DÚVIDAS

Ainda as armas de destruição maciça ou massiva (ou em massa)
Li as várias respostas relacionadas com a utilização de “maciça” ou “massiva” para qualificar as tão faladas armas de destruição. Perante as dúvidas em relação à admissibilidade de “massiva”, o significado que me parece um pouco diferente do pretendido de “maciça” e a evidente (para mim) contaminação do inglês “massive destruction weapons”, não será melhor utilizar “armas de destruição em massa”?
De novo o ter que ver/ter a ver/ter a haver, etc.
Antes de mais, parabéns à ilustre consultora dra. Edite Prada, que, com a humildade que só a grandeza e a competência permitem, se dignou responder – de forma, aliás, brilhante –, a uma pergunta recorrente no Ciberdúvidas e já aqui demasiadas vezes contornada sem honra nem mérito. O meu sincero aplauso, Senhora Doutora! Mas...há um "mas"! Com todo o respeito, parece-me haver um vício de pensamento que presidiu a todo o excelente trabalho de justificação do verbo ver: é a certeza, que não se ousou questionar, de que o verbo a empregar é este mesmo. Se bem repararmos, houve que fazer uma "ginástica de quebrar os ossos da razão" para que o verbo ver tenha lugar na frase em questão. A tal ponto que, para o efeito, nem ter nem ver podem significar o que significam (como é afirmado) para que, juntos, dêem à frase o sentido que "queremos" que ela tenha. Por outro lado, parece que, afinal, "nada ter a ver" não significará – de certeza, sem dúvidas – «estar relacionado», pelo menos a avaliar pelos exemplos apontados no final da resposta. Se assim é, não nos obrigará a racionalidade cartesiana a admitir, nem que seja como mera hipótese, que há duas frases parecidas a significar coisas distintas? E que uma terá tomado o lugar das duas (no caso, terá prevalecido a que emprega o verbo ver)? Será completamente descabido tentar encontrar justificação para o emprego do verbo haver em «isto nada tem que (ou a) haver com aquilo»? É que me parece dar bastante menos trabalho e ser bastante mais lógica e convincente do que a formulada para emprego de ver! Correndo o risco de ser impertinente pela insistência, volto à minha argumentação inicial: 1 – Haver significa, em primeira linha, «ter». 2 – A frase «isto nada tem que ver com aquilo» é sempre redundante, já que se limita a reforçar a frase «isto nada tem com aquilo», que significa o mesmo. Nesta frase, o emprego do verbo ter não oferece dúvidas. 3 – Na "não frase" «isto nada tem "a ter" com aquilo», o verbo ter seria utilizado exactamente com o mesmo significado as duas vezes, mantendo-se o sentido da frase. 4 – Porque a frase seria foneticamente (e não só...) impraticável, o verbo ter deu lugar a haver, que também significa «ter», para além de «receber», assim se mantendo e mesmo consolidando o sentido da mesma. 5 – Seria indiferente emprego do que ou do a, já que o sentido da frase se manteria em qualquer os casos. 6 – Nesta hipótese, ter e haver continuam a significar o que significam, sem necessidade de ter de os "perverter" para que a frase tenha o sentido que, de facto, tem – porque os verbos utilizados a esse mesmo sentido conduzem (ao contrário do que é, dignamente, admitido com o emprego de ver)! Tentei demonstrar, esforçadamente como se constatará, que, a não existir uma ideia ou regra fixa e incontornável que "obrigue" à rejeição liminar do haver em proveito do ver, a "justificação" para o emprego daquele seria bem mais simples e facilmente aceitável do que a elaborada à volta do uso deste. Desta forma se entenderia que o dicionário citado atribua a «nada ter que ver» significado completamente diferente de «estar relacionado», pela simples razão de que a frase que tal sentido terá é outra, ainda que outros também tenha: «nada ter que (ou a) haver». Em face do desenvolvimento que o assunto já teve, não ouso "exigir" uma "resposta" do Ciberdúvidas. Aqui fica, apenas, o registo das minhas dúvidas que, apesar de tudo, se mantêm. Obrigado à dra. Edite Prada.
Convite com crase
Socorro! Minha esposa está escrevendo um livro e o título é: "Gestalt : Um convite a mudança". O que o título quer deixar transparecer é: "Gestalt : um convite (às pessoas para, através dela, conseguirem) mudança". Eu penso que, no título, «a mudança» não leva crase, pois não está o artigo «a» em momento algum. Minha defesa é que, se eu usasse uma palavra masculina, por exemplo, orgasmo, eu escreveria: «um convite a orgasmo» e não «um convite ao orgasmo». Por favor, respondam logo, pois o livro já está pronto para ser impresso, sem falar na possibilidade de crise matrimonial…
A vírgula antes do pronome relativo cujo
Sou aluna de Comunicação Social. Há cerca de um mês fiz uma entrevista no âmbito da disciplina de Técnicas de Expressão Escrita. Uma das perguntas colocadas foi: «Como foi a adaptação a países cujos padrões culturais divergem claramente dos nossos?». Quando a entrevista me foi entregue (já corrigida), a docente havia acrescentado uma vírgula que me parece inoportuna: «Como foi a adaptação a países, cujos padrões culturais divergem claramente dos nossos?». Não me parece que a vírgula entre "países" e "cujos" seja adequada, mas a professora assegurou-mo. Será que me podem esclarecer? Desde já obrigada e parabéns por esta iniciativa!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa