A locução «por causa de»
Pedia o vosso parecer sobre a gramaticalidade da frase abaixo:
«Sonho ser futebolista POR CAUSA DE estar a fazer uma coisa que eu gosto.»
Obrigado.
Paradoxo vs. oxímoro
Agradecia que, se possível, me pudessem esclarecer quanto à diferença entre oxímoro e paradoxo.
O que eu achava que sabia: a antítese apresenta uma oposição entre dois termos sem contradição lógica e o paradoxo ou oxímoro combinam essa mesma oposição com uma contradição lógica evidente. Ou seja, nunca distingui paradoxo de oxímoro ou, se quisermos, encarei sempre o oxímoro como outra palavra, mais apropriada em contexto literário ou estilístico para o termo paradoxo, este mais filosófico e abrangente.
Mas eis então o que consta no dicionário terminológico e que me sobressaltou:
“Oxímoro: Figura retórica de pensamento que associa duas palavras com significados logicamente opostos ou incompatíveis. Tem afinidades com o paradoxo e com a antítese, mas, enquanto esta figura encerra uma oposição lógico-semântica, o oxímoro é uma associação de palavras contrária à lógica. “Aquela triste e leda madrugada”“ (Camões).
Paradoxo: Figura retórica de pensamento que consiste em associar construções semânticas que aparentemente são contraditórias, irreconciliáveis e absurdas, mas que podem iluminar, de modo inédito e surpreendente, o significado do real e da vida. “Muito estranho é ver as pontes / por sob os rios correr / mais ainda ouvir as fontes / sua própria água sorver” (Manuel Alegre).”
Ora, fiquei confuso. Pareceu-me que o critério de distinção é obscuro e, nessa medida, concentrei-me nos aspetos formais da distinção, procurando alguma iluminação: o oxímoro referir-se-ia “à oposição de “palavras”, enquanto o paradoxo sinalizaria a oposição entre “construções semânticas”. Isto significaria que em frases como “na sala reinava um silêncio ensurdecedor” estaríamos perante um oximoro, enquanto noutras construções como “na sala os miúdos estavam tão calados que se faziam ouvir de forma ensurdecedora”, já se exprimiria um paradoxo? Estranhei, pois, nesse sentido, podemos definir oxímoro como uma versão condensada do paradoxo e o paradoxo como um desdobramento ou expansão do oxímoro, o que me parece curto para distingui-los como recursos expressivos.
Não satisfeito, revisitei algumas publicações do Ciberdúvidas que, na sua maioria, estão de acordo com a minha intuição inicial (oxímoro e paradoxo são termos intercambiáveis no contexto das figuras de estilo). A explicação dominante é que o oxímoro constitui uma espécie de versão estilística ou literária do paradoxo. Assim, por exemplo “andar sem sair do lugar” é um oxímoro ou paradoxo literário, “hipocrisia tão santa” (apesar da condensação) é considerado um paradoxo, sendo que, noutra publicação, oxímoro é considerado apenas um «aproveitamento estilístico de um paradoxo».
Continuei a minha busca e consultei quatro gramáticas, tendo notado que uma delas (Cristina Serôdio, Dulce Pereira, Esperança Cardeira e Isabel Falé, Nova Gramática didática de português, conforme o dicionário terminológico, Santillana, 2011, pg 300) apenas inclui o oxímoro, considerando-o uma figura retórica que expressa um paradoxo (portanto, não há distinção), sendo que nas outras aparecem como recursos expressivos distintos, essencialmente baseadas na tal distinção palavras/frases, seja oposição lógica entre palavras (“choro e rio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“dói e não se sente”) (M.ª Carmo Azevedo Lopes et al. Da Comunicação à Expressão. Gramática Prática de Português, Raiz editora. 2022, pag 424/425 –), ou na oposição lógica entre termos (“um grito de silêncio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“tornar o fogo frio”) (Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Gramática de Português, Porto Editora, 2017, pg 293/294), ou ainda na oposição lógica entre palavras (“disseram o indizível”) versus oposição lógica entre frases (Zacarias Santos Nascimento e Maria do Céu Vieira Lopes, Domínios. Gramática da Língua Portuguesa, Plátano Editora, 2011, pg 338/339 - note-se que aqui a terminologia usada na distinção concetual é a mesma que a do DT). Concluindo, não descortino nenhuma diferença semântica entre as duas figuras de estilo nem na definição do DT nem nas das diversas gramáticas, mas apenas em algumas uma diferença formal (distinção palavras/frases).
O problema é que o dicionário terminológico opera a distinção. Independentemente de considerarmos a fundamentação mais ou menos arrazoada, importaria perceber os motivos que levam o DT a fazê-lo, de modo a compreendermos o critério operativo em exercícios concretos.
Agradecendo antecipadamente, gostaria da vossa ajuda para, parafraseando a definição de paradoxo do DT, nos iluminarmos, surpreendentemente ou não, sobre o verdadeiro alcance desta distinção.
O plural de feminicídio
Li o seguinte período:
«No ano de 2022, foram registrados cerca de 4500 assassinatos de mulheres, os quais são tipificados na lei como feminicídio.»
Gostaria de saber se a palavra feminicídio não deveria estar flexionada no plural - «os quais são tipificados na lei como feminicídios».
Obrigado.
Permilagem e «por mil»
Quando dividimos o todo em 100 partes e nos referimos a uma parcela, falamos de percentagens. Nesse caso, a quarta parte será referida como 25 por cento.
Se dividirmos o todo em 1000 partes e nos referimos a uma parcela, falamos de permilagens. Nesse caso, como podemos designar a quarta parte ?
250 permilhas ? Ou talvez 250 permilas ?
Agradecia o vosso esclarecimento sobre esta dúvida.
O uso de próximo
Tenho dúvidas referentes ao uso da palavra próximo.
Pelo que li em alguns artigos desta plataforma, quando próximo é empregado em locução adverbial - «As casas estão próximo do (perto do, junto do) rio» -, não deve ser flexionado.
Mas o que se deve fazer em casos como o seguinte: «As casas próximas do rio inundaram-se»?
A flexão de próximo, aqui, é correta?
E se a construção fosse desta maneira: «Próximas do rio, as casas inundaram-se»?
O termo aicmofobia
Como pronuncio aicmofobia ?
Com o ditongo ai, ou com aí, separando as vogais?
O complemento do nome elemento
Na frase «...alunos alheios a elementos fundamentais da sua identidade cultural e histórica», qual a função sintática do constituinte «da sua identidade cultural e histórica»?
Muito obrigada!
Sozinho vs. individual
Em relação frase a seguir, é possível admitir-se o adjetivo destacado (sozinhos)?
«Os sonhos SOZINHOS acontecem quando apenas queres uma trotinete, mas os coletivos surgem quando queres juadar o próximo.»
Colocação pronominal depois de tal
No enunciado a seguir, o termo tal tem qual classificação gramatical?
Ele é uma palavra que atrai o pronome se (ou seja, deve ser usada a próclise ou a ênclise no verbo mantém?)?
«Tal entendimento mantém-se vivo até hoje.»
Grata.
O verbo sonhar e as preposições
Perguntava se, do ponto de vista gramatical, a seguinte frase é aceitável:
«Há quem sonhe COMO criar uma empresa.»
Obrigado.
