Plural de Pai Natal, de novo - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Plural de Pai Natal, de novo

Apesar do V/ esclarecimento sobre este assunto continuo com muitas dúvidas. Na TV e Rádio continuo a ouvir o célebre Pais Natal. Os colegas com quem falo dizem-me que ninguém utiliza o plural Pais Natais, de resto não soa bem, além de me apresentarem exemplos como homem sombra e não homens sombras, e outros. Daí as minhas dúvidas. Deve optar-se por seguir o dito geral ou este está mesmo mal e deve-se remar contra a maré, por assim dizer. Não queria ser o único a dizer Pais Natais e ter que carregar com o peso de todos acharem que eu é que estou mal. Além da minha profissão exigir o uso correcto do português. Agradeço uma explicação mais aprofundada. Obrigado.

Daniel Oliveira Portugal 16K

Talvez a Língua Portuguesa esteja em evolução neste particular e ainda não esteja escolhida a designação preferida, pois cada uma delas pode ter a sua origem.

O vocábulo natal pode ser substantivo ou adjectivo. É substantivo, quando se refere ao dia ou à época em que nasceu determinado ser humano:

«No dia 2 de Junho, festejamos sempre o natal da nossa querida mãe».

Quando nos referimos ao nascimento de Jesus Cristo, escrevemos com inicial maiúscula: 

«Amanhã, 25 de Dezembro, é dia de Natal». 

É adjectivo em frases como as seguintes: 

«O meu país natal faz parte da Península Ibérica». 

«A terra natal de Fulano tem-se desenvolvido muito». 

O vocábulo natal flexiona-se em número, quer seja substantivo quer adjectivo: 

«Estive cinco natais sem vir a tua casa». 

«Nessa reunião, estavam dez pessoas como representantes apenas de quatro terras natais». 

«O Pai Natal em maiúsculas inspirado na lenda de São Nicolau é só um», como diz João Carreira Bom. Mas os muitos que o representam são os pais natais, em que o adjectivo natal concorda em número com pais, tal como o adjectivo educadores concorda com pais na expressão pais educadores. Portanto: Pai Natal (singular), Pais Natais (plural).

A linguagem da TV e da Rádio, infelizmente, não pode servir de norma, pois todos vemos que nem todos os locutores e jornalistas sabem percorrer o caminho da correcção da linguagem.

José Neves Henriques