DÚVIDAS

Verbos pronominais essenciais
Diz o prof. Napoleão M. de Almeida, no §402, B de sua Gramática Metódica, o seguinte: «Os verbos pronominais essenciais muito se aproximam dos verbos intransitivos, uma vez que exprimem ação que não pode passar para um objeto.» Ora, se ambos os tipos de verbos indicam que a ação fica restrita ao sujeito, que diferença há entre eles, além de um indicar isso mediante pronome oblíquo da mesma pessoa que o sujeito (e.g.: Eu me queixeiTu te arrependesteEle se orgulha), e o outro não indicar isso de modo algum (e.g.: Eu corriTu saísteO pássaro voou)? Obrigado
A sintaxe de fundamental e evoluir
«Ler é fundamental NA evolução das pessoas. Ajuda-nos a compreender o mundo e EVOLUIR os nossos saberes.» Relativamente a estas frases, a palavra fundamental pode reger e preposição em? Por outro lado, para que a segunda frase tenha sentido, o verbo evoluir não deverá ser auxiliado, por exemplo, pelo verbo fazer? «Ajuda-nos a compreender o mundo e a FAZER EVOLUIR os nossos saberes.» Obrigado
Adjuntos adverbiais e apostos explicativos
Ao ler uma notícia, deparei-me com a seguinte frase: «Um carro contratado para conduzir um funcionário da equipe do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, foi roubado por criminosos na manhã desta quinta-feira (14), na Rua do Riachuelo, no Centro do Rio, em frente ao Hotel Monte Alegre.» Minha dúvida é quanto à justificativa do uso indiscriminado de vírgulas na presença de adjuntos adverbiais nessa frase: «na manhã desta quinta-feira (14)» ⇒ um adjunto adverbial tempo «na Rua do Riachuelo» ⇒ um adjunto adverbial de lugar «no Centro do Rio» ⇒ seria um adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica a região como localizada no Centro do Rio? «em frente ao Hotel Monte Alegre» => seria um simples adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica o lugar exato do Centro do Rio em que ocorreu o crime? Faço essa pergunta, pois alguns adjuntos adverbiais nessa oração parecem se comportar como apostos, ou seja, dando apenas informações extras, que podem ser facilmente suprimidas. Desculpem se ficou meio confuso!
A sintaxe de «licenciado/mestre/doutor por...»
Confirmei no Dicionário Prático de Regência Nominal de Celso Pedro Luft que se escreve, tal como se ouve habitualmente, «sou licenciada em x PELA Universidade y» e «sou doutora(/doutorada) em x PELA Universidade y». Pergunto, primeiro, se o mesmo se aplica – como seria de esperar – à designação mestre: é-se mestre em x POR [instituição de ensino y] (o dicionário referido é omisso neste ponto)? Pergunto, depois, se é possível explicar gramaticalmente esta construção, que não é óbvia para mim. Na frase «Sou licenciada pela Universidade y», «pela Universidade y» desempenharia, se compreendo bem, a função sintática de complemento agente da passiva – é a instituição de ensino que "licencia", i.e. que confere o grau académico de licenciado ao estudante. Não sei se este raciocínio está correto, e não consigo aplicá-lo aos outros casos: em «sou mestre pela Universidade y» e em «sou doutor pela Universidade y», o mesmo constituinte («pela Universidade y») não pode desempenhar a função sintática referida, parece-me. Conseguiriam explicar esta construção? Obrigada pelo vosso precioso trabalho.
A expressão «estar a fim de (algo/alguém)»
Na expressão «estar a fim de algo/alguém», e.g., (1) «estou a fim de você» ou (2) «estou a fim de ver um filme», qual função sintática da locução «a fim de» bem como da partícula que a sucede: (1) «você» e (2) «ver um filme»? Seriam iguais em ambos os casos ou assumiriam funções diferentes? Desde já exprimo meu sentimento de gratidão e apreço pelo vosso trabalho!
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