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Textos de investigação/reflexão sobre língua portuguesa.
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«A vírgula é um dos elementos que causam mais confusão na língua portuguesa. Pouca gente sabe ao certo onde deve e onde não deve usá-la. O motivo disso é bem simples: sempre nos ensinaram do jeito errado!», começa por lembrar o professor brasileiro André Gazola nesta sua explicação disponível na página Português? É Fácil! – que, com a devida vénia, transcrevemos a seguir, como mais um apontamento sobre o (bom) uso da vírgula e da pontuação em geral [ver Textos Relacionados, ao lado]. Acrescentando, de seguida: «Você deve lembrar da sua professora falando coisas como “a vírgula é usada para indicar pausa”, “prestem atenção em como vocês falam, quando tiver pausa, usem vírgula”. Isso é besteira, pois cada um de nós fala de um jeito diferente, usa pausas diferentes e, basicamente, decide como quer falar. Mas não podemos simplesmente decidir onde vai e onde não vai vírgula. Ela tem poder demais para ser arbitrária. Quer ver o poder da vírgula? Assista [a este] vídeo [em baixo]*.»

O vídeo e o texto que assinalaram os 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) já o tínhamos disponibilizado nesta mesma rubrica, aqui.

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Está disponível um novo tutorial do projeto Scriptorium – Centro de Escrita Académica em Português, da Escola Superior de Educação de Lisboa, desta vez, sobre o uso de vírgulas com conjunções e conetoresAqui  e no vídeo em baixo.

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A propósito do (recorrente) erro no uso da forma "precaridade" – e logo por uma entidade com contas devidas também no rigor formal dos pareceres e recomendações emitidos –, o autor reúne aqui algumas pistas para o sinal de pontuação que está longe de poder ser empregado como um mero adorno ou enfeite. In jornal "i" de 21/08/2014.

A repetição de dois sinais de dois pontos na mesma frase é ou tem sido possível, pelo menos, em textos literários, embora se trate de um uso muito marginal que a maioria dos prontuários, das gramáticas de referência ou dos guias gramaticais não chega a mencionar1. Há, no entanto, algumas pistas históricas que permitem um juízo normativo mais consistente.

Na frase «Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes fervorosamente, ataquei aquele caldo.», o uso dos dois pontos não segue a norma.

A obra A Cidade e as Serras foi publicada em 1901, um ano após a morte de Eça de Queirós, que faleceu antes de ter conseguido fazer a revisão total das provas desta obra. Assim, embora na primeira edição a pontuação da frase seja a que é acima transcrita, há edições em que a frase apresenta a seguinte pontuação:

Texto que assinalou os 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Sob o lema, “ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação”, também se encontra disponível em áudio. Aqui.