Não existe – que conheçamos – doutrina assente sobre essa questão, mas, do ponto de vista do uso generalizado, a prática mais adotada parece-nos ser a de utilizar um espaço depois do asterisco em nota de rodapé. Tal como se refere na consulta, no corpo do texto o asterisco surge sobrelevado e sem espaço, ou seja, encostado à palavra, frase ou trecho a que se refere a nota, tal como:
Corpo do texto*
Corpo do texto**
Corpo do texto1
O que tem como equivalente, de forma generalizada, na nota de rodapé:
* Nota de rodapé
** Nota de rodapé
1 Nota de rodapé
A opção prende-se sobretudo com a estética e a legibilidade. Apesar de o asterisco ou número surgirem sobrelevados, o espaço em branco utilizado a seguir cria um bloco gráfico menos compacto e mais legível. Do mesmo modo, quando fazemos um qualquer elenco deixamos um espaço em branco, quer usemos ponto, meia-risca ou parêntesis.
Ex:
1 – Texto
1. Texto
1) Texto
a) Texto
O mesmo acontece quando usamos bullets:
Ex.
· Texto
O uso do espaço parece-nos ser a solução mais alinhada com as melhores práticas editoriais e/ou tipográficas consolidadas em editoras, organismos públicos e universidades.
Por exemplo, o Código de redação interinstitucional da União Europeia, na parte relativa às notas de rodapé, coloca o asterisco entre parêntesis, acrescentando-lhe um espaço.
Sem usar parêntesis, o Manual de estilo da Imprensa Nacional-Casa da Moeda também adota o espaço a seguir ao asterisco ou ao número da nota de rodapé (2009, p. 51).
A NP ISO 690:2024 «Informação e documentação – Diretrizes para a redação de referências bibliográficas e citações de recursos de informação» utiliza, nas notas de rodapé, igualmente o parêntesis, mas aqui simples e não duplo, a seguir ao asterisco, e, após este, também lhe acrescenta um espaço.
Ex.:
*) Na versão portuguesa […]1
Por sua vez, o manual A metodologia nas humanidades: subsídios para o trabalho científico, de João Soares Carvalho (Lisboa: Inquérito, 1994), utiliza igualmente o espaço a seguir ao asterisco (p. 78). Na sua esteira, o pequeno manual Iniciação à bibliofilia, de João José Alves Dias, publicado em 1994, pela Pró-Associação Portuguesa de Alfarrabistas, também usa, nas notas de rodapé, o espaço a seguir ao número sobrelevado.
Já o conhecido New Oxford style manual (Oxford University Press, 2016), no subcapítulo dedicado ao layout das notas de rodapé, define:
40 Mokyr, Why Ireland Starved, 26.
40. Mokyr, Why Ireland Starved, 26
Ou seja, espaço, a seguir ao ponto, no caso do número da nota na linha, e espaço sem ponto, com ele sobrelevado (p. 335).
Também o processador de texto Word, no qual faço este texto, cria, de forma automática. um espaço ao introduzirmos uma nota de rodapé. Se o quisermos suprimir, teremos de efetuar deliberadamente essa ação.
Embora exista uma NP/ISO, ou seja, uma norma portuguesa decalcada de uma norma da Organização Internacional de Normalização (International Organization for Standardization relativa à referenciação bibliográfica, citada acima, coexistem – como sabemos – várias regras e formas de a fazer. Com bastante pragmatismo, o Manual de estilo da Imprensa Nacional-Casa da Moeda refere, relativamente a isso, «podem fazer-se de múltiplas maneiras, devendo sempre procurar-se uniformidade de critérios […]» (2009, p. 25). A palavra-chave é aqui «uniformidade»
Sendo, como vimos, o uso do espaço a seguir ao asterisco ou ao número na nota de rodapé consensual nos manuais que consultámos, deverá – parece-nos – ser o preferível. Porém, a opção sem espaço também pode ser usada, desde que o seja de forma consistente e uniforme. Há apenas que ter em conta que a mesma não segue o uso maioritário previsto em manuais de estilo e outros instrumentos normativos, e em editoras, organismos públicos e universidades. A ser usada, porém, deverá sê-lo de forma consistente dentro do mesmo documento e idealmente da mesma empresa.