Controlar com objeto direto preposicionado
Mesmo sendo transitivo direto, deparamo-nos com ocorrências algo controversas onde a norma culta -- termo talvez ainda mais controverso -- parece estar de troça relativamente à transitividade do verbo controlar.
Nos exemplos abaixo, o que oficialmente poderia justificar (se justificáveis) as construções? [E, sim, há mais nos exemplos a ser abordado. Estejam livres para, por favor, instruir este consulente.]
A mim ninguém controla.
A mim, ninguém controla.
A mim ninguém me controla.
A mim, ninguém me controla.
Forte abraço à equipe Ciberdúvidas.
Objeto direto preposicionado: «ouvir a todos»
Apesar de direta que é sua transitividade, ouvir ocorre amiúde em locuções como «ouvir a todos».
Gostava de saber se existe norma a legitimar tal uso.
Obrigado.
Cargos, parentesco e apostos
No uso da vírgula para cargos e qualificações de pessoas, usa-se a vírgula quando o cargo for ocupado por apenas uma pessoa.
Ex.: «O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, sancionou nova lei do programa Pé-de-Meia.»
Não se usa a vírgula quando o cargo for ocupado por mais de uma pessoa.
Ex.: «Na avaliação do professor da Universidade de Brasília José Roberto Fialho, os estudantes de licenciaturas já podem comemorar a abertura do programa Pé-de-Meia.»
No exemplo abaixo, podemos utilizar essa mesma regra?
«Agradeço ao meu esposo, Valdir, pela compreensão e paciência.»
A sintaxe de comparticipar
Gostaria que me esclarecessem, por favor, se a forma correta deverá ser «Os estudantes devem comparticipar os custos de formação» ou «Os estudantes devem comparticipar nos custos de formação»?
Muito obrigada.
Complemento do nome comparação
Na frase «O livro convida à comparação entre os bons e os maus», qual a função sintática de «entre os bons e os maus»?
Complemento de nome ou complemento oblíquo?
Obrigada.
A sintaxe do verbo colaborar
Cumprimentos, antes de mais, à equipa do Ciberdúvidas e os votos dum feliz Ano Novo!
Num dos programas de rádio ouvi: "...Carlos Magno (...) colaborou reunificar boa parte do Ocidente Cristão ..." e tropecei em 'colaborar' completando-se directamente com um infinitivo.
Uma pesquisa na internet trouxe mais um exemplo: "quem não colaborou fazer parte, que colabore".
A dúvida é se o verbo 'colaborar' permite reger um infinitivo à maneira de combinar. acordar, etc. ou sempre se exige uma preposição (sic) 'para'? Caso se admita, qual será a função sintáctica desse e quais são, tecnicamente, locuções verbais cultas com o uso de 'colaborar'?
Agradeço.
Adiar e agradecer
Gostaria de saber se os verbos adiar e agradecer se regem por alguma preposição. Consultei várias fontes e não consegui encontrar. Desta forma, deve dizer-se:
(I) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar uma hora.
ou:
(II) Não faças ainda o relatório. Acho que o podes adiar por uma hora.
Quanto ao verbo agradecer:
(III) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe a generosa gratificação.
ou:
(IV) Com amabilidade, o empregado de mesas levou-lhe a fatura e agradeceu-lhe pela generosa gratificação.
Obrigada!
«Não saber nada» e «não saber de nada»
«Do que depender de mim, ninguém ficará a saber nada» ou «Do que depender de mim, ninguém ficará a saber de nada»?
Isto no sentido de a pessoa prometer que vai guardar segredo.
Obrigado.
Fardo, quilo e litro com complemento nominal
Consideremos os seguintes exemplos:
«Bebi dois fardos de refrigerante.»
«Cortei três quilos de lenha.»
«Comprei dois litros de água.»
Nestes três casos, fardos, quilos e litros parecem todos serem substantivos que não possuem existência independente (litros de quê?), portanto, seriam substantivos abstratos. Diria mesmo que não possuem sentido independente. Parece-me intuitivo, portanto, que «de leite», «de lenha» e «de água» sejam complementos nominais, respectivamente, dos três substantivos citados, pois além de completarem os sentidos dos mesmos, possuem eles mesmos sentido passivo .
Entretanto tradicionalmente são considerados substantivos abstratos aqueles que representam qualidade, estado, ação, conceito ou sentimento; não é mencionada quantidade ou ordem de grandeza nessa definição.
Minha dúvida é se se substantivos desse tipo são de fato abstratos, ou se são concretos. Nesse último caso, «de leite», «de lenha e «de água» seriam adjuntos adnominais, o que me soa "insuficiente", pois aí seriam termos acessórios; os substantivos citados parecem requerer obrigatoriamente um complemento.
Muito obrigado desde já!
O complemento de aspeto
Na frase «[...] homem magro, pálido, com aspeto de quem não vai ter muita vida para viver», que função sintática desempenha «de quem não vai ter muita vida para viver»?
Complemento do nome?
Por que razão «aspeto» pede complemento?
Em que categoria de nome se integra para o pedir?
Grata.
