DÚVIDAS

A preposição por e a locução «por causa de» para hispanofalantes
Na minha profissão, sendo hispanofalantes a maioria dos meus alunos, deparo-me sistematicamente com o que me parece ser um uso indevido da preposição por (e as suas contrações), mas não tenho a certeza de como lhes explicar esta questão. Vejo muitas vezes formações como: O jogo foi cancelado pela tempestade. (devia ser «por causa da tempestade») Estamos confinados pela Covid. (devia ser «por causa da Covid») Não posso sair pela porta, visto que não tenho a chave. (pretende-se dizer «tenho de ficar em casa por causa da porta») A lei foi escrita pelo presidente, que cometeu um crime. (pretende-se dizer «por causa do crime do presidente») Os erros nas duas últimas frases parecem-me particularmente graves; gera-se confusão com as preposições de movimento e com os agentes da passiva. No entanto, há outras situações em que, aparentemente, podemos usar tanto por como «por causa de»: A caravela, pelas suas características, era a embarcação ideal para navegar naquelas condições. (ou "por causa das suas características") O livro, pela sua dificuldade, tem de ser lido por partes. (ou "por causa da sua dificuldade") O empregado, pela sua experiência, devia ser promovido. (ou "por causa da sua experiência") Como posso explicar em que casos posso ou não usar ambas as alternativas? Muito obrigado desde já.
Orações coordenadas explicativas introduzidas por «porque»
Gostaria de saber qual o motivo que leva a que raramente veja exemplos de orações coordenadas explicativas introduzidas por porque. Tenho-me deparado sempre com exemplos onde consta pois. Por outro lado, também raramente vejo exemplos de orações subordinadas causais introduzidas por pois. Em conversa com colegas, dizem-me «Os miúdos não as sabem distinguir se utilizarmos para os dois exemplos». Ora, sabendo nós que cada vez mais os alunos têm dificuldade em interpretar, creio que seria conveniente, desde cedo, fazê-los contactar com as diferentes hipóteses. Isto é como o falar/o oral. Cada vez mais ouço (inclusive a professores) «Eu já "falei" isso», «Eu dei "a ele"». Acredito que, se não utilizarmos as palavras, no contexto correto, qualquer dia deixamos de ter esta maravilhosa (consciente de que também difícil) língua que é o português.
O advérbio
Ao ler matéria em revista de grande circulação, deparei com a palavra , mas fiquei com muita dúvida quanto ao seu sentido e sua classificação, morfológica ou gramatical neste contexto: «Durante a entrevista à imprensa, ao lado de outros ministros, como Eduardo Pazuello (Saúde) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Bolsonaro se irritou com a pergunta de um jornalista sobre como ele havia recebido a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na terça-feira, 23, que anulou as quebras de sigilo bancários envolvendo o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no processo que investiga a prática de rachadinha (desvio de verba de servidores do gabinete) quando ele era deputado estadual. Bolsonaro, mostrando-se bastante irritado, encerrou o evento. “Acabou a entrevista aí”, disse, deixando o recinto junto os ministros e outras autoridades que o acompanhavam na visita» (Camila Nascimento, Política,Veja, 24/02/2021).
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