Carla Marques - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Carla Marques
Carla Marques
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Doutorada em Língua Portuguesa (com uma dissertação na área do  estudo do texto argumentativo oral); investigadora do CELGA-ILTEC (grupo de trabalho "Discurso Académico e Práticas Discursivas"); autora de manuais escolares e de gramáticas escolares; formadora de professores; professora do ensino básico e secundário. Consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacada para o efeito pelo Ministério da Educação português.

 
Textos publicados pela autora

modificador (do grupo verbal) integra a função sintática de predicado.

O predicado é uma função sintática que se define ao nível da frase e que pode incluir no seu interior o verbo e todos os seus complementos e modificadores.

Deste modo, o predicado pode resumir-se em exclusivo à forma verbal, num caso de um verbo intransitivo, por exemplo:

(1) «Ele tossiu.»

Em (1), o predicado é composto por tossiu.

Noutras frases, o predicado pode incluir um conjunto alargado de constituintes:

(2) «Ele escreveu imediatamente uma carta à Joana naquela tarde cheia de sobressaltos.»

Se considerarmos que a frase apresentada integra uma interrogativa indireta, a oração «onde estava escondido» poderá ser considerada uma subordinada substantiva completiva interrogativa indireta.

As orações subordinadas substantivas completivas interrogativas indiretas parciais (ou seja, as que não têm como resposta sim ou não) caracterizam-se por serem introduzidas por uma palavra interrogativa, que poderá ser um pronome, um determinante, um quantificador ou um advérbio e por expressarem desconhecimento acerca desse constituinte interrogativo introdutório1:

(1) «Ele perguntou quem tinha chegado.»

A oração interrogativa indireta é introduzida pelo pronome interrogativo quem e questiona o valor específico de quem. Acresce que é possível estabelecer uma correspondência com a frase interrogativa direta que foi incluída na frase complexa:

(2) «Quem chegou/ tinha chegado?»

As orações interrogativas indiretas são, habitualmente, introduzidas por verbos de inquirição como averiguar, inquirir ou perguntar2. Não obstante, em situações específicas, poderão também ser introduzidas por verbos de conhecimento ou desconhecimento, ou seja, por verbos que indicam uma atitude de conhecimento:

(3) «Perceb...

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10 regras fundamentais para uma apresentação oral

Uma apresentação oral de sucesso não é fruto do improviso nem do acaso. A professora Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, identifica e descreve 10 aspetos fundamentais para falar em público num texto publicado nas páginas eletrónicas da Leya Educação.

Na imagem, Cícero denuncia Catalina (1888), do pinto italiano Cesare Maccari (1940-1919).

Os demonstrativos podem ser usados em português com um valor deítico, apontando para realidades fora do texto, ou com um valor anafórico, apontando para um antecedente textual que constitui a referência do demonstrativo.

Em português europeu, a série de três demonstrativos, este – esse – aquele, mantém plena vitalidade e, na sua significação básica de natureza deítica, assinala a proximidade ou distanciamento do referente relativamente ao locutor ou ao interlocutor.

Se analisarmos, em particular, o funcionamento dos demonstrativos com valor anafórico, percebemos que, sobretudo nos casos em que existem referências múltiplas no mesmo texto, os demonstrativos este – aquele são usados para distinguir os referentes de maior ou menor proximidade textual, como se observa em (1): 

(1) «As gramáticas eram usadas em primeiro lugar e os livros de exercícios surgiam depois. Aquelas serviam para a construção do conhecimento e estes para a sua consolidação.»

Aquelas estabelece relação com «as gramáticas», referente mais distante, e este aponta para o constituinte «os livros de exercícios», constituinte mais próximo do ponto de vista textual.  Considera-se que, em casos desta natureza, os demonstrativos este e aquele constituem um par de relações ...

A diferença basilar entre complementosmodificadores reside no facto de os primeiros serem selecionados por uma palavra, completando-lhes o sentido, enquanto os segundos são constituintes que não são selecionados, introduzindo na frase informações adicionais.

Os complementos do nome são constituintes essenciais para que a realidade sobre a qual se pretende falar seja claramente explicitada. Por exemplo, se utilizarmos o nome amigo, percebemos que este necessita de um complemento para referir toda a realidade, pois um amigo é sempre «amigo de alguém». Note-se, no entanto, que é possível utilizar estes nomes que pedem complemento isoladamente, o que leva a que a frase fique com um sentido mais vago ou genérico, como se observa pelo confronto entre (1) e (2):

(1) «O amigo do Rui toca guitarra.»

(2) «O amigo toca guitarra.»

Embora não seja possível elaborar uma listagem completa dos nomes que pedem complemento, é possível identificar alguns que normalmente se constroem com este constituinte:

(i) nomes deverbais: nomes formados a partir de verbos que se constroem com complemento, estrutura que o nome mantém: «Destruir uma casa» - «A destruição da casa»;

(ii) nomes fragmentadores: «uma fatia de…» ou «uma parte de…»;

(iv) nomes argumentais: «autor de…», «...