Textos publicados pela autora
Um caso de clivagem ou de foco
Pergunta: Quero saber se a seguinte frase apresenta algum erro de concordância verbal: «Foi combinado que nós ERA que apresentaríamos o trabalho.»Resposta: A frase é incorreta.
Esta frase inclui uma estrutura de clivagem ou de foco, que permite pôr em destaque um elemento da frase. No caso particular apresentado pela consulente, a construção clivada é trabalhada pela expressão é que. Esta expressão de realce não admite marcas de tempo ou de concordância1. É por isso fixa. Por esta razão, a...
Avaliar o caráter com nacionalidades
As perceções linguísticas associadas a nacionalidades e etnias
«O contacto com outros povos propiciou a consolidação de perceções relativas às diferentes nacionalidades raças e etnias com as quais os portugueses foram convivendo», escreve a professora Carla Marques, num apontamento em que recorda os muitos sentidos associados às palavras que designam nacionalidades ou etnias....
Uso contrastivo de sim em orações e frases
Pergunta: É correto utilizar a expressão «mas sim»/«depende sim» depois de uma frase na negativa, como por exemplo: «Portanto, não dependem da variação da atividade de uma dada empresa. Dependem sim da estrutura criada e resultam do investimento num determinado tipo de estrutura fixa»?
Obrigado.Resposta: A estrutura apresentada é correta.
Quando se utiliza a expressão «mas sim», estamos perante uma coordenação adversativa focalizadora1, na qual um dos termos é modificado por não e outro por...
O uso do sujeito posposto
Pergunta: Queria saber quando é que se deve usar um sujeito posposto no lugar de um sujeito anteposto.Há casos em que um me soa melhor do que o outro, o que me leva a pensar que talvez haja regras por detrás disso. Como gosto de falar bem a minha língua, agradecia que alguém me elucidasse quanto a este assunto.
Deixo também alguns exemplos que talvez vos ajudem a entender melhor aquilo que estou a dizer.
• São tuas as fotos que estão em cima da mesa da sala? • As fotos que estão em cima da mesa da sala são tuas?
Neste caso, a primeira...
Um caso de complemento indireto
Pergunta: Na frase «Dedico-me à astronomia», «à astronomia» é um complemento oblíquo ou um complemento indireto? Porquê?
Obrigada.Resposta: O constituinte «à astronomia» tem a função sintática de complemento indireto.
O complemento indireto é um complemento preposicional cujo núcleo é a preposição a. A possibilidade de ser substituído por um pronome dativo é considerada condição necessária para a identificação desta função, o que a permite distinguir da função de complemento oblíquo, que...
