Textos publicados pela autora
Um caso de complemento indireto
Pergunta: Na frase «Dedico-me à astronomia», «à astronomia» é um complemento oblíquo ou um complemento indireto? Porquê?
Obrigada.Resposta: O constituinte «à astronomia» tem a função sintática de complemento indireto.
O complemento indireto é um complemento preposicional cujo núcleo é a preposição a. A possibilidade de ser substituído por um pronome dativo é considerada condição necessária para a identificação desta função, o que a permite distinguir da função de complemento oblíquo, que...
O valor de pois
Pergunta: Solicito que me esclareçam se o pois tem valor causal ou explicativo, na frase «O sempre atencioso Tom Hanks interpreta o protagonista, Philips, que não tem outra escolha senão render-se aos somalis, pois a maioria da tripulação barricou-se na sala das máquinas.»
Obrigada.Resposta: Na frase apresentada, a conjunção pois tem valor causal.
Neste caso particular, pois estabelece um nexo de causa real entre duas situações: a rendição de Philips aos somalis...
Os valores aspetuais da frase «meti-me a viajar pelo mundo fora»
Pergunta: A expressão «foi nesta data que me meti a viajar pelo mundo fora» assume valor iterativo ou imperfetivo?
Também ponho a hipótese de ser perfetivo. Embora tenha consultado muita informação, continuo sem ter certezas.
Muito obrigada.Resposta: O aspeto exprime a temporalidade associada a uma dada situação. Neste caso particular, se tomarmos a frase como um todo, verificamos que a situação nuclear descrita é veiculada pelo verbo viajar.
Do ponto de vista do aspeto lexical, viajar...
A repetição da conjunção e numa frase
Pergunta: A conjunção e pode ser repetida numa frase? Em que casos?
Obrigado.Resposta: A repetição da conjunção e numa mesma frase é possível, não constitui erro e pode ficar a dever-se a intenções de natureza estilística.
A conjunção coordenativa e é utilizada para coordenar vários tipos de constituintes, como por exemplo:
(i) grupos nominais: «O João e o Pedro foram ao cinema.»
(ii) grupos adjetivais: «O livro é interessante...
«Teve-a breve e misteriosa»
Pergunta: Na frase «Teve vida breve e misteriosa o maior artista de sempre da Roma barroca», qual a função sintática de «breve e misteriosa»?
O constituinte responde ao teste «Teve-a breve e misteriosa», parecendo um predicativo do complemento direto.
Será esta a análise correta? Ou a análise que considera «vida breve e misteriosa» como complemento direto e «breve e misteriosa» como modificador do nome restritivo é que está correta?
Muito obrigada pela vossa ajuda.Resposta: Com efeito, na frase em apreço, o constituinte...
