Crase e locuções: «saíam às cinquenta, às cem moedas...»
Lendo Os Maias, deparei-me com este uso da crase:
«Isolou-se então – sem fechar todavia a sua bolsa, donde saíam às cinquenta, às cem moedas...»
O contexto: o rapaz se isolou, mas continuou a fazer caridades.
O uso dessa crase em «às cinquenta» e «às cem» seria análogo àquele da expressão «às pressas», «às escondidas» ou «aos montes» (masc.), como um advérbio?
«Saíam moedas aos montes.»
Adjunto adverbial: «Nem um»
Na frase «Ela não me deixou expor nem um pensamento», o termo «nem um» equivale a sequer?
Em sendo, qual a classe gramatical de «nem um»? Qual a função sintática do termo «nem um»?
Obrigado.
Coesão referencial: «Nesse aspeto, o Reino do Butão...»
Observa o excerto:
«Desde aí o país tem seguido uma visão alternativa e holística do desenvolvimento que dá ênfase não apenas ao crescimento económico mas também à cultura, à saúde mental, à compaixão e à comunidade. Nesse aspeto, o Reino do Butão tem vindo a destacar-se.»
Qual o mecanismo de coesão presente na expressão «nesse aspeto»?
Marcadores discursivos: «no final» e «em conclusão»
Perguntava-vos se a expressão «no final» é aceitável/pode ser sinónima de «em conclusão», num texto.
Obrigado
A pronúncia do topónimo Mariz
Sou natural de Barcelos e vivi muito tempo na "minha" freguesia de "Máriz" ou "Mariz" (sem acento no "a").
Desde a escola primária, aprendi que se escrevia "Máriz", com pronúncia de "má...", e não "ma...".
Há quem pronuncie como se tivesse o acento, mas também sem o acento, especialmente as pessoas de fora.
Hoje colocaram em causa isto e disseram que até se pronuncia o acento, mas a escrever não leva acento!
Afinal como se escreve, "Máriz" ou "Mariz"?
Muito obrigado.
A sintaxe de fundamental e evoluir
«Ler é fundamental NA evolução das pessoas. Ajuda-nos a compreender o mundo e EVOLUIR os nossos saberes.»
Relativamente a estas frases, a palavra fundamental pode reger e preposição em?
Por outro lado, para que a segunda frase tenha sentido, o verbo evoluir não deverá ser auxiliado, por exemplo, pelo verbo fazer?
«Ajuda-nos a compreender o mundo e a FAZER EVOLUIR os nossos saberes.»
Obrigado
Melhoria vs. melhora
Diz-se «não vejo melhorias» ou «não vejo melhoras»?
Obrigado
«Foi-se embora» vs. «foi embora» em Portugal
Queria pedir, por favor, uma resposta mais detalhada sobre a preferência por «ir-se embora» em detrimento de «ir embora». Há contextos em que o se me parece necessário, outros em que me soa desnecessário, mas não tenho uma justificação científica para tal.
Por exemplo: na frase «Depois ele foi embora», parece-me faltar o se. Falta? Porquê?
Muito obrigado.
Completiva de infinitivo vs. a construção «ser fácil de»
Tendo consultado as vossas explicações, fiquei, todavia, em dúvida. Na frase apresentada, a preposição é necessária?
«Sei que ficaria mais fácil de escrever um texto que se lesse.»
Cordialmente
Adjuntos adverbiais e apostos explicativos
Ao ler uma notícia, deparei-me com a seguinte frase:
«Um carro contratado para conduzir um funcionário da equipe do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, foi roubado por criminosos na manhã desta quinta-feira (14), na Rua do Riachuelo, no Centro do Rio, em frente ao Hotel Monte Alegre.»
Minha dúvida é quanto à justificativa do uso indiscriminado de vírgulas na presença de adjuntos adverbiais nessa frase:
«na manhã desta quinta-feira (14)» ⇒ um adjunto adverbial tempo
«na Rua do Riachuelo» ⇒ um adjunto adverbial de lugar
«no Centro do Rio» ⇒ seria um adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica a região como localizada no Centro do Rio?
«em frente ao Hotel Monte Alegre» => seria um simples adjunto adverbial de lugar ou um aposto circunstancial que identifica o lugar exato do Centro do Rio em que ocorreu o crime?
Faço essa pergunta, pois alguns adjuntos adverbiais nessa oração parecem se comportar como apostos, ou seja, dando apenas informações extras, que podem ser facilmente suprimidas.
Desculpem se ficou meio confuso!
