DÚVIDAS

O pronome arcaico elo
Me deparei, enquanto procurava pelo significado de algumas palavras pela Internet, que a palavra ''elo'' (uso arcaico) poderia significar: isto, isso, aquilo. Isto aparece facilmente no dicionário do Google, porém nenhuma pesquisa a fundo que tentei mostrou resultados deste uso indicativo para ''elo''. Poderia alguém mencionar algum trecho em que acharam este uso para elo? Obs: Já li vários livros de linguagem mais rebuscada, porém nunca vi tal uso.
O artigo indefinido arcaico ũa
Estou tendo problemas com a versão arcaica do português e gostava de saber se conhecem algum sítio ou dicionário que pudesse me ajudar. Minha história: Resolvi ler Os Lusíadas em uma versão original em vez de uma adaptada. Pensei que não seria grande problema, já que estou a estudar o português europeu há alguns meses. Engano meu. Um exemplo é a palavra ũa, que, de tão curta e tão simples, se torna muito impossível de pesquisar pelo Senhor Google ou seus semelhantes. Abraços e parabéns pelo projeto.
Português arcaico
Estou fazendo uma pesquisa sobre algumas palavras do português arcaico e gostaria de saber se vocês podem me mandar algumas, dando as suas modificações de acordo com o português atual. Obrigado pela atenção.
Os valores da preposição por
No início do ano litúrgico do ano passado, as igrejas no Brasil passaram a usar uma nova edição do Missal Romano, que, apesar de sofrer algumas alterações, os responsáveis pela revisão conservaram a fórmula de consagração: «…será entregue/derramado por vós.» A meu ver, num contato direto com o texto em português, alguém encontrará um problema de interpretação, pois o pronome introduzido por por pode indicar outras interpretações pelo fato de seguir formas passivas: «…será entregue…» e «…será derramado…». Se se recorrer ao texto da qual foi traduzido, se verá que a preposição utilizada em latim é pro, correspondente, por sua vez, a ύπέρ do texto bíblico em grego. Tanto em latim quanto em grego podem significar «a favor de» ou «no lugar de», sendo esta última a que a Igreja se serve para interpretar o texto. Também, a respeito da preposição por (per), Cláudio Brandão escreve: «Conquanto difiram na etimologia (latim pro, que por metátese deu por) e per (latim per), estas duas partículas confundiram-se semanticamnte na Ibéria. O português antigo às vezes ainda as distingue quanto ao sentido, mas isto nem sempre acontece. O mesmo escritor não raro usa delas indiscriminadamente» (Sintaxe Clássica Portuguêsa, 1963, § 357). Daí se vê um pequeno aceno a preposição latina pro. Sei que seria estranho dizer: «…será entregue/derramado pro vós«? Porém, em textos do português antigo, há realmente registros do uso da preposição pro com o significado de «no lugar de» em vez de por? Se sim, vocês poderiam trazer alguns exemplos? Desde já, obrigado.
A etimologia de rota e roteiro
Prezados especialistas do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o melhor sobre nosso idioma que conheço! Escrevo para solicitar, gentilmente, um esclarecimento etimológico e histórico um tanto mais completo quanto possível para uma pesquisa acadêmica. Esta trata dos intitulados «roteiros experimentais» no Brasil (talvez «guias de procedimentos laboratoriais» ou «guião experimental» em Portugal), o que me levou a investigar a origem e a evolução semântica da palavra "roteiro". Minha pesquisa preliminar indica o seguinte: (a) Formação: roteiro deriva de rota + eiro; (b) Raízes latinas: rota pode ter origem em rupta («caminho aberto», do verbo rumpere) ou rotulus («rolo, registro escrito»); e, (c) Contexto histórico: O termo consolidou-se durante as Grandes Navegações para designar textos-guias de navegação detalhados. Gostaria de colaboração para compreender os seguintes pontos: 1. Datação e consolidação lexical: existem evidências textuais (em documentos medievais ou do português arcaico) que permitam datar, mesmo que aproximadamente, o período em que a palavra roteiro se consolidou no vocabulário português comum, diferenciando-se de sinônimos como itinerário ou rota? 2. Prevalência da raiz: qual das hipóteses latinas (rupta ou rotulus) é considerada a raiz dominante pela etimologia acadêmica portuguesa para a palavra rota, e, consequentemente, para roteiro? Proviria do francês route? 3. Evolução semântica do sufixo -eiro: gostaria de um parecer sobre a evolução do sufixo -eiro neste contexto. Seria a analogia com roupeiro (lugar que contém roupas, aqui no Brasil, pelo menos) semanticamente válida para roteiro (documento que contém rotas, instruções, ou caminhos a seguir), justificando a sua transição do meio náutico para o científico e artístico (guias de laboratório, guiões de cinema, etc.)? Esta palavra realmente é um desafio para mim. Agradeço a atenção e o valioso contributo.
O adjetivo obnóxio
Aquando da leitura de um livro, encontrei a palavra adular cujo significado será algo como «lisonjear servilmente». Foi na consulta da palavra servil que me deparei com o sinónimo obnóxio, uma palavra que nunca tinha ouvido/lido (pelo menos que me lembre). Já conhecia a palavra obnoxious da língua inglesa, a qual pelo que sei, tem um significado distinto, algo como, rude ou ofensivo. A minha dúvida, para que possa ficar completamente esclarecido quanto a esta palavra, é : Por um lado, qual/quais o(s) seu(s) significado(s)? E por outro, como se pronuncia devidamente? Agradeço imenso a atenção. 
O pronome clítico o e o verbo estar
Essa questão surgiu após um impasse que tive com um colega, também revisor de texto, a respeito do uso do verbo estar com pronomes acusativos como o, lo, no. Gostaria, portanto, de esclarecer alguns pontos e, se possível, obter exemplos de uso literário dessas construções. Em frases copulativas, como: «O aluno está cansado.» «A porta está aberta.» «Tu estás feliz?» seria possível substituir o predicativo por um pronome acusativo, formando expressões como "O aluno está-o”, “A porta está-o” ou “Tu está-lo?”? Essas formas aparecem em algum registro literário, regional ou arcaico do português? No português europeu, na locução estar + a + infinitivo, há diferença entre «Ele está-o a fazer» e «Ele está a fazê-lo»? Existe preferência normativa ou diferença de estilo entre as duas formas? Quando o pronome sobe para o auxiliar (estar), as adaptações fonéticas continuam válidas? Por exemplo: estás + o → está-lo; estão + o → estão-no. Formas como «Tu está-lo a terminar» ou «Eles estão-no a construir» são aceitas? No português do Brasil, com estar + gerúndio, qual das opções é mais adequada ou usual: «Ele o está fazendo», «Ele está fazendo-o» ou simplesmente «Ele está fazendo isso»? Por fim, fora das locuções (estar a + infinitivo / estar + gerúndio), é possível empregar «Ele está-o» (sem verbo posterior) para retomar algo já mencionado, equivalente a «Ele está nisso»? Agradeço desde já pela atenção e, se possível, gostaria de exemplos de uso literário (clássico ou moderno) dessas construções, caso existam. 
O nome riso na Idade Média
Procuro uma forma antiga portuguesa (medieval ou renascentista) para traduzir o francês arcaico ris (riso). Há registros além de riso? Alguma variante ou termo em desuso com esse sentido? Obrigada.
Pontuar e pontoar
Atualmente, é possível encontrar em dicionários a distinção semântica entre os verbos pontuar e pontoar. O primeiro, em síntese, significa «usar sinais de pontuação», ao passo que o segundo guarda o sentido de «marcar pontos» em torneio, certames, competições, etc. É incontestável que os verbos citados possuem outros significados, mas a dúvida incide sobre a (im)possibilidade de se utilizar pontuar com o sentido de «marcar pontos». Vejamos algumas observações: 1. Cegalla, em seu Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, estabelece tal separação de sentido: pontoar para marcar pontos em torneio, pontuar para sinais de pontuação. 2. O Dicionário Houaiss também discrimina os sentidos, mas, ao fim do verbete pontuar, sinaliza que este é sinônimo derivado de pontoar. 3. O Dicionário Caldas Aulete, hodiernamente, registra pontuar com o sentido de «marcar pontos». 4. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa indica pontuar com o sentido de «usar sinais ortográficos». 5. Os dicionários Michaelis e Priberam diferenciam pontuar e pontoar conforme a corrente majoritária (o primeiro para sinais de pontuação, o segundo para marcar pontos). 6. Em dúvida similar enviada à Academia Brasileira de Letras, a resposta que obtive contempla o verbo pontuar com os sentidos de «4 t.d. atribuir grau, nota, ponto a (prova, trabalho, desempenho etc.) <o professor esqueceu-se de p. duas questões>» e de «5 int.; desp marcar pontos <p. numa partida de muitos gols>». Diante do que foi exposto, minha dúvida remanesce em razão da massiva divulgação por professores de que construções como «o aluno pontuou pouco no certame» estariam incorretas. Logo, pergunto: é aconselhável escrever com tal distinção, é obrigatório ou é facultativo? Obrigado
Duas interjeições em português antigo
Gostaria de saber, por favor, se há interjeições em português arcaico com o sentido de assentimento, aprovação? Agradeço pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa