DÚVIDAS

Pagar em géneros e em espécie(s)
Muitas vezes me perguntam em lojas se pretendo pagar «com cheque ou em espécie». Não parece haver dúvidas nesta expressão quanto ao significado de «em espécie», com que estou inteiramente de acordo. É esse também o sentido que lhe dá o dicionário "Aurélio": «espécie: dinheiro: Pagou a conta em espécie.»; ou o "Dicionário Bancário Português/Inglês" de A. Correia da Cunha: «Espécies: Dinheiro efectivo (ou metálico), moeda cunhada (ou sonante), espécies, numerário.». Mas as coisas começam a complicar-se com a "Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira": «Espécie: Géneros que se dão em pagamento: satisfaz os foros em espécies./Dinheiro, metal sonante: espécies metálicas: tem dez contos em boas espécies.». Afinal, em que é que ficamos? Espécie(s) aplica-se a géneros ou a dinheiro? Ou será que se estabelece uma distinção entre o singular e o plural? E o "Lello Universal" já diz mesmo «Espécie: géneros alimentícios que se dão em pagamento convencionalmente: pagar em espécie», o que me leva a pensar que, aqui, «em espécie» se não se aplica a dinheiro. Quanto a Cândido de Figueiredo, regista no seu dicionário: «Espécie: Géneros alimentícios que se dão em pagamento: emprestei-lhe dinheiro, que pagou em espécie. Dinheiro.». Também aqui me parece que não se percebe nada: afinal: «espécie» são «géneros», como ele começa por dizer, ou é «dinheiro», como ele próprio acaba por dizer? Gostava pois de ouvir a vossa opinião sobre o assunto, concretamente a resposta a estas perguntas:1. Há uma diferença entre «pagar em espécie» e «pagar em espécies»? Qual, na afirmativa?
Quem de direito
Tem estado na moda nos últimos anos a expressão «quem de direito», utilizada no sentido de «quem é responsável por» ou «a quem concerne uma questão». Ouço recorrentemente frases como «pergunta a quem de direito» e outras do mesmo estilo. Apesar de perceber o significado da expressão, não percebo a sua construção (sem verbo) nem sei se estará correcta em português.  Queiram por favor fazer a gentileza de me esclarecer estes dois pontos.  Muito obrigada.
O presente histórico ou narrativo
Sou estudante de Letras e frequente usuária dos serviços do Ciberdúvidas. Recentemente comecei a trabalhar como estagiária em uma editora e tenho a árdua missão de revisar uma tradução clássica do livro “Napoleão Bonaparte” de Octave Aubry, que será editado novamente. Ao iniciar a revisão notei uma "característica" no texto: a narração começa no passado, mas em um certo ponto passa a oscilar entre presente e passado. Fiquei bastante confusa e decidi recorrer aos renomados especialistas que desenvolvem um maravilhoso trabalho neste ‘site’. A primeira frase do livro é esta: «Tudo estava perdido: sua velha Guarda, cercada pelos corpos prussianos ou ingleses, fazia-se despedaçar, ao grito de 'Viva o imperador!', tão alto ainda que dominava o canhão.» A narração inicia-se no passado, mas no decorrer da leitura encontrei o seguinte trecho e a partir dele ela passa a ser feita no presente (voltando ao passado posteriormente e assim sucessivamente): «Caulaincourt esperava-o no portão. Corre para Napoleão, ajuda-o a apear-se. O imperador sobe penosamente a escada...» Peço encarecidamente que ajudem-me neste dilema: tal oscilação de tempo verbal é uma questão de estilo do autor ou a tradução está completamente errada? Agradeço desde já a paciência e o espaço cedido para a exposição de minha dúvida.
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