DÚVIDAS

Elementos paratextuais, peritextuais e epitextuais
Em alguns artigos de crítica literária e outros textos (mais relacionados com análise de álbuns (enquanto obra literária para a infância) tenho encontrado a referência a elementos paratextuais da obra — indicando quer elementos do texto visual, quer elementos do texto verbal "dentro" da obra ou referências evocadas por excertos de comentários "sobre" obra, autor/a, ilustrado/a, etc. Em outros artigos, estas denominações são separadas, isto é: elementos peritextuais: tudo o que diz respeito à obra propriamente dita; elementos epitextuais: todas as referências "sobre" a obra (como comentários, dados sobre obra, autores/as, etc.). Qual a expressão mais correcta, ou estarão as duas correctas (assumindo que são todas elas "neologismos")?
«Ir a»/«Ir para» casa
A dúvida que vos coloco surgiu no âmbito de uma aula de português a estrangeiros e foi colocada pelos alunos. Quando usamos o verbo ir seguido da preposição a, construção usada para exprimir curta duração temporal de uma acção, algumas vezes fazemos a contracção da preposição com os artigos definidos que a seguem, mas outras vezes não. Ex.: 1– Vou a casa buscar um livro. (e não «Vou à casa buscar um livro») 2 – Vou ao restaurante. (e não «Vou a restaurante») O mesmo sucede com a construção verbo ir seguido da preposição para, usada para exprimir longa duração temporal de uma determinada acção, mas neste caso não se põe a questão da contracção com a preposição, mas a utilização ou não do artigo. Ex.: 1 – Vou para casa (e não «Vou para a casa»; podendo no entanto esta última ser utilizada, se referirmos a quem pertence a casa) 2 – Vou para o quiosque (e não «Vou para quiosque») A não contracção/supressão do artigo verifica-se sempre que há um substantivo de género feminino depois da preposição, mas não com todos os substantivos deste género, o que invalida a formulação de uma possível regra que obrigasse a esta alteração no caso de um substantivo ser de género feminino. Ex.: 1 – Vou para a praia. 2 – Vou à praia. São dois exemplos perfeitamente correctos que contrariam os exemplos dados anteriormente. Gostaria então, se possível, de saber qual é a regra para a supressão/não contracção do artigo aquando do uso destas construções. Aplica-se só a determinados substantivos que por acaso são de género feminino? Há uma lista desses substantivos? Também existem casos com o género masculino? Muito obrigada!
Vitimação e vitimização
Tenho ouvido (e lido) referências a "vitimação" e "vitimização": "os inquéritos de vitimação demonstram que ..." e "dos estudos de vitimização realizados, os investigadores ...". No dicionário Lello (ed. 1995) e no dicionário do sítio da Porto Editora (http://www.portoeditora.pt/dol/default.asp) os termos supra são desconhecidos. Gostaria, por favor, de saber: 1 - São termos correctos? (neologismos? anglicismos?) 2 - Têm a mesma significação? 3 - Podem ser usados indistintamente (à semelhança de ouro/oiro e touro/toiro)? Cumprimentos e obrigado.
Pagado, ganhado e gastado: particípios em desuso?
Pelo visto, estou ultrapassado. Aprendi há muito que pagado é um arcaísmo, embora o Saramago, talvez por influência do castelhano, do catalão ou do valenciano, o use com frequência nas suas obras. Quanto a o gastado e o ganhado terem dado o lugar a gasto e a ganho, também quando usados com o verbo ter, confesso-me surpreendido. Passou a ser norma? E as formas gastado e ganhado são alternativas às simplificadas, quando usadas com o verbo ter, ou já ganharam o estatuto de arcaísmos? A seguir, virá a aceitação da palavra “empregue”, que já vi num dicionário, e a da palavra  “encarregue”, que ainda não vi em nenhum.
Ainda a palavra "atelier"/ateliê
Sei que esta palavra já foi objecto de uma resposta vossa. Todavia, preciso ver esclarecido o seguinte: segundo a resposta que deram, é preferível utilizar a palavra oficina em vez da palavra atelier/ateliê. No Dicionário da Porto Editora 2008 a palavra atelier surge como correcta, aparecendo o seguinte: «atelier [átE´lje] substantivo masculino 1. oficina, sobretudo de costura, de fotografia ou de artes plásticas; 2. sala de trabalho; (Do fr. atelier)» e «ateliê substantivo masculino Þ atelier (Do fr. atelier)». Segundo depreendo, e argumentando com o facto de tal constar num dicionário de referência, as duas palavras são correctas. A questão a colocar é então: posso escrever atelier sem utilizar a palavra em itálico ou com aspas? Por exemplo, na frase «Dou aulas no meu atelier/ateliê»? Ou tenho de escrever «Dou aulas no meu "atelier"»? Obrigada pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa