Lusofonias Discurso e gramática no Livro do Desassossego Discurso e gramática no Livro do Desassossego* 1. O Livro do Desassossego é uma sucessão de fragmentos desconectados, em que a sequência da paginação não é indicativa da ordem de leitura. No entanto, Pessoa atribui-lhe a designação de «livro». Mas um «livro», no sentido comum, é um macrotexto. Como tal, seria de esperar encontrar aí uma malha complexa de tópicos entrosados, em progressão rumo a uma conclusão. Ana Martins · 23 de dezembro de 2006 · 5K
Lusofonias Viver em diversidade Portugal precisa urgentemente de criar as estruturas necessárias para a integração adequada dos seus alunos em contexto multilingue Todos sabemos que a imigração em Portugal tem aumentado recentemente no número de imigrantes e nas suas diversas proveniências. Sabemos que a escola portuguesa reflecte a entrada no país desses milhares de imigrantes. Mas nem todos sabemos os problemas que existem para as crianças cuja língua materna não é o português e para os professores que estão encarre... Maria Helena Mira Mateus · 11 de dezembro de 2006 · 4K
Lusofonias O multilinguismo na União Europeia O debate sobre o multilinguismo entrou na agenda europeia. A Comissão Europeia (CE) apresentou uma comunicação com o lema "Aprende línguas e serás alguém", o Parlamento Europeu aprovou um relatório e, a partir de Janeiro de 2007, haverá um comissário para o Multilinguismo, o romeno Leonel Orban. Edite Estrela · 10 de dezembro de 2006 · 4K
Lusofonias O português, língua da Europa E há muito que pressões na União Europeia para uma “simplificação linguística” se traduzem em riscos de desvalorização, por arrasto, da nossa língua. Os factos são conhecidos, assim como é conhecida a disputa que se trava. Foi nesse contexto que construí a convicção de que importa levar as instituições europeias a alterarem a óptica por que olham as diferentes línguas, centrando-as no ângulo que mude os “dados estatísticos” da questão. Com todas as consequências. José Ribeiro e Castro · 17 de novembro de 2006 · 4K
Lusofonias Longe de Manaus de Francisco José Viegas. Alguns aspectos linguístico-textuais da construção de um "não romance policial" 1. Uma questão de género Quando vagueamos numa livraria e somos levados a pegar num livro, procuramos no paratexto, mais ou menos inconscientemente, o género ou tipo textual. Longe de Manaus tem uma nota prévia, colocada mesmo antes da epígrafe: "Um romance policial, como se sabe, tem as suas regras. Este não tem." Ora isto é uma contradição: as regras de um romance policial são regras constitutivas de género. Se este romance não tem essas regras não é um romance policial. Ana Martins · 23 de outubro de 2006 · 4K
Lusofonias Morreu a língua. Viva a língua «Nunca empregueis uma palavra nova, a não ser que ela tenha essas três qualidades: ser necessária, inteligível e sonora. Substituir uma palavra usual por outra palavra cujo único mérito é a novidade não é enriquecer a língua, mas aviltá-la».VoltaireAs palavras são seres vivos que nos querem dizer coisas, exprimir sentimentos, transmitir força ou fraqueza e sobretudo emoções, afinal, tudo isso que se encontra nos seres humanos. Se soubermos vê-las por dentro, sentir-lhes a pulsaçã... Manuel Rodrigues dos Santos · 27 de junho de 2006 · 6K
Lusofonias A pátria é a língua «Tudo começou pela linguagem. Entre os mais antigos vestígios humanos, contam-se os poemas escritos e compilados nos Vedas, em sânscrito, uma língua que desceu com os Arianos das vertentes ao sul dos Himalaias, seguindo o curso do Indo e do Ganges.»António José Saraiva, O que é a Cultura?A pátria é a língua. Dói, por isso, ver os maus-tratos que sofre o português, um pouco por toda a parte, no dia a dia, na escrita, na rádio, na televisão ou nos discursos de muitos responsáveis. ... Guilherme d'Oliveira Martins · 26 de junho de 2006 · 2K
Lusofonias 'Ubi sunt'? Acaba de ser publicado um dos ensaios mais importantes que entre nós já foram dedicados aos problemas do ensino da língua e da literatura portuguesa. Trata-se de A Literatura no Ensino Secundário /Outros Caminhos, de José Augusto Cardoso Bernardes (ASA, 2006, col. "Como abordar…").Professor da Universidade de Coimbra e autor de obras sobre a literatura portuguesa do Renascimento em que avulta a sua tese de doutoramento, Sátira e Lirismo/Modelos de Síntese no Teatro de Gil Vicente, JACB j... Vasco Graça Moura · 21 de junho de 2006 · 3K
Lusofonias Para quê esta CPLP? Já por várias vezes me interroguei nesta crónica: para que serve a CPLP? Como é óbvio, não tenho a menor má vontade. Contra uma instituição? É portanto uma interrogação feita de boa-fé. Para que serve? No Brasil, ninguém sabe o que seja. Uma aluna que esteve presente no congresso da AULP em Macau (projecto generoso e bem intencionado) afirmava que em vários anos de curso nunca ninguém lhe falara na CPLP. Mas basta conversar com qualquer brasileiro ligado à promoção da cultura portuguesa para com... Eduardo Prado Coelho · 20 de junho de 2006 · 4K
Lusofonias Outra Feira, Outras Feiras [Foi inaugurada, dia 26 de Maio p.p] em Lisboa, no Parque Eduardo VII, mais uma feira do livro. Escrevo mais uma querendo dizer isso mesmo: mais uma. Mais uma que, presumo, em poucos aspectos se distinguirá das anteriores setenta e cinco.Uma das raras iniciativas que ainda ligam o Portugal dos nossos dias ao Portugal de 1930 é a Feira do Livro de Lisboa. A mudança mais significativa nos últimos setenta e cinco anos, creio, foi a localização – a feira arrastou-se a custo, tropegamente, pa... José Eduardo Agualusa · 24 de maio de 2006 · 3K