DÚVIDAS

Sobre o uso de onde
Não foram poucas as vezes em que tive de pesquisar quais as situações nas quais se usa a palavra onde, após me deparar inúmeras vezes com ela sendo usada, muitas vezes de forma claramente incorreta, como referência às mais diversas coisas, desde períodos de tempo a textos e equações, em contextos que exigem linguagem formal, como notícias, artigos e livros texto. Sempre cheguei à mesma resposta: a palavra onde deve ser usada unicamente como referência a lugares físicos. Minha pergunta é: existe algum contexto dentro da linguagem formal em que seja permitido o uso da palavra como referência a algo que não seja um lugar, alguma nuance que o permita ou algum erro na resposta que encontrei inúmeras vezes? Acho difícil acreditar que a palavra seja tão amplamente utilizada de forma incorreta em contextos formais, e é mais provável que seja eu quem está errado, mas não encontro nenhum material que indique isso. Obrigado.
O topónimo Peso da Régua
Como Peso da Régua esteve no foco noticioso neste 10 de Junho, e por ter lido e ouvido o nome da cidade duriense ora com o artigo ora sem ele, quero esclarecer melhor a respeito de uma resposta no Ciberdúvidas, defendendo o uso do artigo, com o argumento da tradição. Ora, a prevalecer esse critério, a verdade é que tanto o município local como a respetiva junta de freguesia denominam-se, oficialmente, Câmara Municipal de Peso da Régua e Junta de Freguesia de Peso da Régua e Godim. Um segundo critério que se invoca sempre para a atribuição do artigo é o nome da localidade coincidir com um substantivo comum, tal como «(a) Figueira da Foz ou (o) Porto». Como o nome Peso da Régua associa o termo peso («pesagem e pagamento de impostos das cargas que se destinavam ao cais da Régua») e régua («local de ajuntamento de cavalgaduras ou récuas junto ao cais fluvial»), está instalada a confusão...
O complemento do nome e as preposições
em «A proposta de que seja declarado ...»
Ouvi o Sr. primeiro-ministro [de Portugal] dizer: «O Governo veio apresentar ao Presidente da República a proposta de que seja declarado o Estado de Emergência com uma natureza ...» Eu diria «...a proposta que seja declarado...» Quando em dúvida faço a pergunta: «que proposta vai apresentar?» e não «de que proposta vai apresentar?» Agradecia uma clarificação deste ponto.
«A Pátria é a língua»
1. A conjunção ou significa «ou senão» ou «ou também»? Tem os dois valores, dependendo do contexto. O que é o complexo de Édipo? O tema é complicado, mas a resposta pode ser, para já, sucinta. Em português, gé[ê]nero é o mesmo que sexo? Não, mas actualmente… O que é o paralelismo? Há vários tipos? Leia-se esta resposta. Diz-se «arrogar-se ao direito»? Não, «arrogar-se o direito». Finalmente: qual é o verdadeiro significado de contracapa, nas artes gráficas, e como devemos grafar o símbolo da percentagem? Estas são algumas das mais recentes perguntas – nalguns casos, até, contestações – que chegaram ao Ciberdúvidas (ver Respostas Anteriores e Respostas de Hoje). 2. Como sempre, chamamos a atenção de quantos queiram saber mais sobre a língua portuguesa para as seguintes rubricas: – Correio; – Controvérsias; – Notícias Lusófonas; – Pelourinho; – e Antologia (com um novo texto, desta feita, um ensaio de Guilherme d'Oliveira Martins sobre esta nossa língua comum).   
Concordância no verso «O rebanho é os meus pensamentos» (Alberto Caeiro)
Não querendo, de todo, desafiar Alberto Caeiro ou qualquer outro dos heterónimos de Pessoa, gostaria de (melhor) compreender a regra que permite escrever o seguinte: "O rebanho é os meus pensamentos" Bem sei que se aplicam regras específicas quando se utilizam nomes colectivos. Porém, aplicando a mesma lógica, peço-vos que me indiquem se os próximos exemplos estão ou não correctos: «O público é as minhas emoções.» «A multidão é as minhas reivindicações.» Grafia de acordo com a norma ortográfica de 1945
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