DÚVIDAS

Casos de colocação do pronome em locuções verbais
Tenho diversas dúvidas sobre a nossa língua que gostaria de ver esclarecidas. Como me surgiram na prática, remeto as frases em concreto em que as dúvidas se colocaram, pedindo que assinalem qual a hipótese correta e, se possível, qual a regra aplicável: 1. «Tenho que lhe dar um livro.»/«Tenho que dar-lhe um livro.» 2. «Vou-lhe perguntar.»/«Vou perguntar-lhe.» 3. «Despacha-te para nos ires buscar.»/«Despacha-te para ires buscar-nos.»
A diferença entre maçã e pêro, de novo
Permito-me discordar da explicação dada pelo Prof. Fernando V. Peixoto da Fonseca sobre a diferença entre maçã e pêro. Só a tal me atrevo, por se tratar de uma questão de botânica e não de português. A espécie ou o fruto é só um, a maçã, com inúmeras variedades. Em algumas zonas do País, nomeadamente no Norte, a todas elas se dá o nome de «maçã». Noutras, a algumas dessas variedades, por exemplo, a "golden", dá-se o nome de «pêro». Portanto, se alguns lisboetas disserem que «pêro» e «maçã» são frutos diferentes, estão errados. Não o são. Se na ementa de um restaurante estiver escrito que há, de fruta, bananas, morangos e pêros, está correcto; Mas se estiver escrito que há bananas, morangos, pêros e maçãs, está errado (mistura-se espécies com variedades). Todos os pêros são maçãs, mas nem todas as maçãs são pêros.
Mais e maior
Sou formada em Letras na USP e trabalho na Editora Abril. Li no manual de um jornal brasileiro sobre a diferença no uso de «mais» e «maior» antes de substantivo: ele diz: «Use mais para palavras ou expressões que indiquem quantidade e maior para os casos em que a idéia seja de intensificação». Por exemplo: «Pedimos mais informações; Pediu maior colaboração para o evento; Ele espera obter maior reconhecimento do público». Essa explicação faz sentido, é coerente. Mas eu gostaria de saber se há impropriedade, erro, em usar maior ou mais indistintamente, sendo que os dicionários que consultei (Caldas Aulete e Aurélio) dizem que tais palavras são sinônimos nesse caso.
Ainda o bienal/bianual e o trienal/trisanual
Muito agradeço a Mafalda Antunes a gentileza da resposta às minhas perguntas acerca do adjectivo (e substantivo, não?) trienal e dum hipotético trianual. No entanto, a sugestão que deixa para qualificar um acontecimento que ocorre três vezes por ano parece-me não se adequar a todas as situações possíveis. Assim, na sua resposta, diz: «A definição de trienal apresenta o significado de "acontecimento que tem a duração de três anos", tal como trisanual. No entanto, sabe-se que este termo é usado também com o sentido de "acontecimento que ocorre três vezes por ano". Talvez uma boa solução para estes casos seja a de dizer que determinado acontecimento «ocorre três vezes por ano» ou que é quadrimestral, que se realiza, acontece ou surge de quatro em quatro meses, ou seja, três vezes por ano.» O problema é que há acontecimentos que ocorrem três vezes por ano, mas sem periodicidade regular. Assim, não poderemos designá-los de quadrimestrais. Suponho que os linguistas fariam um grande favor aos falantes se separassem os significados de bienal/bianual, trienal/trisanual (e por que não trianual?). Ou haverá alguma razão etimológica, ou de outra natureza, para manter esta ambiguidade? Reivindico a separação de significados dos termos em apreço. Não terei legitimidade? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa