Mail, e-mail e «correio eletrónico»
Diz-se «vou enviar por mail», ou «vou enviar por e-mail»?
«Porque é que» (e não «"porquê" que»)
Por favor, me esclareçam porque é que não podemos dizer «porquê que»? Por exemplo: «Porquê que estás a estudar?»
Agradecimentos antecipados.
A palavra nem e os advérbios de negação
Na Gramática Universal da Língua Portuguesa, de António Afonso Borregana, a palavra nem aparece no quadro dos advérbios de negação. Procurei informação em outras gramáticas e encontrei uma grande diversidade de informação. Pergunto:
1. Nem, além de conjunção, também pode ser advérbio de negação? Em que casos?
2. Apenas a palavra não é advérbio de negação, ou também nunca e jamais?
Em Celso Cunha e Lindley Cintra apenas figura não como advérbio de negação...
Obrigada.
Vós/vocês
Uma das coisas que notei quando vim para Lisboa, foi o uso de "vocês" ao invés de "vós" e isto fez-me ficar confuso e fiquei sem saber qual é o português correcto. Agradeço a vossa ajuda.
Vós sois meus amigos / Vocês são meus amigos.
Quem sois vós? / quem são vocês?
Vós sabeis que ... / vocês sabem que ...
Vós sois de grande ajuda para muita gente / Vocês são de grande ajuda para muita gente.
A diferença entre agente do estado e funcionário público
Gostaria de ser informada quanto à diferença entre «agente do estado» e «funcionário público».
A origem da expressão «valer a pena»
Li num website que Richard Strauss, aquando da sua visita a Sintra, declarou acerca do Palácio da Pena: «Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto e nunca vi nada que valha a Pena.» Terá sido esta a origem da expressão «valer a pena»?
Embaixadora / embaixatriz, mais uma vez
Confesso minha perplexidade ante as opiniões expressas por F.V. Peixoto da Fonseca a respeito de tema tão elementar como as palavras "embaixadora" e "embaixatriz". Em sua intervenção datada de 07/01, o consultor de Ciberdúvidas já me havia surpreendido por sua impetuosa decisão de banir, do léxico português, o inocente vocábulo "embaixadora", que nunca fez mal a ninguém. Categórico, exclamou, naquela ocasião: "Não dizer, em caso algum, embaixadora!" Eis que, a propósito de uma observação de um outro consulente sobre o mesmo tópico (17/01), o Senhor Peixoto da Fonseca volta a tratar das embaixatrizes e das embaixadoras, mas agora de forma algo irritada. Tentemos pôr os pontos nos iis, com a serenidade que parece estar à míngua. Em primeiro lugar, a palavra "embaixadora" existe, e significa chefe de missão diplomática, do sexo feminino. Em segundo lugar, existe a palavra "embaixatriz", que significa mulher de embaixador. Curiosos são os argumentos empregados pelo Senhor Peixoto da Fonseca para justificar o desterro que houve por bem decretar ao pobre vocábulo "embaixadora". Diz ele: "... rainha é só uma, quer exerça o cargo..., quer seja a mulher dum rei..." Confesso que não entendi. Que tem que ver rainha com embaixadora ou com embaixatriz? Talvez falte ao Senhor Peixoto da Fonseca certa familiaridade com o mundo diplomático. Imaginemos a seguinte situação: o Governo brasileiro designa uma diplomata do sexo feminino para chefiar a Embaixada do Brasil em Lisboa. Envia, como é de praxe, um pedido de "agrément" ao Governo português. Nesse documento, declara que a pessoa designada é a "embaixatriz" Fulana. Sabe o que vai acontecer? Os diplomatas portugueses poderão, por mera complacência, aceitar o pedido de "agrément", mas tentarão disfarçar o sorriso irônico, no momento de formalizar sua anuência. Ninguém, com a possível exceção de Freud, conseguiria explicar os problemas que tem o Senhor Peixoto da Fonseca com as embaixadoras.
A palavra "abesbílico"
Ultimamente tenho encontrado a palavra "abesbilico" nos mais variados chats e fóruns, com o sentido de se ficar espantado, maravilhado com algum feito extraordinário. Por exemplo: «Fiquei abesbilico com o último concerto dos U2.»
Temos aqui uma nova palavra a acrescentar ao dicionário português? Qual a sua origem?
Ainda o «sobretudo, eu imagino que...»
A propósito da resposta «Sobretudo, eu imagino que...», recordo que sobretudo significa aqui acima de tudo. Deverá preceder o verbo, pois é como que um ponto prévio que diz respeito a toda a frase (e não apenas ao predicado), não devendo colocar-se entre o predicado (imagino) e o complemento directo (a oração integrante que se vai seguir, iniciada por “que”). Se se quiser colocá-lo após o verbo, então deverá ser isolado por vírgulas, de modo a que o predicado não fique separado do complemento directo. Sendo assim, ao contrário do que responde Maria Regina Rocha, acho que a frase do consulente («Eu imagino sobretudo que...») pode ser considerada correcta. O próprio Ciberdúvidas (in «Expressões adverbiais e o uso da vírgula», resposta de Teresa Álvares) cita Sá Nogueira: «Os advérbios pospõem-se em regra aos verbos, mas também podem antepor-se, e, quer num caso quer no outro, nunca se separam por vírgulas, a não ser quando haja alguma intercalação.» Na frase em questão, penso que o uso (ou o não uso) da vírgula dependerá daquilo que se quiser dizer. Como não temos contexto, não saberemos qual será a melhor forma, pelo que dificilmente poderemos avançar com algumas «formas correctas» e excluir dessa adjectivação outras formas que poderão ser igualmente correctas. Assim, é possível encontrar situações em que o uso da vírgula que nos sugere a Regina deturpa a ideia que se quer passar. Exemplos: Se eu quiser dizer que há algumas pessoas a imaginar um mundo melhor, mas que quem se destaca mais nesse sonho sou eu, digo: «Sobretudo eu imagino que o mundo pode ser melhor.» O José não liga muito a isto, a Ana interessa-se um pouco, mas sou sobretudo eu (sem vírgula) quem imagina que o mundo pode ser melhor. Outro exemplo: Há pessoas que crêem que o Benfica vai ser campeão; outras desejam que o Benfica seja campeão; outras rezam para que o Benfica seja campeão. Eu faço um pouco disso tudo, mas há uma coisa que eu faço mais que isso: «Eu sobretudo imagino que o Benfica vai ser campeão.» Faço muitas coisas, mas sobretudo imagino. De novo sem vírgulas. Não pode ir entre vírgulas, como se fosse assessório, pois sem ele a frase não faz sentido. Aqui, o advérbio entre vírgulas admitia-se apenas se se quisesse enfatizar. Agora vamos supor que imagino muitas coisas. De todas as coisas que imagino, há uma que me ocupa o espírito mais frequentemente que as demais. Então, poderia dizer-se: «Eu imagino sobretudo que Portugal vai longe neste Euro 2004.» Também imagino que Portugal vai jogar melhor que nunca, imagino que a lesão de Figo vai ser debelada, sim, imagino isso tudo, mas imagino sobretudo que Portugal até nos vai pregar uma enorme surpresa. Novamente sem vírgulas. É a diferença entre «tocar muitas vezes à campainha» (sem vírgulas = tocar 854 099 284 vezes à campainha) e «tocar, muitas vezes, à campainha» (com vírgulas = tocar frequentemente à campainha). Por tudo isto, considero que a frase da consulente não estará necessariamente errada, sobretudo porque não se sabe que ideia se pretende veicular (e repare-se que este sobretudo que acabei de usar também não seguiu entre vírgulas). Ou estarei, afinal, errado, eu?
Sol com maiúscula e sol com minúscula
Quando se escreve Sol, e quando se escreve sol?
