DÚVIDAS

Arte-terapia, arte-terapeuta
Gostaria de uma palavra de quem é autoridade no assunto: vem se formando no Brasil uma controvérsia polêmica a respeito da grafia de arte-terapia/arte-terapeuta... Parece que pode-se escrever com ou sem hífen, mas eu pessoalmente prefiro com hífen, pela desagradável sonoridade e sequência das 2 duas sílabas te + te, que se juntam quando unimos os 2 radicais sem hífen. baseio-me na regra também do Guia Ortográfico , que determina o uso de hífen para palavras cujo primeiro radical represente uma redução adjetiva, no caso , arte tem a qualidade adjetiva em relação à terapia/terapeuta. Para tentar estabelecer um padrão uniforme do uso destes vocábulos, precisamos, nós arte-terapeutas, ouvir autoridades na língua... e aguardamos ansiosa e atenciosamente!!!
Conceptor
Em 1º lugar gostaria de felicitar a equipe do Ciberdúvidas pelo excelente trabalho que têm realizado e fazer um apelo para que não abandonem o projecto que tanto tem contribuído para a qualidade do português, falado e escrito. 2º ponto: Se possível, gostaria que me informassem se a palavra conceptor existe e se esta poderá ser utilizada no seguinte contexto: "... um conjunto de funcionalidades que permitem ao conceptor dos produtos a definição...". Certa da vossa melhor atenção, desde já agradeço e me despeço. Muito atenciosamente.
Ingerível?
Gostaria de saber se existe (muito embora creia que não) a expressão «ingerível», proveniente de "gestão", com o significado de algo que não se consegue gerir. Trata-se de uma expressão comummente utilizada por gestores e economistas, referindo-se, por ex., a uma empresa deficitária cujos gastos superem os proveitos e que se, por ex., não fizerem um determinado negócio, a empresa tornar-se-á «ingerível».
À volta da fala e da ortografia
Em Abertura de 3/2/2010, há uma chamada sob título «As relações difíceis entre a escrita e a fala», cuja frase inicial é «A grafia não imita a fala». Discorre sobre a eterna querela da ortografia ser fonética ou etimológica, quando, de fato, ela tem de ser um mero conjunto de signos, convencionado, para que todos es crevam de uma determinada maneira "correta", e todos que a falam ou leiam consigam entendimento. Ao contrário da fala, que os linguistas consideram que não há certa nem errada, a escrita é diferente; a lei obriga a escrever "certo". E é por isto que não entendo porque existe a necessidade de se escrever falámos em Portugal e falamos no Brasil. Que cada qual pronuncie como quiser (ou puder), mas não há razão para acentuar a escrita, ainda mais em palavras paroxítonas. Precisamos urgente de um Acordo Ortográfico unificador, de fato, da nossa escrita. Acabei de reler A Velhice do Padre Eterno, do imortal Guerra Junqueiro, em sua primeira edição, onde praticamente não há acentuação, mesmo em palavras proparoxítonas; os acentos não fizeram a menor falta ao entendimento ou à pronúncia mental que realizei enquanto lia. A pletora de acentos está fazendo com que a escrita digitalizada (praticamente não há mais escrita "manuscrita") leve os preguiçosos da Internet a escrever "nahum" apenas para não ter que digitar o til. E viva a língua portuguesa, que consegue ser compreendida em um país de dimensões continentais como o Brasil, sem a preocupação dialetal.
Acerca da litotes
Estou escrevendo um glossário de retórica e poética e admiro particularmente certas figuras, como a litotes, o oximoro, o quiasmo e a antimetábole. Cada página é um verbete exemplificado com a poesia galega, portuguesa ou brasileira. Compreendo a litotes como a sugestão meio eufemística, irônica de uma ideia; ou em dizer pouco para sugerir muito; atenuantemente. Portanto, um conceito um tanto mais elástico, tirado da etimologia da palavra, contrariando a maioria das definições que encontro, costumeiras em enfatizar apenas a negação do oposto. Como um dos exemplos, dentro da minha formulação, escolhi os seguintes versos de Guerra Junqueiro (A Morte de D. João, Introdução): E o povo... o povo é rei! E rei como Jesus, Para beber o fel, para morrer na cruz. Disse-o pouco, mas sugeriu muito o tipo, e de forma irônica, da única "realeza" que cabe ao povo. Se a Sra. Eunice Marta me der o prazer de comentar minha proposição, tomarei por fé seus ensinamentos, ainda que contrários ao que imagino. Agradeço antecipadamente.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa