DÚVIDAS

Sobrescritos sublinhados em ordinais
Eu já vida tinha enviado esta pergunta, mas na altura não obtive uma resposta esclarecedora. Gostava de saber se existe alguma regra topográfica segundo a qual o ponto de abreviatura antes do indicador ordinal (ex.: 1.º) deve ou não ser omitido, dependendo se — na fonte de letras em questão — o símbolo estiver sublinhado. O Correio da Manhã usa o ponto nas situações em que o símbolo não é sublinhado, mas não quando, nos artigos, aparece sublinhado. Também o Expresso segue este conceito. Sei que, tradicionalmente, o ª/º deve ser sublinhado, e só também que s deve usar um ponto neste tipo de abreviatura. Porém, nunca vi os dois a serem usados ao mesmo tempo.
Pôr, verbo pleno e verbo-suporte
Tenho dúvidas em classificar pôr como verbo pleno e como verbo-suporte. Por exemplo, na lista a seguir, em que frases o verbo pôr é pleno ou é verbo-suporte? Ei-la: Pôr a boca no mundo, pôr a faca aos (ou nos) peitos de alguém, pôr a limpo uma questão, pôr a mesa, pôr à mostra, pôr a nu, pôr ao corrente (ou ao fato), pôr a par, pôr as barbas de molho, pôr as cartas na mesa, pôr as mãos no fogo por alguém, pôr à venda, pôr à vista, pôr banca, pôr em campo, pôr em ação, pôr em dúvida, pôr em ordem, pôr em praça, pôr em pratos limpos (esclarecer bem), pôr em relevo, pôr mãos à obra (entregar-se com afinco a certo trabalho; usa-se muito apenas «mãos à obra»), pôr na boca de alguém, pôr na rua, pôr nas nuvens, pôr no olho da rua, pôr o carro adiante dos bois, pôr o coração (ou as tripas) pela boca, pôr o dedo na ferida, pôr o preto no branco, pôr-se a (ou em) salvo, pôr-se em dia e pôr-se no seu lugar.
A pronúncia de Nova Deli
Após ler a resposta Os gentílicos de Calecute e de Nova Deli (Índia) constatei que as principais fontes lexicográficas grafam a capital da Índia sem qualquer tipo de acentuação. No entanto, verifico que na esmagadora maioria das vezes Deli é pronunciada como paroxítona (DÉli) e não como a grafia parece indicar (deLí). Será este um daqueles casos em que os vocabulários se afastam da pronúncia real das palavras, como em Burundi ou Quiribati sem acento (se bem que haja quem os grafe Burúndi e Quiribáti, a meu ver bem)? Ou será que a pronúncia com a tonicidade na penúltima sílaba é influência anglófona a evitar? Sancionando-se a pronúncia comum, não deveríamos aceitar "Nova Déli"? Muito obrigado.
«Carta credencial» e «cartas credenciais»
«O Presidente da República recebeu, em audiência, o embaixador Manuel Gonçalves de Jesus, para entrega de cartas credenciais como representante diplomático de Portugal em Díli, Timor-Leste.» Sei que se pode usar o termo credenciais para nos referirmos à carta apresentada por um embaixador ao chefe de Estado do país onde executará funções. No entanto, vejo frequentemente a utilização da expressão «cartas credenciais». Dado que se trata de um só documento, não faria mais sentido dizer-se só «carta credencial»? Obrigado.
O advérbio pouco como modificador do grupo verbal
Tenho uma dúvida que não consigo esclarecer em nenhuma das gramáticas que tenho. É a seguinte: na frase «As temperaturas outonais agradam pouco aos mais friorentos», o advérbio pouco desempenha a função de modificador do grupo preposicional «aos mais friorentos», ou a de modificador do verbo «agradam»? Caso não desempenhe a função de modificador do grupo preposicional, gostaria que fizessem o favor de me dar exemplos de advérbios que desempenhem essa função. Muito agradeço a ajuda que me possam dar.
Quilonewton
Surgiu-me uma dúvida sobre como escrever o múltiplo mil vezes superior ao Newton. Devemos escrever quilonewton, tudo junto e em minúsculas, à semelhança de quilograma? Ou será melhor quilo-newton, à semelhança do que propõe o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa? Ou ainda quilo-Newton, mantendo a maiúscula relativa à pessoa de Newton? Agradeço o esclarecimento e dou-vos os parabéns pelo vosso fantástico trabalho em prol da língua de todos nós.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa