DÚVIDAS

Lusodescendente e afro-americano
Posso estar muito enganado, mas me parece correto o exato oposto do que o consultor Carlos Rocha, por cuja clareza didática sempre tive, e tenho, muito apreço, respondeu ao consulente Mario Fraga. O oposto parece-me correto ao menos quando se fala de cidadãos de determinada nacionalidade que têm ascendência parcialmente estrangeira: quando se diz «os ítalo-brasileiros», alude-se aos brasileiros de ascendência italiana. Talvez por isso tendo a pensar num encontro franco-italiano como organizado na Itália com colaboração de franceses (ou sobre temas ligados à França). É verdade, porém, que o primeiro termo me parece, em qualquer caso, estar em posição de destaque, realçado em relação ao segundo, mas isto se me afigura naturalmente resultante da sua função de qualificador restritivo do adjetivo italiano: não é um encontro puramente italiano, mas franco-italiano, assim como ítalo-brasileiros se destacam do conjunto dos brasileiros por serem descendentes de italianos, ao passo que os demais brasileiros o serão de outros povos. Enfim, talvez haja alguma lógica diferente subjacente à formação dos adjetivos pátrios compostos quando referidos a ascendências. Não sei dizê-lo. O que, todavia, diria com toda a certeza é que, ao menos no Brasil, um franco-italiano seria, sempre e exclusivamente, um italiano com antepassados franceses, e um ítalo-francês, um francês com antepassados italianos. Se a mesma lógica se aplica à formação dos adjetivos pátrios compostos quando não aplicados à ascendência de pessoas é que não sei dizer.
A oração subordinada substantiva objectiva
Em «Fazia-me pensar nas duas casas de Matacavalos, com o seu muro de permeio», a segunda oração é subordinada: a) substantiva objetiva direta; b) adjetiva explicativa; c) substantiva predicativa; d) substantiva objetiva indireta. * Assinalei a alternativa (d) num concurso público, mas segundo o gabarito está correta a alternativa (a). Gostaria de saber se na opinião de vocês esta questão está bem elaborada e por que objetiva direta e não indireta (se há o uso de preposição na frase!)?
Os termos linguísticos diatético e comitativo
Parabéns pelo vosso profissionalismo e pelo carinho que mostrais, em nome da Língua Portuguesa. Ao consultar um livro de exercícios do 10.º ano, Caderno de Actividades – Das Palavras aos Actos, encontrei a seguinte terminologia: «valor diatético da expressão passiva» e «valor aspectual durativo-comitativo» (pág. 22). Não tenho qualquer referência sobre o valor diatético nem sobre o valor aspectual comitativo. Agradeço desde já a vossa ajuda.
A sintaxe do substantivo paralelo
Gostaria de saber sobre a regência «paralelo para» que aparece no texto da obra O Abolicionista, de Joaquim Nabuco: «Nem a esperança, nem a dor, nem as lágrimas o são. Por isso não há paralelo algum para esse ente infeliz (o escravo), que não é uma abstração nem uma criação da fantasia dos que se compadecem dele, mas que existe em milhares e centenas de milhares de casos, cujas histórias podiam ser contadas cada uma com piores detalhes.» O Dicionário de Regência Nominal do Francisco Fernandes prevê a seguinte regência: paralelo — a/com/de/entre. Grata.
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