O nosso idioma - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Português na 1.ª pessoa O nosso idioma A arte do uso da linguagem
Textos de investigação/reflexão sobre língua portuguesa.

Não é fácil reproduzir e recriar a fala autêntica na literatura, no teatro, na televisão ou no cinema. O escritor e professor universitário Fernando Venâncio dá exemplos do que se não deve fazer quando se escrevem diálogos ficcionais, num texto publicado na coluna "Língua movediça" da revista Ler (janeiro de 2014).

 

«O que se requer ao insulto para ser arte é elevação, e a única via que eleva é o apuramento da linguagem. Dizer de certo sujeito que é «alcançadíssimo de inteligência» ou que o caracteriza «extrema parcimónia das faculdades mentais» é melhor do que chamar-lhe idiota: não apenas tem graça como suplanta o sentimento de caridade pelos menos afortunados, facilitando a apreciação da frase em si mesma, sem consideração do efeito que venha a produzir no visado. O desprezo da linguagem é que por ...

No excerto do Sermão do Bom Ladrão, de Padre Atónio Vieira, está patente a alegoria feita com alguns verbos e a sua conjugação. Num jogo de palavras, Padre António Vieira vai brincando com o verbo furtar,  por exemplo, usando-o assim para exemplificar outras situações.

O grande problema não é saber-se poucas coisas. Nem tampouco saber-se mal as coisas. É antes saber-se um excesso de coisas erradas. Esta última asserção não é a minha, mas não me recordo do nome do autor. Vai com as minhas desculpas se for vivo ou com as minhas homenagens se já se encontrar em estado de as desculpas não lhe servirem de nada.

A reportagem da TV Globo da posse presidencial de Lula da Silva

Visto – e ouvido – do lado de cá do Atlântico, via GNT (o canal da TV Globo na TV Cabo portuguesa), a cobertura televisiva do acto de posse do novo Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, foi um regalo. Um regalo do ponto vista da cobertura em si, onde nada falhou, nas imagens de todo o cerimonial festivo entre a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto, em Brasília, neste 1.º de Janeiro de 2003. Foram mais de três horas num ritmo e numa diversidade que nem por elas se deu.

O emprego abusivo do cliché caracteriza quase todos os principiantes em trabalhos de estilo. Essas séries vocabulares ficaram-lhes no ouvido, através de más leituras, de carácter romântico, por vezes. Por preguiça mental enxertam esses grupos na redacção, que adquire um jeito pretensioso e falso, e diminui, é claro, de força expressiva. O estilo é uma permanente criação pessoal. Não aconselhamos o estudioso a evitar por completo as séries usuais, o que seria aliás difícil; mas prevenimo-lo co...