Vírgula sim! - O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Vírgula sim!
Vírgula sim!
Situações em que a vírgula deve ser usada

Se as situações em que a vírgula não deve ser usada são, por vezes, complexas, os contextos em que esta deve ser usada não o são menos. Passemos, então, em revista alguns casos que exigem o uso da vírgula:

(i) « Sim, vou ao cinema. Não, não quero.»

Os advérbios sim e não, em situação de resposta a interrogativas totais, são seguidos de vírgula; 

(ii) « João, vem cá!»

      « Bom dia, João.»

      « Diz-me, João, vens connosco?»

A vírgula separa ou intercala o vocativo, grupo de palavras que identifica o “tu” a quem se dirige a pessoa que fala;

(iii) «O João, o meu colega, já chegou.»

        «O livro deste autor, que apresentei na aula, ganhou um prémio.»

A vírgula delimita constituintes com a função de modificador apositivo do nome, indicando que não são elementos essenciais da frase e que apresentam uma explicação ou uma informação extra;

(iv) «Quando o João chegar, vamos tomar café.»

A vírgula isola as orações subordinadas adverbiais quando são colocadas antes da oração subordinante;

(v) « O João, acrescentou ele, chega hoje.»

Quando uma oração intercala outra, a vírgula delimita-a;

(vi) «O João chegou tarde, porém não se justificou.»

       «O João não quis sair, sentia-se, porém, muito só.»

       «O João terminou o trabalho. Todavia, só o entregaria no dia seguinte.»

Com conectores como porém, todavia, contudo, no entanto, a colocação da vírgula segue diferentes regras: coloca-se antes do conector quando este surge à cabeça da oração; delimita o conector se este surgir no interior da sua oração; coloca-se depois do conector se este surgir em início absoluto de frase.

 Uma dose equilibrada de conhecimento das regras básicas associada a uma prática consciente da escrita constitui um receituário capaz de garantir uma escrita sem alguns dos problemas típicos de pontuação. Afinal, o uso da vírgula não é tão difícil quanto se possa pensar!

Sobre a autora

Doutorada em Língua Portuguesa (com uma dissertação na área do  estudo do texto argumentativo oral); investigadora do CELGA-ILTEC (grupo de trabalho "Discurso Académico e Práticas Discursivas"); autora de manuais escolares e de gramáticas escolares; formadora de professores; professora do ensino básico e secundário. Consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacada para o efeito pelo Ministério da Educação português.