Pelourinho Hermetismos Dicionário: «Hermetismo — doutrina semelhante ao ocultismo, ao esoterismo e à alquimia, que supõe relações íntimas, correspondências misteriosas entre todas as porções do Universo; carácter do que é incompreensível.» Exemplos — retirados das duas últimas edições do Expresso, suplemento Actual, secção Música: «psicadelismo aristocrático das origens»; «qualquer coisa ... Ana Martins · 15 de dezembro de 2007 · 1K
Pelourinho Pôr no papel « — Stora, como se escreve "cóque"? — "Coq" é francês… — Francês? Não! Eu quero escrever: Eu sou mais esperto "cóque" (que o que) se julga…» O episódio teria piada se fosse anedota, mas como não é, e como se passou numa escola portuguesa — como tantos outros episódios similares —, não tem piada nenhuma. Ana Martins · 10 de dezembro de 2007 · 4K
Pelourinho Soa bem ou mal? (2) Há muitas pessoas que falam português desde o berço e que duvidam que a construção «mais bem preparado/feito/arranjado» seja absolutamente correcta; ou que dignitário exista nos nossos dicionários, por exemplo. Dizem que são formas que «soam mal». Poriam as mãos no fogo por "melhor preparado" ou "dignatário". Quer isto dizer que as formas que hoje soam mal aos falantes vão, mais tarde ou mais cedo, cair em desuso? Talvez sim. Ana Martins · 24 de novembro de 2007 · 5K
Pelourinho Soa bem ou mal? (1) «Tinha pago ou pagado/morto ou matado»? O nosso leitor Carlos Dinis quer saber porque é que, havendo regras que ditam que com ser e estar devemos ter o particípio irregular (pago) e com ter e haver, o particípio regular (pagado), usa-se mais o pago do que o pagado? O nosso leitor sabe que «tinha pagado» é a forma correcta, mas admite que ela… «soa um pouco mal». Ana Martins · 17 de novembro de 2007 · 9K
Pelourinho Coisas do desconhecimento da língua… "PORQUE NÃO TE CALAS?"* “Por que não te calas?”, afirmou o rei Juan Carlos de Espanha ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quando este interrompeu o primeiro-ministro espanhol, Rodrigues Zapatero, no momento em que pedia “respeito” para José Maria Aznar, a quem Chávez tinha, pelo segundo dia consecutivo, classificado de “fascista”. * in Correio da Manhã, de 11 de Novembro de 2007 O desconhecimento da língua tem destas coisas. O rei de Espanha não podia ter afirmado, porque estava a perguntar. João Alferes Gonçalves (1944 — 2023), José Mário Costa · 14 de novembro de 2007 · 3K
Pelourinho Maroscas e manigâncias Que a língua varia, toda a gente sabe; que um mesmo falante pode activar diferentes variedades, também. Numa cimeira internacional, por exemplo, não se fala como no café entre amigos. Há quem pense, no entanto, que isto acontece por uma questão de etiqueta ou requinte linguístico; que usar o nível de língua cuidado é como pôr fato e gravata e fazer salamaleques para não se ficar malvisto (ou, agindo pela negativa, para dar um ar de modernidade ou de originalidade). Ana Martins · 9 de novembro de 2007 · 2K
Pelourinho A confusão com o interdito e o interditado + a tradução de San Gennaro O provedor do leitor do Público, Rui Araújo, volta dedicar parte da sua crónica de 4/11/2007 aos erros ortográficos do jornal. «Concordo que seja utópico eliminar totalmente os erros ortográficos de um jornal», escreve um leitor. «No entanto, nalgumas áreas (títulos, editoriais) fica francamente mal eles existirem. Nos editoriais dos últimos meses r... 4 de novembro de 2007 · 1K
Pelourinho Português (básico) para jornalistas «"A queixa foi apresentada, mas não foram relatados muitos pormenores que permitam identificar os três autores do crime", salientou outra fonte policial ouvida pelo nosso jornal. A investigação foi, por inerência da lei, entregue à Polícia Judiciária de Setúbal. Uma brigada de inspectores acompanhou a jovem ao Hospital de Santa Maria [em Lisboa] para a realização dos testes ginecológicos, fundamentais para a investigação deste tipo de crime.» Miguel Curado Correio da Manhã, 28 de Outubro de 2007 José Mário Costa · 28 de outubro de 2007 · 4K
Pelourinho Hortografia Antigamente a ortografia era para respeitar. Porquê? Ninguém perguntava. Com a chegada da modernidade, também a ortografia se despiu de dogmatismos e apareceu explicada: é importante atender à forma escrita de uma palavra, porque aí se regista o seu código genético. Recentemente, a ortografia foi considerada um obstáculo metodológico para a aferição da competência da leitura nas provas do 1.º e do 2.º ciclos do ensino básico — 2007. Mais recentemente, Gonçalo M. Tavares, autor do romance ... Ana Martins · 27 de outubro de 2007 · 4K
Pelourinho Palavras doces Toda a gente sabe que o antónimo de certo é errado, de culpado, inocente, de torto, direito. São os chamados antónimos dicotómicos. Mas há também os antónimos seriais, que assentam numa escala graduada: há duas palavras que se situam nos extremos de uma dad... Ana Martins · 20 de outubro de 2007 · 4K