A acentuação do verbo pôr em mesóclise
Uma vez que o verbo pôr é acentuado graficamente para diferenciá-lo da preposição por, ou seja, não há outra razão que justifique esse acento, minha dúvida é se o acento se mantém nas formas pronominais («por-se»/«pôr-se») e nas formas mesoclíticas («por-te-á»/«pôr-te-á», «por-se-á»/«pôr-se-á») e, caso se mantenha, por que motivo.
Obrigada.
Sobre o hífen no novo Acordo Ortográfico
Estive a ler a resposta à pergunta feita sob o título Acordo Ortográfico e os vocabulários portugueses.
Teria muito a dizer sobre o conteúdo desta resposta, mas haverá certamente quem o faça por mim. Para não me alongar muito, vou referir apenas a eliminação do hífen, que o Acordo Ortográfico (AO) consagra. Como se diz naquela resposta, e bem, o hífen é um auxiliar de desambiguação. Concordo plenamente. Um dos exemplos ali referidos (braço-direito/«braço direito») mostra claramente como é importante deixar o hífen onde sempre esteve, consagrado pelo uso. Referirmo-nos ao braço direito como membro anatómico é bem diferente de nos referirmos ao braço-direito como membro principal de uma equipa de assessoria. O mesmo se passa com a saudação "bom-dia!" e a constatação de que "está um bom dia". Etc., etc.
Estes modestos exemplos expõem apenas um dos aspectos que conferem ao AO a propriedade de se opor ao intuito que animou os seus defensores: simplificar a língua.
A colocação dos acentos no aportuguesamento de palavras estrangeiras
Acabo de ver a resposta dada à pergunta n.º 28 711 (sobre o aportuguesamento de Oregon, Kansas, Arkansas e Oklahoma), e queria aproveitar para lançar uma questão que já há muito me perturba.
Não existe nenhuma regra, em português, para a colocação dos acentos (acentos tónicos, não gráficos) nos aportuguesamentos de palavras estrangeiras? Eu tenho observado uma disparidade de critérios, e tendo eu crescido num ambiente multilingue, choca-me um bocadinho quando vejo palavras que na língua original têm acento numa determinada sílaba, e no seu aportuguesamento o acento "salta" para outra sílaba...! O que chamou-me atenção foi a palavra "Arkansas", que em inglês é proparoxítona, ['ɑ:kənsɒ], e no entanto, o aportuguesamento proposto sugere que a palavra seja paroxítona, [ɐɾ'kɐ̴sɐʃ]. Ao que parece, existe o hábito de, ao fazer-se o aportuguesamento de certas palavras, ligar-se apenas à forma escrita, e não à pronúncia original, ou seja, as palavras estrangeiras são aportuguesadas como se a escrita original fosse em português! Estão neste caso Ankara,[aŋkaˈɾa], oxítona, aportuguesada para Ancara, [ɐ̃ˈkaɾɐ], paroxítona (repare-se na raça de gatos e no tipo de tecido angorá); Ottawa, [ˈɒtəwə], proparoxítona, aportuguesada para Otava, [oˈtavɐ], paroxítona (onde é que foram encontrar o «v»?); Addis Abeba, [adis ˈabəba], proparoxítona, aportuguesada para Adis Abeba, [ɐdiz ɐˈbɛbɐ], paroxítona; Bamako, [bamaˈko], oxítona, aportuguesada para Bamaco, [bɐˈmaku], paroxítona; e muitos outros casos, na toponímia ou não.
É que, se não houver um critério uniforme para a colocação do acento tónico nos aportuguesamentos, nota-se aqui uma dualidade de critérios. Perde-se toda a legitimidade em exigir certas pronúncias (por exemplo, Florida, e não Flórida — o Estado é deles (dos americanos), mesmo que o nome tenha vindo do espanhol — e perde-se toda a legitimidade em ficar chocado quando francófonos pronunciam «Cutô» (Couto) ou anglófonos pronunciam «Bêicsao» (Baixão)...
Gostaria de saber a vossa opinião em relação a este assunto.
Obrigado.
Acerca da grafia da palavra assiduidade
A palavra assiduidade, no dicionário, apresenta-se escrita sem acentuação, mas no entanto a fonética da mesma, nomeadamente no ditongo ui, pronuncia-se como "uí". A minha pergunta é se a mesma não devia ser escrita como "assiduídade", ou pronunciada como "a- ssi - dui - da - de" e não "a- ssi -du - í -da - de".
Não sei se fui claro na exposição da minha dúvida, dado a mesma estar relacionada com a fonética.
Desde já grato pela atenção.
A grafia da palavra lava a jacto e lava-rápido
Tenho pesquisado e até hoje não encontrei (dicionários, glossários, VOLP, etc.) a grafia correta da palavra: "lavajato", "lava-jato", "lava jato" ou "lava a jato" ("lava-a-jato")? Se preferir outra opção, devo usar "lavarrápido", "lava-rápido" ou "lava rápido"? Claro que em conformidade com a nova ortografia.
Homógrafos imperfeitos e parónimos
Na vossa entrada 11 035 consideram aí e ai parónimas e não dão a indicação de que podem ser homógrafas imperfeitas. Mas na entrada 27 405 consideram-nas homógrafas imperfeitas.
Será mais pacífico ou correcto considerar o acento gráfico como uma diferença de escrita e então palavras como ai e aí, duvida e dúvida, pára e para serão parónimas? Ou será mais correcto considerá-las homógrafas (imperfeitas)?
Acentuação de nomes de origem grega
Tenho sempre muitas vezes dúvidas quanto à acentuação correcta de palavras gregas em português. As minhas dúvidas actuais são como dizer as seguintes palavras: "Átrida" ou "Atrida"; "Artémis" ou "Ártemis"; "Heráclito" ou "Heraclito".
Tenho a certeza de que há muitos mais pares como estes que já me causaram dúvidas noutras alturas, mas estes são os exemplos de que me lembro. Agradecia se me pudessem esclarecer, e ainda mais se me pudessem dar uma regra para o caso geral.
Vocabulário para resolver dúvidas toponímicas
Sobre a vossa resposta à pergunta «A capital da República da Macedónia», a transliteração seria "Sekópie", como se lê Skopje em macedónio. Logo, talvez, Skopie... Não haverá na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) uma academia ou outra instituição que possa fazer um vocabulário para resolver (de vez) estas dúvidas toponímicas?
A grafia de Maçainhas (Guarda, Portugal)
No concelho da Guarda existe uma freguesia chamada de Maçainhas. A maior parte das pessoas escreve a palavra sem acento, não sei se por tradição ou preguiça. Porém, não deveria ser antes "Maçaínhas"? Afinal, a palavra também se diz com acentuação e não vejo forma de a dizer sem esta acentuação.
Obrigada.
O neologismo marquetando
Com a vossa ajuda consegui traduzir «Cape Verde: Marketing Good Governance» para «Cabo Verde e a sua mercadologia da boa governação». No entanto, na Internet tropecei num neologismo: "marketando".
Gostaria de saber a vossa opinião.
Obrigado pela atenção e pelo trabalho, de primeira categoria, que fazem. As minhas visitas são quase diárias.
