DÚVIDAS

As orações temporais em Portugal
Em um artigo sobre as futuras possibilidades do uso da tecnologia digital, li várias orações com verbos no presente que me despertaram dúvidas sobre o uso do indicativo ou do subjuntivo (conjuntivo em Portugal). Praticamente em todos os exemplos, o verbo aparecia no presente do indicativo na oração subordinada, mas o verbo da principal estava no futuro do indicativo. Exemplos: – «Quando estamos em férias, as conversas com estrangeiros, na nossa língua materna, serão traduzidas em simultâneo e serão escritas no dispositivo na sua língua materna.» – «Quando compramos numa loja de desportos online, iremos escolher o artigo que desejamos.» – «Enquanto estamos em uma reunião de trabalho, a ata está a ser elaborada.» No português do Brasil, parece ser muito mais comum o uso do subjuntivo na oração subordinada nesses casos. Dependendo da oração, acredito que poderia ser considerado incorreto o uso do indicativo. Diríamos, por exemplo: «Quando estivermos de férias, as conversas com estrangeiros, na nossa língua materna, serão traduzidas...», ou «Quando estamos de férias, as conversas (...) são traduzidas». Gostaria de saber se me podem ajudar com a interpretação do uso dos tempos e modos verbais com as conjunções enquanto e quando nos citados contextos. Muito obrigada pela ajuda e parabéns pelo trabalho realizado todos os dias.
O topónimo Salgadeira (Serra da Estrela)
A minha questão é sobre toponímia da serra da Estrela. Não sei se será este o local mais apropriado para a minha dúvida. Na área mais elevada da serra da Estrela existe um topónimo com a seguinte designação: "Salgadeira / Salgadeiras". O termo salgadeira remete para conservação, por intermédio do sal, composto que, no estado natural, não se encontra na referida área. Gostaria de saber se a sua designação/criação (salgadeira) poderá ter a ver com a utilização da neve/gelo como forma de conservação através do frio. Desde o século XVII que há registos de transporte de neve/gelo, a partir das serras da Estrela, Montejunto e Lousã para as cortes e para a nobreza mais abastada. E daí a origem dos poços de neve e da profissão de neveiro. Caso não consigam responder à minha dúvida, poderiam indicar uma forma para explorar/pesquisar mais informação sobre esta temática? Indicar, por exemplo, bibliografia ou alguém que em Portugal investigue ou se interesse pela toponímia? Grato pela atenção dispensada
«Comprar de alguém»
Eu normalmente não uso o a nesses exemplos. Falo «Comprei esse carro do Djalma». Qual é o certo e porque quando busco na Internet aparece que comprar é um verbo transitivo direto? Comprei esse carro a Djalma. Vendi esse carro a João. Comprei o carro a Carroção Veículos. Esse tipo de coisa compra-se ao mangaieiro, que é mais certo ter. Faça um bom desconto que eu só compro a você. Desde já, obrigado.
A preposição por e a locução «por causa de» para hispanofalantes
Na minha profissão, sendo hispanofalantes a maioria dos meus alunos, deparo-me sistematicamente com o que me parece ser um uso indevido da preposição por (e as suas contrações), mas não tenho a certeza de como lhes explicar esta questão. Vejo muitas vezes formações como: O jogo foi cancelado pela tempestade. (devia ser «por causa da tempestade») Estamos confinados pela Covid. (devia ser «por causa da Covid») Não posso sair pela porta, visto que não tenho a chave. (pretende-se dizer «tenho de ficar em casa por causa da porta») A lei foi escrita pelo presidente, que cometeu um crime. (pretende-se dizer «por causa do crime do presidente») Os erros nas duas últimas frases parecem-me particularmente graves; gera-se confusão com as preposições de movimento e com os agentes da passiva. No entanto, há outras situações em que, aparentemente, podemos usar tanto por como «por causa de»: A caravela, pelas suas características, era a embarcação ideal para navegar naquelas condições. (ou "por causa das suas características") O livro, pela sua dificuldade, tem de ser lido por partes. (ou "por causa da sua dificuldade") O empregado, pela sua experiência, devia ser promovido. (ou "por causa da sua experiência") Como posso explicar em que casos posso ou não usar ambas as alternativas? Muito obrigado desde já.
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