Vírgula e aforismos
Numa frase de caráter aforístico como «Livros que não se leem, é como se não existissem.», a presença da vírgula será admissível para efeito estilístico sem prejudicar a gramaticalidade da proposição?
Numa frase de caráter aforístico como «Livros que não se leem, é como se não existissem.», a presença da vírgula será admissível para efeito estilístico sem prejudicar a gramaticalidade da proposição?
Com construções aforísticas e provérbios, é possível fazer um uso estilístico da vírgula no sentido de realçar cada um dos constituintes da frase.
As construções aforísticas e proverbiais assentam, em muitos casos, numa estrutura bimembre, como se observa nos exemplos seguintes:
(1) «Quem tudo quer(,) tudo perde.»
(2) «Água mole em pedra dura(,) tanto bate até que fura.»
(3) «Todos os que na matéria de Portugal se governaram pelo discurso(,) erraram e se perderam.» (Pe António Vieira, História do Futuro)
Nestes casos, a opção pelo uso da vírgula não é de cariz obrigatório. Trata-se, antes, de uma opção estilística que permita destacar cada um dos membros da frase e dar realce à relação que se estabelece entre eles.
Pelas razões apresentadas atrás, no aforismo em apreço, é possível usar a vírgula, o que permite destacar a natureza dos livros de que se fala (referem-se aqueles que não são lidos) e a consequência resultante da condição de não serem lidos: veem a sua existência anulada.
Disponha sempre!