Carla Marques - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Carla Marques
Carla Marques
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Doutorada em Língua Portuguesa (com uma dissertação na área do  estudo do texto argumentativo oral); investigadora do CELGA-ILTEC (grupo de trabalho "Discurso Académico e Práticas Discursivas"); autora de manuais escolares e de gramáticas escolares; formadora de professores; professora do ensino básico e secundário. Consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacada para o efeito pelo Ministério da Educação português.

 
Textos publicados pela autora

Na frase está presente a conjunção subordinativa correlativa quanto mais… mais (as conjunções correlativas caracterizam-se por se apresentarem de forma descontínua na frase, apresentado dois membros, um em cada uma das duas orações que se  relacionam entre si).

A frase apresentada inclui uma oração subordinada tradicionalmente designada de adverbial proporcional. Estas orações caracterizam-se por serem construções onde se «confrontam graus de intensidade de duas propriedades […] ou quantidade de duas entidades referidas» (Mira Mateus et al., Gramática da Língua Portuguesa. Caminho, pp. 765-766). Bechara descreve-as como orações em que «a subordinada exprime um fato que aumenta ou diminui na mesma proporção do fato que se declara na principal» (Bechara, Moderna gramática portuguesa. Nova Fronteira, p. 412). Estas orações são estruturadas com base em conjunções/locuções conjuncionais, como à medida que, à proporção que, ao passo que; podem também ser introduzidas por conjunções correlativas, como quanto mais… (tanto) mais, quanto mais… (tanto) menos, tanto mais... quanto mais, tanto mais... quanto menos, tanto menos... quanto mais.  

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Da polissemia de um nome

     As partes do corpo são frequentemente associadas à exploração da polissemia dos sentidos. O nariz não é exceção, como nos mostra Carla Marques, num breve apontamento sobre as expressões em torno de nariz. 

Na imagem, Velho com Menino, de Domenico Ghirlandaio (1449-1494).

A palavra em questão é, de facto, um determinante artigo definido. Acrescente-se que, embora esta questão possa ser mais problematizada, estas reflexões não cabem no ensino não universitário.

A classe do determinante artigo definido pode, assim, determinar várias classes de palavras, colocando-se à sua esquerda:

(i) a classe do nome:

(1) «O rio corre calmamente.»

(ii) a classe de pronome possessivo:

(2) «O meu carro é verde e o teu é vermelho.»

(iii) a classe do determinante possessivo:

(3) «O teu saco é muito grande.»

Para mais informações, consulte-se Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo. Ed. Sá da Costa, pp. 214 - 234 e as questões relacionadas.

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Neste caso, como acontece em muitas frases copulativas, poder-se-ia colocar o problema de distinguir o sujeito do predicativo do sujeito.

predicativo do sujeito tem como característica definitória descrever um estado ou uma propriedade que se atribui ao sujeito. Ora, na frase em apreço, e de acordo com a minha interpretação, predica-se sobre o ato de «aprender inglês». O sujeito é, portanto, o constituinte «aprender inglês», que é inserido na frase como um constituinte nominal. Este constituinte é substituível pelo pronome isto:

(1) «Isto não são fake news

Em casos similares a este, é aceitável a concordância do verbo ser com o predicativo do sujeito expresso por um nome no plural (cf. Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo. Ed. Sá da Costa, p.502).

Por outro lado, a expressão fake news tem sido integrada no português como um estrangeirismo que leva à flexão no plural e no feminino, como se pode observar por uma breve pesquisa em textos de comunicação social:

(2) «Como identificar e combater as fake news» (título do jornal Público, de 11 de novembro de 2018)

Esta co...

Quando acompanha um nome, ambos é, de facto, um quantificador existencial, como acontece no exemplo apresentado:

(1) «Ambos os escritores são lusófonos.»

A palavra ambos pode, não obstante, surgir no lugar do nome. Nesse caso, integra a classe dos pronomes indefinidos (cf., por exemplo, Dicionário Houaiss), como em:

(2) «Ambos são lusófonos.»

Como esclarecem Nascimento e Lopes, «as formas variáveis do pronome indefinido correspondem ao uso pronominal (pronominalização) de um quantificador (universal ou existencial) ou de um determinante indefinido. Veja-se que as formas variáveis do pronome indefinido apresentam as mesmas formas dos quantificadores (universais e existenciais) e dos determinantes indefinidos.» (Gramática da Língua Portuguesa, p. 160)

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