DÚVIDAS

«De segunda a sexta»
Antes de mais, um bem-haja pelo vosso trabalho em prol do património linguístico. Se possível, gostaria que me esclarecessem a razão pela qual, na expressão «de segunda a sexta», a preposição simples não sofre contracção com o determinante artigo definido feminino do singular, ao contrário da «de manhã à noite». Será que, na primeira expressão, porque a referência ao tempo é em abstracto, tem valor genérico, não sofre contracção, contrariamente à segunda expressão, que designa o tempo concreto, definido e específico? Ou, simplesmente, explica-se pelo uso? É uma questão de pragmática? Grato.
A tradução de "foreword"
Por vezes pedem-me para fazer traduções de inglês para português e recentemente deparei-me com este dilema. Como é que se traduz a palavra inglesa foreword? Na língua inglesa, o termo foreword é utilizado em vez de preface (prefácio) quando nao é o autor a escrever. Portanto, foreword e preface não têm o mesmo significado na língua inglesa, i.e, preface é normalmente uma introdução escrita e assinada pelo autor, enquanto foreword é uma introdução escrita por outra pessoa. Porém, em português, parece-me que não existe o correspondente a foreword, sendo sempre utilizado o termo prefácio, mesmo quando não é escrito pelo próprio autor. Encontrei em livros antigos portugueses o termo carta-prefácio, que me pareceu melhor do que prefácio, quando escrito e assinado por outras pessoas sem ser o autor. Queria então saber se haverá alguma norma quanto a isto e também quando se utiliza preâmbulo em vez de prefácio. Quanto ao prólogo, creio que será mais utilizado para novelas e obras de drama, etc., e pode haver também um epílogo no final da obra. Obrigado pelo esclarecimento.
A formação do futuro do conjuntivo, ainda outra vez
Penso que existe uma razão para dizermos que o futuro do conjuntivo se forma substituindo a desinência -am da 3.ª pess. do plural do verbo do pretérito perfeito do indicativo (ex: cantaram) pelas desinências deste tempo. Nesse caso, o que nos resta é cantar, o que corresponde ao infinitivo impessoal. Porque é que, então, o futuro do conjuntivo não se forma a partir do infinitivo? Obrigada e continuem o magnífico trabalho que fazem!
Ainda o hífen em banda larga, cadeira eléctrica, hip hop e happy hour
Em primeiro lugar agradeço a vossa resposta à minha consulta. E aproveito pra colocar outras dúvidas. Em sua resposta, o senhor finalizou: «Parece, pois, que em casos como fita cassete, comício monstro, etc., podem constituir uma só palavra, desde que haja, em cada uma, um só valor semântico.»Penso ser o mesmo caso de banda-larga, pois o significado dessa expressão é o «acesso à Internet rápida». Ou seja, é um «substantivo» novo, com características distintas e "voo próprio". Também penso o mesmo de cadeira-elétrica, um instrumento para executar os condenados à morte. Mas os dicionários desmentem a minha opinião. Por isso estou aqui de novo para consultá-los. Outra dúvida que não ficou esclarecida é o uso de hífen na palavra hip-hop (dança de rua) ou em happy-hour (confraternização no final da tarde).Obrigada de novo.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa