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Carlos Marinheiro
Carlos Marinheiro
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Bacharel em Jornalismo pela Escola Superior de Meios de Comunicação Social de Lisboa e ex-coordenador executivo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Colaborou em vários jornais, sobretudo com textos de análise política e social, nomeadamente no Expresso, Público, Notícias da Amadora e no extinto Comércio do Funchal, influente órgão da Imprensa até ao 25 de Abril.

 
Textos publicados pelo autor

O Ciberdúvidas passou a adotar o Acordo Ortográfico só a partir da sua entrada em vigor no sistema de ensino português, em setembro de 2011 – razão por que, até essa data, todas as respostas e demais textos disponíveis em arquivo mantiveram a anterior grafia com que foram escritos. É o caso, portanto, da locução fim de semana, agora sem hífen, e antes com hifen.

Vide BASE XV: DO HÍFEN EM COMPOSTOS, LOCUÇÕES E ENCADEAMENTOS VOCABULARES

O Dicionário de Termos Médicos, de Manuel Freitas e Costa, edição da Porto Editora, acolhe medicação, mas não regista medicamentação. Diz que medicação vem «do lat[im] medicatio, -onis», tratando-se de «administração de medicamentos».

O Dicionário Médico, de L. Manuila, A. Manuila e outros, edição da Climepsi Editores, também regista apenas medicação, considerando que é «utilização terapêutica de um ou mais produtos medicamentosos, com uma finalidade bem determinada», a exemplo de «medicação da tuberculose».

O Vocabulário Ortográfico do Português [VOP] do Portal da Língua Portuguesa acolhe as duas formas, medicação e medicamentação, sem indicar preferência por qualquer delas.

A Infopédia regista medicação («ato de medicar», «emprego de remédios» e «terapêutica»), mas nada nos diz sobre medicamentação.

O Dicionário Eletrônico Houaiss regista medicação (do «lat[im] medicatìo,ónis "emprego de um remédio, tratamento de enfermidade"»), e diz que é «ato ou efeito de medicar(-se); medicamentação»; «emprego de medicamentos ou de outros processos curativos, de acordo com determinada indicação ou orientação; tratamento terapêutico; medicamentação»; e (derivação: por metonímia) «o conjunto desses medicamentos». Quanto a medicamentação (de «medicamentar + -ção»), diz que se trata de diacronismo obsoleto («que já não se usa; arcaico, antigo»), e quer dizer «ato ou efeito de medicamentar(-se); medicação».

O Aulete Digital acolhe os dois vocábulos, dizendo que medicação é «ação ou resultado de administrar um remédio» ou «o próprio remédio; MEDICAMENTO: Tomou a medicação conforme prescrição médic...

A palavra brasa escreve-se com um s, tanto habitualmente, quando quer dizer «carvão ou lenha incandescente, sem chama», como coloquialmente, na aceção referente à sua pergunta («pessoa fisicamente atraente ou excitante»).

Metaforicamente, brasa ainda quer dizer «desejo ardente; paixão, ardor».

O vocábulo brasa vem «do germ[ânico] ocid[ental] *brasa, "fogo"» [in Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora].

Se com «verdadeiramente sinónimas» quer dizer sinónimos perfeitos, digo-lhe já que não. Com efeito, em certos contextos, significam o mesmo, mas em outros já têm aceções diferentes.

Assim, conservação significa, por exemplo, «preservação contra dano, perda ou desperdício» («c[onservação] do solo»), ou, em ecologia, «conjunto de práticas que visa à utilização dos recursos naturais, de modo a permitir que se preservem e renovem», mas também quer dizer «conjunto de medidas permanentes para impedir que se deteriorem com o tempo objetos de valor, como monumentos, livros, obras de arte etc.»; e, na área da física, «lei (...) segundo a qual determinadas grandezas ou propriedades de um sistema físico não sofrem alteração, mesmo que entre os componentes individuais do sistema possa haver trocas nessas grandezas [A carga e o momento angular são exemplos de quantidades que se conservam]». Como termo jurídico, trata-se de «ação e efeito de guardar algo com a diligência devida, cuidando para que não se extinga ou deteriore ou deprecie pelo transcurso do tempo» ou «conjunto de medidas e práticas, periódicas e permanentes, que visam à proteção e à manutenção em bom estado de bens, monumentos e objetos pertencentes a instituições públicas ou privadas».

Preservação, além de ser o «mesmo que conservação», ainda é «série de ações cujo objetivo é garantir a integridade e a perenidade de algo; defesa, salvaguarda, conservação» («p[reservação] da democracia constitucional») ou, em ecologia, «conjunto de práticas, como o manejo planejado e programas de reprodução, que visa à manutenção de populações ou espécies».

Quanto a salvaguarda, trata-se de «proteção e garantia concedidas por autoridade ou instituição» ou «aquilo ou aquele que serve de garantia, de defesa, de amparo» («a lei é a s[alvaguarda] da ordem»); em sentido figurado, é «privilégio ou vantagem que possuem os indivíduos de uma determinada classe ou espécie; prerrogativa, imunidade, sal...

O verbo emergir («do lat[im] emergĕre, "emergir; sair da água"») significa, geralmente, «sair de onde estava mergulhado», mas ainda quer dizer «manifestar-se»; «despontar; assomar; elevar-se»; «acontecer; ocorrer»; e «resultar; advir».

A palavra imergir («do lat[im] immergĕre») é o antónimo de emergir, e quer dizer «mergulhar; submergir»; «penetrar»; e «afundar-(se)».

Assim, emergir (por exemplo, «sair da água») é o contrário de imergir (por exemplo, «mergulhar [na água]»).

[Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora.]