É provável que o atual uso de estacionado tenha sido reforçado pela interferência do inglês to station em referência à atividades militares. Contudo, documentam-se ocorrências mais antigas do verbo nessa aceção.
Na verdade, não se encontra prova clara de estacionar e o particípio adjetival estacionado serem simples decalques de usos do inglês. Por exemplo, no dicionário de inglês-português da Porto Editora, traduz-se «the fleet was stationed at...» por «a esquadra encontrava-se estacionada em...», o que pode sugerir que em português se usa estacionado como cognato do inglês stationed em referência a temas bélicos. Acresce que já em textos oitocentistas também encontramos estacionado com o significado de «colocado»:
(1) « Em um grupo de negociantes, estacionados no passeio da Rua dos Ingleses, discutia-se toda a manhã Manuel Quintino.» (Júlio Dinis, Uma Família Inglesa, 1868, in Corpus do Português)
Num texto de Eça de Queirós, estacionado ocorre em alusão ao lugar onde um militar estava colocado:
(2) «Era a "prima" Maria Mendonça, mulher de José Mendonça, condiscípulo do Barrolo em Amarante, agora capitão do Regimento de Cavalaria estacionado em Oliveira» (Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires, ibidem)
Igualmente em textos brasileiros do século XIX se encontra este uso, mais uma vez, em referência a temas belicistas, como acontece em (2):
(3) «As tropas continuam nas mesmas posições em Canudos. De dois em dois dias, os jagunços atacam as nossas forças, sendo repelidos pela artilharia estacionada dentro do arraial.» (Euclides da Cunha, Diário de uma Expedição, ibidem).