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Mudar ou não a norma-padrão da língua portuguesa no Brasil

Debate entre linguistas

Mudar ou não a norma-padrão da língua portuguesa no Brasil

Este volume resulta do 1.º Ciclo de Debates sobre Norma e Ensino, encontro realizado em 3 e 10 de julho de 2025, na Universidade do Estado da Bahia (campus XXII), em Euclides da Cunha, e subordinado a uma pergunta-tema: a norma de referência para o ensino de português no Brasil deve ser alterada? Reúnem-se cinco ensaios, cujos autores analisam as implicações históricas, linguísticas, pedagógicas, sociais e políticas desta discussão, oferecendo argumentos tanto a favor como contra uma eventual reformulação da norma de referência para o ensino.

Deste modo, no primeiro capítulo, "Sobre a institucionalização do componente curricular de Língua Portuguesa no Brasil" (pp. 17-38), Margarete von Mühlen Poll aborda a evolução histórica do ensino da língua portuguesa no Brasil. O capítulo 2, "Visões linguísticas em conflito no Brasil contemporâneo: norma e ensino" (pp. 39-102), é da autoria de um dos organizadores da obra, Matheus Oliver Santos Oliveira, que reflete sobre a discussão (acesa) dos conceitos de norma e de padrão no contexto brasileiro. Em "Norma vs. tendência; referência vs. consciência: o(s) porquê(s) da gramática" (pp. 103-134), título do capítulo 3, Carlos Maroto Guerola sublinha o papel social da gramática. Fernando Pestana assina o capítulo 4, "Norma-padrão brasileira: reatando novos nós (pp. 135-160), onde explora as relações entre descrição e prescrição linguística. Finalmente, no capítulo 5, "A reforma da norma-padrão e suas implicações no ensino de Língua Portuguesa: um ideário possível – e desejável?" (pp. 161-196), o linguista Aldo Luiz Bizzocchi alerta para as implicações pedagógicas, culturais, sociais e políticas de uma eventual reforma da norma de referência. 

Refira-se que, da obra, constam ainda uma apresentação, – "Norma e ensino: o pensamento linguístico contemporâneo em debate no Brasil" (pp. 7-10) –, redigida pelos organizadores; um prefácio – "Sentido(s) da norma-padrão em disputa: cinco linguistas em debate" (pp. 11-16) –, , de Jefferson Evaristo; e um posfácio (pp. 197-198) – "Norma, uso e resistência" –, de Vânia Cristina Casseb-Galvão.

Longe de procurar impor uma resposta única, o livro privilegia a pluralidade de perspetivas e o debate fundamentado, permitindo compreender a complexidade de uma discussão que ultrapassa o domínio estritamente linguístico e envolve questões de identidade, educação, política linguística e cultura escrita. 

Pela atualidade do tema e pela diversidade das abordagens reunidas, esta é, portanto, uma leitura de enorme relevância para linguistas, professores, estudantes de Letras e de Educação, bem como para todos os leitores interessados no futuro da norma-padrão da língua portuguesa e nas políticas do seu ensino no Brasil. Um livro que, afinal, também interessa a quantos, em Portugal, se preocupam em conhecer melhor as condições contemporâneas da unidade internacional do português, a qual não terá de ser necessariamente incompatível com a sua manifesta pluralidade.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa