentiu na face alguma cousa semelhante a uma lágrima.» (Helena – Machado de Assis); 2. «Ele aqui abriu a carteira com ares de ricaço, tirou umas notas e mas quis meter nas mãos, dizendo […]» (Paulo – Bruno Seabra). Seria uma forma mais rara de dizer «…e, no entanto, […]»? Obrigado.
Asterisco e espaços
Antes de mais, gostaríamos de agradecer o empenho da vossa equipa em promover a utilização correta e consistente da língua portuguesa. Na empresa onde trabalhamos, por vezes, os textos de partida incluem asteriscos que precisam de ser replicados nos textos de chegada. No entanto, ainda não conseguimos chegar a um consenso sobre a necessidade de deixar um espaço após o asterisco nas notas de rodapé. Sabemos que não deve haver espaço antes do asterisco no corpo do texto, mas existe uma divergência entre os tradutores/as: alguns utilizam o espaço após o asterisco, enquanto outros/as não. Gostaríamos de uniformizar esta prática na nossa empresa, visando maior consistência nos textos. Já realizámos uma pesquisa no vosso site, mas não encontramos uma resposta direta para esta questão. Agradecemos desde já a vossa colaboração e ficamos a aguardar a vossa orientação. Continuem com o excelente trabalho!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa