DÚVIDAS

O plural da sigla CD («compact disc»)
Sei que este assunto já foi abordado, mas gostaria ainda de obter alguns esclarecimentos. Uma vez que CD não é bem uma sigla como as outras pois já se instalou no uso oral como um nome, será legítimo escrevê-la como palavra ("cêdê") e pluralizar esta ("cêdês"), sobretudo na ausência de outros indicadores para o seu entendimento no plural? Por exemplo, «aquela mesa era uma confusão: cadernos, papéis, pacotes de batatas fritas vazios, CD...». «CD» não funciona; "CDs" ou "CD's" não é aceitável. Usar "cêdês" entre aspas? Optar pela expressão discos compactos? Neste caso, não deveria formar-se uma palavra composta ("discos-compactos"), atendendo a que qualquer disco de madeira ou de metal é compacto?
O plural de palavras compostas de verbo e substantivo
Em palavras compostas em que o primeiro elemento é um verbo na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, e o segundo é um substantivo, sendo ambos unidos por hífen, geralmente este último aparece no plural: saca-rolhas, porta-malas, guarda-volumes, salva-vidas, etc. O fato de o último estar no plural, mesmo quando a palavra composta ao qual pertence está no singular, parece-me ter um lógica: um saca-rolhas é um instrumento que pode sacar muitas rolhas e não apenas uma rolha; um porta-malas, porta (pode conter) várias malas e não apenas uma; num guarda-volumes, guarda-se sempre mais de um volume; um salva-vidas de praia, ao longo de sua vida profissional, ou mesmo em um único dia, pode salvar muitas vidas humanas. Casos há, todavia, em que o segundo elemento vem mesmo no singular, quando a palavra composta está no singular, indo ao plural somente quando esta se pluraliza: guarda-roupa, guarda-fato, guarda-louça, lava-louça, lava-roupa. No plural: «dois guarda-roupas»; «cinco lava-louças». Parece ser porque o segundo elemento, embora esteja no singular, tem sentido plural. Exemplificando, roupa pode ser uma peça de roupa como um conjunto de peças de roupa. O mesmo ocorre com louça. Em guarda-chuva, parece que chuva pode ser a chuva de um momento ou toda a chuva de um período ou ano ou anos. Daí o fato de chuva estar no singular, já que tem também o sentido plural. É o guarda-sol, e não o "guarda-sóis", pois há somente um sol. No caso de palavras compostas análogas formadas no Brasil, creio que, às vezes, o segundo elemento está erroneamente no singular quando deveria estar no plural. Isto ocorre porque os brasileiros tendem a dizer as coisas mais no singular do que no plural. Exemplo: mata-burro. Lembro-me ainda que aquela assombração conhecida como chupa-cabras era chamada de chupacabras no México, e no Brasil era conhecida como chupa-cabra. Feitas estas considerações, gostaria de vos indagar, ilustres e eruditos consultores, se há alguma regra para manter o segundo elemento no plural ou no singular, quando a palavra composta ao qual pertence está no singular. As observações que fiz acima estariam corretas e seriam esta regra? Muito obrigado.
Concordância de milhar e milhão: «81 milhões»
Gostaria de entender por que motivo têm aparecido na língua portuguesa umas designações de números "inovadoras". O Ciberdúvidas já contestou (e bem) aqueles que querem impor a expressão «centenas de milhar» em vez do usual «centenas de milhares». Outra "inovação" recente é dizer «81 milhão» em vez de «81 milhões». A primeira vez que ouvi tal coisa julguei tratar-se de pessoa ignorante. Mas, entretanto, tenho ouvido tal expressão absurda da boca de pessoas qualificadas (ontem foi Cândida de Almeida, procuradora-geral adjunta). Podem explicar?
Plurais de palavras graves acentuadas: dólmen, cólon
Caros amigos do Ciberdúvidas, gostaria de uma explicação quanto às regras de acentuação para o plural de palavras como dólmen, sêmen, lúmen, éden, hífen, gérmen, abdômen, etc. Por favor, considerem o meu pedido de explicação relativo ao plural terminado em ns, e não em nes. A minha dúvida surgiu quando, no dicionário eletrônico Houaiss, encontrei o plural germens em contraste com "sêmens"; cólons em contraste com "abdonens". Tenham os meus sinceros agradecimentos.
O plural de social-democrata
A forma de plural com que mais frequentemente deparamos é "sociais-democratas", mas também já li e ouvi a forma "social-democratas". "Social-democrata" pode ocorrer, conforme o contexto, como substantivo ou como adjectivo, o que, de acordo com as regras de formação do plural dos nomes compostos e dos adjectivos compostos que encontramos em Celso Cunha e Lindley Contra, não será indiferente. Na verdade, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, pode ler-se: a) relativamente aos substantivos compostos (pág. 189): «geralmente ambos os elementos tomam a forma de plural quando o composto é constituído de dois substantivos, ou de um substantivo e um adjectivo»; b) relativamente aos adjectivos compostos (pág. 253): «Nos adjectivos compostos, apenas o último elemento recebe a forma de plural». De acordo com estas regras, "social-democrata" terá, então, duas formas diferentes de plural, conforme ocorra como substantivo ou como adjectivo?
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