DÚVIDAS

Preposições, artigos definidos e substantivos coordenados
Na composição do Governo português verifico as seguintes denominações: – Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social – Ministério da Agricultura e do Mar A pergunta é: qual das duas está certa considerando que na primeira não se repete a preposição de para cada sector? Ou por outra: porque é que na primeira não aparece «Ministério da Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social»? Ou, caso contrário: porque é que na segunda não aparece «Ministério da Agricultura e Mar»? Ou, por fim, será que as duas estão certas, ou quando se deve utilizar uma forma, ou quando se deve utilizar outra? Muito obrigado pela atenção.
O significado de calandros (Aquilino Ribeiro)
Gostaria que me esclarecessem sobre o sentido da palavra calandros. Junto envio uma parte do texto de onde foi retirado. Talvez assim seja mais fácil. Vejamos, então: «(...) O Abel Manta pintou um céptico civilizado, esse que me prevaleço de ser, em prejuízo do campónio de tamancos ou de casco bicúspide de fauno, ocupado quer com os calandros, quer com as hamadríades da gleba, em que me paramentavam reinadiamente para o folclore regional. As mãos neste seu óleo falam melhor que a minha Via Sinuosa ou o S. Banaboião. Ponho-me a contemplá-las e sai-me um solilóquio à Renan sobre a Santidade. (...)» (In Aquilino Ribeiro, Portugueses das Sete Partidas: viajantes, aventureiros, troca-tintas, Bertrand, Lisboa, 1969.) Grato pela atenção e colaboração prestadas.
O significado do dito «há mais marés que marinheiros»
No outro dia, em conversa com pessoa conhecida, citaram-me esta expressão idiomática, da qual não sei o seu significado correto: «Há mais marés do que marinheiros.» Podiam-me dizer o que é que isto significa, se possível indicando situações onde esta mesma expressão idomática é utilizada? Obrigado e votos de continuação do vosso excelente trabalho em defesa e salvaguarda da língua portuguesa.
Sumários dos capítulos de um livro vs. epígrafes
Como se chamam os sumários que, nalguns livros, antecedem as narrativas dos vários capítulos? Uns são bastante curtos («Em que a donzela vai prosseguindo sua história», Menina e Moça, cap. II), outros mais esclarecedores («De como o autor (...) se resolveu a viajar na sua terra (...). Parte para Santarém. Chega ao Terreiro do Paço, embarca no vapor de Vila Nova (...). A Dedução Cronológica e a Baixa de Lisboa. Lord Byron e um bom charuto. Travam-se de razões os Ílhavos e os Bordas-de-água (...)», Viagens na Minha Terra, cap. I). Isto implica designações diferentes? Obrigado.
Relógio, como metonímia e personificação
No poema a seguir, gostaria de saber como interpretar o valor estilístico do termo relógio. Poderia ser considerado uma metonímia referente ao tempo ou à passagem do tempo? Obrigado.REGISTRO IMPLACÁVEL Do alto da igreja-matrizEspreita o relógio arcanoSeus ponteiros marcam sutisA realidade presenteNum inexplicável engano Espia homens que passamFruindo um tempo fecundoFelizes e despreocupadosCom a vida que viajaNum curtíssimo segundo Para ele, nada é obscuro,Pois tudo vê e veráDo passado e do futuroE a vida fica contidaNesse caminho circular A todos, do relógio velaO olhar aborrecidoConfrontando, inerte e mudo,Todo sonho inalcançávelTodo desejo reprimido Se algo de fato assinalaA sua continuada ação,É o ilusório valorDe um descuidado viverSem a morte por condição.
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