O valor aspetual de «ele leu um livro»
No que concerne ao valor aspetual, surgiu-me uma questão.
Se considerarmos a frase «Ele leu um livro», estamos perante um evento durativo ou não durativo?
Neste âmbito, o segmento em apreço suscitou-me a seguinte pergunta: um ato perfetivo é necessariamente não durativo? Ou pode ser durativo?
Agradecido pela preciosa ajuda!
Explicar e «para mim» (Brasil)
Eu sempre utilizava «Explique para mim» no lugar de «Explique-me» ou de «Me explique», pois nunca consigo memorizar quando é que se usa «Me explique» e quando é que se usa «Explique-me» em alguma frase.
Porém, uma minha amiga disse em público que «Explique para mim» é gramaticalmente incorreto e esteticamente feio, porém não explicou os porquês de não valer usar dessa forma.
No caso, ela está certa ou não? E por quais motivos também no caso?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Locução coordenativa correlativa: «não só... mas também»
Como dividiriam e classificariam as orações da seguinte frase:
«Não só pinto quadros, como também faço esculturas»?
A pronúncia de acuidade
Como se pronuncia a palavra acuidade no Brasil?
O significado do vocábulo "solipos"
Gostaria de saber que significado poderá ter o vocábulo "solipos" (seria "sollipos" no original, c. 1850) no seguinte poema:
«Em hecatombe horrenda as lindas virgens,Os inocentes jovens; – quando outroraDos Solipos as chamas se elevaram,E as agulhas grimpas de OlisipoDe um sanguíneo clarão tingiram, prontasA consumir em si a triste raçaQue o Senhor proscreveu que vela erranteSobre a face do mundo e que decertoErrará ‘té ao fim dos séculos todos...»
Muito obrigado por qualquer esclarecimento.
Um golo incrível
As televisões portuguesas estão a passar um anúncio que começa assim: «Foi um golo incrível.». Será que o adjectivo incrível está bem aplicado nesta situação? Não seria preferível usar palavras como extraordinário, maravilhoso ou, até, fabuloso?
O predicado, de novo
Cada vez com mais frequência, me deparo com professores de Língua Portuguesa que ensinam que o predicado é unicamente constituído pelo verbo. Ora, eu não aprendi assim e até agora ainda não encontrei nenhuma gramática que o defendesse. Será que estou errada, desactualizada?
Os valores da preposição por
No início do ano litúrgico do ano passado, as igrejas no Brasil passaram a usar uma nova edição do Missal Romano, que, apesar de sofrer algumas alterações, os responsáveis pela revisão conservaram a fórmula de consagração: «…será entregue/derramado por vós.»
A meu ver, num contato direto com o texto em português, alguém encontrará um problema de interpretação, pois o pronome introduzido por por pode indicar outras interpretações pelo fato de seguir formas passivas: «…será entregue…» e «…será derramado…».
Se se recorrer ao texto da qual foi traduzido, se verá que a preposição utilizada em latim é pro, correspondente, por sua vez, a ύπέρ do texto bíblico em grego. Tanto em latim quanto em grego podem significar «a favor de» ou «no lugar de», sendo esta última a que a Igreja se serve para interpretar o texto.
Também, a respeito da preposição por (per), Cláudio Brandão escreve:
«Conquanto difiram na etimologia (latim pro, que por metátese deu por) e per (latim per), estas duas partículas confundiram-se semanticamnte na Ibéria. O português antigo às vezes ainda as distingue quanto ao sentido, mas isto nem sempre acontece. O mesmo escritor não raro usa delas indiscriminadamente» (Sintaxe Clássica Portuguêsa, 1963, § 357).
Daí se vê um pequeno aceno a preposição latina pro.
Sei que seria estranho dizer: «…será entregue/derramado pro vós«?
Porém, em textos do português antigo, há realmente registros do uso da preposição pro com o significado de «no lugar de» em vez de por?
Se sim, vocês poderiam trazer alguns exemplos?
Desde já, obrigado.
Uso transitivo do verbo ligar
Gostaria de saber se o verbo ligar pode ser usado como intransitivo na frase seguinte que aparece nas instruções de utilização de um dispositivo médico.
«Desligue o dispositivo e ligue novamente.»
Na minha opinião, nesta frase falta o objeto direto e, por isso, deve ser alterada da seguinte forma: «Desligue o dispositivo e ligue-o novamente.»
Muito obrigada pela resposta!
Os significados de putreia e de potreia
( in Aquilino Ribeiro)
( in Aquilino Ribeiro)
Junto breve citação extraída do romance Terras do Demo, pp. 180-181, em que consta putreia:
«Ia para quatro meses que não sabia dela… é verdade. Por modos já não havia escrivães no povo! Terra de maldição! Os que aprenderam a rabiscar o nome navegavam, e o padre — esse sujaria as mãos se lhe pedissem duas regrinhas de graça. Ah! Deus tivesse na santa glória o tio Manuel Abade que não precisava que o rogassem duas vezes para escrever a um vagamundo. A malta do Rio, pelo que lhe dissera o Jaime Gaudêncio, ficava toda boa. Boa, mas o Rio já não era o Rio. O italiano e o espanhol tinham derrancado o trabalho. Depois, passagens caras e más. Viera no Malange, um mazombo de paquete que andava à tona como tubarão escaldado como abóbora. À passagem da linha, estivera a deitar a cama das tripas com o afocinhar do calhambeque. Perdesse o nome que tinha se aceitava mais algum dia viajar no francês! Uma putreia, comida para negros, beliches para condenados do Inferno. Boa Mala Real, mas para melhor o alemão. O alemão, batia a tudo o que andava no mar.» Terras do Demo, pp. 180-181
Contudo em Quando os Lobos Uivam e Casa do Escorpião já se lê como potreia.
Já agora, esta pequena dúvida: «comida para negros». Pretos é regionalismo para porcos. Será que Aquilino Ribeiro se referia a comida para porcos?
Aguardo o vosso comentário, sempre muito apreciado.
