DÚVIDAS

Hífen em compostos morfológicos, h interior
Uma das minhas actividades é a revisão de textos e tenho-me deparado com uma dificuldade em particular para a qual não encontrei ainda respostas satisfatórias. Gostaria de saber se existe alguma norma para a grafia de certos termos compostos utilizados nos vários ramos das ciências. Refiro-me, nomeadamente, a exemplos como os seguintes: "sócio-económico" ou "sócio-político", que tenho visto como "socioeconómico" ou "sociopolítico" respectivamente. Mas, se a estes acrescentarmos mais uma palavra, como por vezes acontece, teremos "sócio-político-económico", "sociopolítico-económico", "sociopolíticoeconómico" ou alguma outra variante? É que a eliminação dos hífens e a pura justaposição das palavras torna-se progressivamente mais difícil de ler. Por outro lado, a prática, ao que parece generalizada, de eliminar os hífens traduz-se por vezes em resultados um tanto ou quanto insólitos, como por exemplo "imunohemoterapia" ou, pior ainda, "parathormona". Aliás, a respeito destes dois últimos exemplos, gostaria de saber se os campos da medicina e da farmacologia ou da química, para citar apenas estes, estão isentos, na sua terminologia específica, de terem de se submeter às regras linguísticas. Pergunto isto, por já ter visto termos como "dehidrohepiandrosterona" ou "hidroxietilcelulose" (sem qualquer hífen) ou como o incrível "cloridrato de trans-4-[(2-amino-3,5-dibromobenzil)amino]-ciclohexanol" — com os hífens e os parênteses exactamente como indico aqui. Onde poderei então encontrar indicações fiáveis (?!) relativamente à utilização ou não dos hífens? Obrigado!
A grafia de termos médicos
Em relação a estas palavras, qual é a grafia mais correcta e porquê? "Creatinina-fosfocinase", "mineralocorticóide" e "carcino-embrionário": com ou sem hífen? "Adrenocorticotrópico": sem hífen? "... trópico" ou "... trófico"? Qual é a explicação para essa grafia, de modo a poder identificar palavras deste tipo e extrapolar a forma correcta de escrevê-las? "α-fetoproteína" escreve-se com hífen (ou traço de união) ou sem? É igual se for na forma por extenso "alfa-fetoproteína", e palavras semelhantes, como "beta-lipoproteína"? "Enolase específica de neurónio", ou "do neurónio", ou "enolase neuro-específica", ou ainda "neuro-enolase específica"? Prefiro a primeira forma, por se assemelhar mais à corrente «antigénio específico da próstata». "Carboidrato" ou "hidrato de carbono"? Alguma destas é português europeu e a outra do Brasil? Obrigada.
A anatomia e os elementos ântero, póstero, ínfero, etc.
Sou aluno de Anatomia na Faculdade de Medicina do Porto. A nomenclatura anatómica faz uso muito frequentemente dos termos anterior, posterior, superior, inferior, medial e lateral. Acontece que, para fins descritivos, é também comum combinar os termos anteriores em pares para formar uma só palavra. Eu gostaria que me confirmassem a correcção linguística dos seguintes vocábulos: "ântero-inferior", "ântero-superior", "ânteroposterior", "ânteromedial", "ânterolateral", "póstero-inferior", "pósteromedial", "pósterolateral", "póstero-superior", "ínferomedial", "ínferolateral", "súperomedial", "súperolateral", "láteromedial"... Em que situações aplicar o hífen? Em que situações o podemos descartar? Qual a acentuação que deve ser usada nestas palavras? Será possível combinar três palavras, como em "póstero-ínferomedial"? Obrigado.
O plural de amostra-testemunha
Antes de mais, quero felicitar o Ciberdúvidas pelo excelente trabalho que é um exemplo de serviço público. A minha questão prende-se com a expressão «amostra testemunha» no contexto de restauração. São amostras retiradas de pratos confecionados por forma a provar num futuro próximo que a refeição estava em boas condições. Quando colocada no plural, ficará na minha opinião «amostras testemunha». Vi no outro dia uma colega fazer uma apresentação utilizando para o efeito a expressão desta forma: «amostras testemunhas». Gostaria de saber qual das formas estará correta.
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