DÚVIDAS

O significado do nome deriva
No jornal Público de 11 de Fevereiro de 2022, Clara Barata escreve sobre a morte do prémio Nobel da Medicina em 1983, Luc Montagnier [1932-2022], a propósito de ideias bizarras que a partir de certa altura o cientista passou a emitir. Na sequência dessas bizarrias a articulista escreve e cito: «Tudo isto levou um grupo de 106 académicos franceses a denunciarem as derivas de Montagnier.» Muitas vezes vi já a referida a palavra deriva com sentido idêntico, mas no Dicionário da Porto Editora e noutras consultas que fiz não aparece qualquer referência que se adapte.
Hífenes: «guarda-roupa-cápsula»
A ortografia portuguesa contempla a possibilidade de que se sucedam mais do que um prefixo hifenizado em palavras compostas sem elementos de ligação (p. ex. vice-diretor-executivo ou ex-vice-diretor-executivo). Não obstante (e por nunca me ter deparado com um caso desta natureza), ter-se-ia também de hifenizar a junção de uma unidade lexical autónoma (um nome) a uma palavra composta (sem elemento de ligação)? Por exemplo, temos coleção-cápsula (uma pequena coleção especial de vestuário dentro da coleção mais geral da loja) e, consequentemente, teríamos “guarda-roupa-cápsula” ou “guarda-roupa cápsula” (esta última, talvez, porque poderia tornar mais claro que cápsula modifica restritivamente a unidade completa guarda-roupa” e evitaria outras possibilidades de relações de modificação entre os seus elementos?!)? Agradeço, desde já, a vossa resposta!
Verbo incoativo: «partiu-se o copo»
Na frase «partiu-se um copo», o segmento «um copo» é um complemento direto ou sujeito? A minha dúvida reside na possibilidade de a frase estar invertida (=«um copo partiu-se»), contudo penso que, na frase dada para análise sintática, «um copo» parece-me o complemento direto da frase, visto que os copos não se partem sozinhos, ou seja, alguém (ou uma entidade) tem de os partir. Desta forma, posso considerar que a frase apresenta um sujeito nulo indeterminado do predicado «partiu-se um copo» («partiu-se» = «partiram/alguém partiu») e que «um copo» é complemento direto? Muito obrigada.
«Em primeiro, o seu dinheiro»
A forma como nos exprimimos também segue tendências e modas de que, por vezes inadvertidamente, nos apropriamos sem a necessária ponderação. Ultimamente, tenho ouvido, sobretudo nos meios de comunicação social, em anúncios publicitários, expressões como «Em primeiro o seu dinheiro». Não tenho conhecimentos que sustentem uma argumentação válida da dissonância cognitiva que me causa tal frase. É apenas uma questão de sensibilidade, de ouvido, por isso, certamente pouco fiável. A questão é esta: não deveria dizer-se «Primeiro o seu dinheiro»? Obviamente, na primeira formulação, subentende-se a palavra "lugar"; contudo, eu preferiria dizer «Em primeiro lugar o seu dinheiro ou «Primeiro, o seu dinheiro». Gostaria de lê-los a este respeito.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa