DÚVIDAS

Sobre o uso de onde como relativo
No texto que o Ciberdúvidas colocou em linha de Manuel António Pina (O "jornalês" que escrevemos, 30/05/06) lia-se: «Dêem-me um jornal onde se use hoje uma voz perifrástica ou então um tempo composto e onde o mais-que-perfeito não tenha sido soterrado sob pau para toda a obra do perfeito simples.» Ora, esse «onde», grifado por mim, encontra-se empregado em erro. Pois "onde" não pode ser usado a determinar um sítio. O autor devia de usar "no qual", já que está a referir-se a lugares abstratos. Estou certo ou não?
A tradução do inglês “sleet”
Como se diz “sleet” em português, que é a chuva acompanhada de neve? Não existe tradução? No Brasil nunca vi tal fenômeno da natureza, por predominarem os climas ameno e quente, mas em Portugal tampouco existe? O meu dicionário inglês-espanhol dá como tradução “aguanieves”, mas segundo o dicionário da Real Academia Espanhola (www.rae.es), “aguanieves” é uma espécie de ave; não tem, portanto, nada que ver com o que estou procurando. Não sei se ajuda, mas em japonês diz-se “mizore”, e em alemão, “Schneeregen”. Obrigado mais uma vez pela sua ajuda.
A formação e o significado do termo mediólogo
Num texto dado à estampa ("Pela democracia e pelas liberdades na Catalunha", Público, 23/04/2019), um dos subscritores identifica-se como "mediólogo". Sendo quem é – o professor universitário especialista na área dos media J.-M. Nobre-Correia –, depreende-se que a palavra pretende significar isso mesmo: estudioso dos media. Acontece que não encontro essa definição regidstada em nenhuma fonte autorizada. Pelo contrário, no Brasil, o termo equivale a «especialista em classe média – classe-mediólogo» (cf. revista Veja). Fico agradecido pelo esclarecimento.
A combinação de pronome demonstrativo com pronome indefinido
Li o seguinte numa publicação religiosa: «Precisamos de alguém de fora para dar-nos o domínio próprio que os estóicos desejavam, e esse alguém é o Espírito Santo.» Nunca vi nos melhores escritores a combinação de um pronome demonstrativo com um pronome indefinido, mas percebo que tal junção se tem intensificado nas matérias que se publicam aqui. Necessito de vossa opinião, pois creio ser muito estranha essa sintaxe... Acredito também que tal arranjo não tem nenhum apoio clássico. Na língua latina nunca jamais vi «hic aliquis» nem «iste aliquis». Illustrate me! Tenebras solvite!
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