DÚVIDAS

Os valores da conjunção e
A conjunção aditiva e apresenta valores semânticos, como adversidade («mas», porém»), conclusão /consequência («portanto, por isso, então»). Além desses, alguns estudiosos dizem que o e pode apresentar: 1) Sequenciação temporal, quando ligar dois eventos sucessivos: «depois da discussão, Maria fechou o rosto e João foi para o quarto em seguida» (Fernando Pestana). 2) Finalidade: «Ia telefonar-lhe e (=para) desejar-lhe parabéns.» 3)) Condicional: segundo a estudiosa Cilene Rodrigues (PUC-RJ) no artigo "No escape from syntax! das (in)subordinadas condicionais entonacionais", A) «Você publica este artigo, e sua carreira vai para o brejo» seria equivalente a frase B) «Se você publicar este artigo, a sua carreira vai para o brejo.» #1) Gostaria de saber se estes três valores semânticos já são aceitos pelos gramáticos? #2) E se há algum outro valor semântico dessa conjunção e além desses ? #3) Com relação ao sentido de condicional, vocês concordam? No Google acadêmico só achei esse trabalho sobre o assunto. Nunca tinha lido sobre esse valor condicional. Grato pela resposta. Parabéns pelo belo trabalho de vocês.
A expressão «se P, então Q»
É comum observar-se a expressão "Se ocorre P, então ocorre Q", tanto na linguagem coloquial quanto em contexto técnico. Neste caso, ocorrem-me duas possíveis classificações, que parecem ser, em princípio, conflitantes. 1) A oração «Se ocorre P» é subordinada adverbial condicional, e a oração «então ocorre Q» é a oração principal, em que «então» desempenha função de advérbio. Observa-se que a omissão ou troca de "então" não resulta em qualquer diferença nas sentenças. 2) A oração «Se ocorre P» não parece assumir o papel de oração coordenada sindética. Contudo, é possível omitir-se a partícula se e manter-se a sentença «Ocorre P, então ocorre Q», de sorte que ocorram duas orações coordenadas, sendo a segunda uma oração sindética conclusiva. Parece-me razoável concluir que a ocorrência de se na primeira oração implica a classificação obtida em (1), dado que não é possível atribuir a se outro valor morfológico senão o valor de conjunção. Gostaria, por gentileza, de vossa opinião a respeito do assunto. Grato.
A correlação de tempos verbais na frase
«Duvido que o Zé fosse capaz disso»
Encontrei a frase «Duvido que o Zé fosse capaz de fazer uma coisa dessas» nas soluções dum livro de exercícios de Português para estrangeiros. Embora as regras da consecutio temporum indiquem que a subordinada deveria levar o conjuntivo presente «Duvido que o Zé seja capaz de fazer uma coisa dessas», ao mesmo tempo, parece-me correta a utilização do imperfeito, com o fim de atribuir à oração uma perspetiva presente de um momento no passado: duvido (agora) que o Zé fosse capaz (no passado)... Por outro lado, poderíamos utilizar o pretérito-mais-que-perfeito do conjuntivo: «Duvido que o Zé tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas»? Muito obrigada pela ajuda.
A etimologia do nome comum cachaça
Estou à procura da origem específica da palavra cachaça. Pelo que consegui achar até agora, entendo que este nome foi dado à bebida pelos escravos africanos no Brasil. Há uma chance grande de ter origem em uma língua banta. Infelizmente é muito difícil descobrir mais.O fato de que existem várias línguas bantas não me ajuda. Um professor brasileiro [...] acha que a palavra vem do quicongo. Mas ele não dá nenhuma referência, nem menciona a palavra original. Eu procurei no dicionário português-quimbundu, mas não consegui aqui achar nenhuma palavra parecida, a não ser um destilado de cana-de-açúcar que se chama kisungu em quimbundu. Gostaria muito conhecer a origem específica da palavra cachaça (qual língua, qual palavra, qual significado original). Se puderem ajudar-me com isto, ficaria muito obrigado e feliz. Obrigado.
A grafia da interjeição (Trás-os-Montes)
Considerando estas duas definições, (1) «bó | interj. bó interjeição [Regionalismo] Expressão que indica admiração ou espanto. = ORA ESSA "bó» (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa; consultado em 04-05-2020]. (2) «bô adj. Pop. e ant. O mesmo que bom: “pois que tinha bô lugar”. G. Vicente, J. da Beira.» (in Novo Diccionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo 1913) Como devemos escrever/dizer: "bó" ou"bô"? Bó! — Bô! Bó-era! — Bô-era! Bó-geira — Bô-geira Bó! Já agora? — Bô! Já agora? Bó! Não querias mais nada? — Bô! Não querias mais nada? Bó! Quem me dera? — Bô! Quem me dera? Muito obrigado.
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