DÚVIDAS

Próxima actualização do Ciberdúvidas, na segunda-feira, dia 5 de Dezembro
1. Devido ao feriado de 1 de Dezembro, em Portugal, Ciberdúvidas volta a ser actualizado só na próxima segunda-feira, dia 5.   2. Entre os novos temas abordados que ficam entretanto em linha, lembramos um termo que corresponde à maneira como os esquimós gostariam de ser conhecidos. Trata-se de “inuit”, que já tem formas portuguesas, inuíta e inuíte. E respondemos ainda à pergunta: Qual a origem da expressão «Tirar o cavalinho da chuva»? Continuam também a chegar-nos dúvidas sobre a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário – TLEBS, que está a ser aplicada em Portugal. E muitas outras perguntas entraram em linha sobre aspectos relativos à sintaxe, ao léxico, à ortografia e à gramática em geral.
Sobre o substantivo cristalomancia
Tinha gosto que me esclarecessem o seguinte: qual é o vocábulo usado para definir a adivinhação através de uma bola de cristal? Tenho reparado que normalmente as palavras deste tipo terminam em “mancia”, vocábulo de origem grega que significa, segundo creio, «adivinhação». Ora, se bola, em grego, se diz σφαιρα, e cristal se diz χρύσταλλος, como se poderá, a partir destes dois vocábulos, construir um termo que defina a adivinhação através de uma bola de cristal? É que não o vejo dicionarizado. Muito obrigado. E parabéns pelo vosso magnífico site!
Ministra
Encontrei a palavra «ministra» num texto antigo, e não consigo determinar o significado exacto. Só sei que não é «ministra» no sentido de membro do governo nem nos que encontrei no dicionário da Porto Editora: «...esposa de ministro; medianeira; roda que, nos conventos, passava a comida da cozinha para o refeitório; utensílio de madeira com um entalhe em que os sapateiros resguardam o fio da faca.» Que mais sentidos pode ter esta palavra?
A "rebeldia" da nossa língua comum
Os portugueses vêem os brasileiros como os “rebeldes” da Língua Portuguesa? Não é essa perspectiva injusta, quando qualquer brasileiro tem dificuldade em aceitar o à-vontade linguístico com que os naturais de Lisboa dizem gostar “imenso” de tudo? São estas sucintamente as questões levantadas por um consulente brasileiro a viver em Lisboa. A resposta é simples: nenhum país de Língua Portuguesa detém a norma, porque há variantes a respeitar. Por outro lado, importa que, linguisticamente, saibamos mais acerca uns dos outros, porque uma língua de dimensão mundial não dispensa o sentido de comunidade. Indicativo dessa necessidade é o extraordinário conjunto de gramáticos que, de um lado e do outro do Atlântico, investigam a história e actualidade da Língua Portuguesa. A respeito de um verbo que se tornou tabu linguístico, vemos que existem divergências entre gramáticos e lexicógrafos, mas não há uma oposição entre portugueses e brasileiros. O que é bom sinal: significa que a investigação se faz objectiva e serenamente, contribuindo assim para um conhecimento mais responsável da língua. Durante a semana, outras perguntas se fizeram também. Algumas são características de quem quer compreender a língua no seu uso quotidiano. Outras relevam da preocupação com a aprendizagem e são feitas por professores de língua materna, focando a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), recentemente adoptada em Portugal. Entretanto, o papel da linguagem literária no Ensino Básico e Secundário em Portugal suscita a discussão de opções pedagógicas. A petição de Maria do Carmo Vieira, “Pela dignificação do ensino”, é disso prova. Finalmente, na Antologia surge um novo texto. Da autoria de Luís Carlos Patraquim, que o escreveu especialmente para o Ciberdúvidas, é uma evocação da infância e da magia da palavra, mas dá também testemunho da diversidade da nossa língua comum em terras de Moçambique. Boa leitura.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa