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Maria Eugénia Alves
Maria Eugénia Alves
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Professora portuguesa, licenciada em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com tese de mestrado sobre Eugénio de Andrade, na Universidade de Toulouse; classificadora das provas de exame nacional de Português, no Ensino Secundário.

 
Textos publicados pela autora

O verbo localizar tem como significado «fixar ou limitar a determinado lugar», «determinar o local de», entre outros. Assim sendo, e tendo em conta que a ação se situa num determinado espaço/lugar/local, pode empregar-se a expressão «A ação localiza-se...» sem incorrer em erro.

Sintática e semanticamente é possível dizer «a ação localiza-se», no sentido de «a ação tem por cenário...». No entanto, alguns falantes podem achar que o significado dinâmico de ação é pouco compatível com localiza-se (= «situa-se»), cuja interpretação é estática. Mesmo assim, observe-se que a junção deste substantivo com o verbo em apreço não é erro; na verdade, é possível encontrá-la no discurso escrito, em trabalhos académicos, muitas vezes, justificadamente, no sentido «tem como coordenada»).

O verbo adiantar é:

1. Transitivo, com significado de 1 «mover ou estender para diante»: «O sertanejo adiantou alguns passos pela copa da árvore.» (José de Alencar, O Sertanejo); 2 «fazer avançar, progredir»: «Administrou  inteligentemente, adiantando a indústria durante a sua gestão».

2. Intransitivo, 1 «trazer vantagem, proveito, lucro, benefício, resolver»: «Processos violentos quase nunca adiantam»; 2 «ter efeito, aproveitar, valer a pena, compensar»: «Naquele caso, conselhos não adiantavam».

3. Pode ser conjugado na forma pronominal adiantar-se: «ir para diante, caminhar para a frente, avançar». Ex.:  «Ana adiantou-se para mim, e dando-me a mão…apresentou rubescente a fronte pura e angélica» (José de Alencar, Lucíola).

Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Ed. Nova Fronteira

O verbo adiantar, na aceção 3, faz parte das fraseologias «que adianta… ?» e «não adianta», que ocorrem respetivamente em frases interrogativas («que adianta chorar/muito dinheiro?») e negativas («não adianta chorar/muito dinheiro» ou «não adianta chorar sobre o leite derramado», com sujeito posposto, ou «chorar/muito dinheiro não adianta», com o sujeito na ordem direta). No uso da construção interrogativa, impôs-se também a forma «...

No discurso direto, o narrador deixa a personagem expressar-se por si mesma, isto é, ocorre a reprodução textual das falas da personagem. Ele apresenta-a e deixa-a livremente falar. As vozes do narrador e da personagem são claramente distintas.

Veja-se o exemplo seguinte:

«Carlos, outra vez sereno, acabava a sua chávena de chá. Depois disse muito simplesmente:
    – Meu querido Ega, tu não podes mandar desafiar o Cohen. […]»

Eça de Queirós, Os Maias, cap. IX, ed. Livros do Brasil, pp 269-270

Neste excerto, identificamos sem dificuldade as vozes do narrador, que apresenta a personagem, e a de Carlos da Maia que fala diretamente com o amigo, João da Ega.

No plano formal, o discurso direto – o da fala de Carlos – foi introduzido pelo verbo dizer, como geralmente se usa: verbos declarativos, interrogativos, do tipo dizer, afirmar, perguntar, responder, e sinónimos, ou avaliativos/volitivos, do tipo confessar, compreender, querer, saber… Na ausência de um destes verbos, o contexto e os recursos gráficos (os dois pontos, as aspas, o travessão e a mudança de linha) permitem identificar a fala da personagem. Ex.:

«Olhou para o Adérito com intensi...

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O que nos levará a esta opção linguística, se temos ao nosso alcance a familiaridade da língua materna? Uma forma de exibicionismo cultural? Parecer cosmopolita? Ou provocará o riso, como acontece n’Os Maias?

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A propósito da prestação da seleção portuguesa no Campeonato Europeu de futebol, em França, muito se tem falado na imprensa sobre o mérito, o brilho, e até a sorte, que terão concorrido durante os desafios a que foi sujeita a equipa das quinas.

Será, por isso, oportuno observarmos o sentido preciso e a origem etimológica destas três palavras para extrairmos, hipoteticamente, algumas conclusões sobre o seu real significado e emprego.