DÚVIDAS

Uma vírgula num apólogo de Machado de Assis
Estou intrigado com o seguinte uso da vírgula após o pronome relativa que usado na narrativa "Um apólogo" de autoria de Machado de Assis: «Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:...» Afinal, por que mesmo usar a vírgulas após esse pronome que, se a oração «disse a um novelo de linha» é adjetiva restritiva? Por gentileza, poderiam me esclarecer o motivo de usar a vírgula neste caso? Desde já, agradeço o apoio de sempre.   N. E. – Um apólogo é uma «narrativa em prosa ou verso, geralmente  dialogada, que encerra uma lição moral, e em que figuram seres inanimados, imaginariamente dotados de palavra» (Dicionário Houaiss).
Sair: modificador adverbial vs. predicativo
Como é que se diz, em português correto? 1) «Erros e omissões saem caro», ou «Erros e omissões saem caros»? 2) «Filosofias que me saem caro», ou «Filosofias que me saem caras»? 3) «Professores desempregados saem caros ao Estado», ou «Professores desempregados saem caro ao Estado»? Pod(er)ia pensar em muitos outros exemplos, mas creio que a minha dúvida ja ficou bastante clara: o verbo sair exige o advérbio (sem concordância com o sujeito), ou o verbo sair exige o adjetivo (com concordância em gênero e número com o sujeito)? Ou as duas construções são corretas e possíveis? Há outros casos semelhantes?
A palavra clépsidra, novamente
De acordo com o ponto n.º 2 da anterior resposta do consultor F. V. P. da Fonseca, a preferência dada à proparoxitonia de "clépsidra" justifica-se por esta acentuação provir do latim, e não do grego, seu étimo base. Também assim o consideram José Pedro Machado, Antônio Geraldo da Cunha e o Dicionário Houaiss, os quais, embora apenas divirjam na datação precisa da entrada do vocábulo no léxico português, são unânimes em que foi no decurso do século XIX que o seu registo foi feito. Disto é exemplo o «Grande Diccionario Portuguez» de Frei Domingos Vieira. Todavia, segundo este autor, "clepsydra" deriva directamente do grego "klepsydra", não dando, por isso, qualquer indicação sobre a presuntiva mediação do latim. Assim sendo, em que lei da história da língua poderemos ancorar o argumento de que o termo em causa foi recebido, não pelo grego, mas por via latina? E se tal fenómeno ocorreu no século XIX, não estaria mais autorizada a voz do Dr. Frei Domingos Vieira? Muito obrigado, uma vez mais, pelo parecer que houverem por bem dar.
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