DÚVIDAS

Pagar em géneros e em espécie(s)
Muitas vezes me perguntam em lojas se pretendo pagar «com cheque ou em espécie». Não parece haver dúvidas nesta expressão quanto ao significado de «em espécie», com que estou inteiramente de acordo. É esse também o sentido que lhe dá o dicionário "Aurélio": «espécie: dinheiro: Pagou a conta em espécie.»; ou o "Dicionário Bancário Português/Inglês" de A. Correia da Cunha: «Espécies: Dinheiro efectivo (ou metálico), moeda cunhada (ou sonante), espécies, numerário.». Mas as coisas começam a complicar-se com a "Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira": «Espécie: Géneros que se dão em pagamento: satisfaz os foros em espécies./Dinheiro, metal sonante: espécies metálicas: tem dez contos em boas espécies.». Afinal, em que é que ficamos? Espécie(s) aplica-se a géneros ou a dinheiro? Ou será que se estabelece uma distinção entre o singular e o plural? E o "Lello Universal" já diz mesmo «Espécie: géneros alimentícios que se dão em pagamento convencionalmente: pagar em espécie», o que me leva a pensar que, aqui, «em espécie» se não se aplica a dinheiro. Quanto a Cândido de Figueiredo, regista no seu dicionário: «Espécie: Géneros alimentícios que se dão em pagamento: emprestei-lhe dinheiro, que pagou em espécie. Dinheiro.». Também aqui me parece que não se percebe nada: afinal: «espécie» são «géneros», como ele começa por dizer, ou é «dinheiro», como ele próprio acaba por dizer? Gostava pois de ouvir a vossa opinião sobre o assunto, concretamente a resposta a estas perguntas:1. Há uma diferença entre «pagar em espécie» e «pagar em espécies»? Qual, na afirmativa?
A utilização do pronome pessoal você
A minha questão é simples: [em Portugal] a utilização do pronome pessoal você por um aluno dirigindo-se a um professor revela falta de educação, «é feio»? Por exemplo, na frase «Você pode-me explicar novamente o trabalho?» ou «Professora, você pode chegar aqui?». A minha pergunta deve-se ao facto de observar grande parte dos meus colegas incomodados quando tratados dessa forma e, sinceramente, não vejo razões para isso. Provavelmente, por ter vivido muito tempo no estrangeiro, onde tirei o meu curso superior... Contudo, verifico que na televisão o uso deste pronome surge com muita frequência em debates, por exemplo, em que o entrevistador (Judite de Sousa) trata por "você" os seus entrevistados. Grata por uma resposta.
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