DÚVIDAS

Ontem agora
Não sei se esta expressão é comum noutras partes de Portugal mas, pelo menos, é usada com frequência no Alentejo quando se quer dizer "há pouco tempo atrás", "há uns instantes" (o que, quanto a mim, faz todo o sentido). Não sei bem como deva escrevê-la: ontagora, onteagora, ont'agora... Procurei em dois dicionários mas não encontrei nenhuma palavra semelhante. Gostaria de saber se existe e, no caso de não se encontrar registada em lado nenhum, se o facto de ser usada generalizadamente pela população de uma região não a "legitima". Muito obrigado!
O termo caraças na Primeira Guerra Mundial
Li, há alguns meses, um livro escrito por um português, cuja acção decorre, em grande parte, durante a Primeira Guerra Mundial. Nessa obra, é frequente os soldados portugueses destacados na Flandres empregarem caraças com o sentido com que hoje diriam, talvez, «Bolas!», «Gaita!» ou qualquer outro termo menos apropriado para constar aqui. Não creio que tal fosse possível naquela época. Suponho-o um termo recente. Tenho tentado confirmar esta minha suspeita, mas, até à data, não o tenho conseguido. Daí o ter decidido usar este contacto para vos pedir ajuda no sentido de satisfazer a minha curiosidade. Grata pela atenção dispensada à minha questão, desejo longa vida a este sítio da Net.
Futuro do conjuntivo e presente do indicativo numa tradução de Vitrúvio
Atentemos neste excerto do tratado monumental de Vitrúvio que colige saberes arquitectónicos – « […] si autem natura loci impedierit […].» Traduzi-lo-ia por «mas se a natureza do lugar [o] tiver impedido», substituindo o futuro perfeito do indicativo latino através do futuro perfeito do conjuntivo português. Ora, ao fazê-lo, garanto, por um lado, que a nuance semântica apologética da tentativa se mantém e, por outro, que se respeita o sistema hipotético do português. Devido a este mesmo último entrave, o francês, cioso da dita nuance semântica, poderia traduzi-lo por «mais si la nature du lieu [l’]a empêché», visto que não se pode fazer seguir um futuro a um «si» hipotético. Agora, a tradução bastante recorrente por presente é absolutamente despropositada em português e em francês (a saber: «mas se a natureza do lugar [o] impede»/«mais si la nature du lieu [l’]empêche»). Pedia um comentário aos meus escritos, com especial enfoque sobre a importância de se salvaguardar a dita nuance semântica.
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