DÚVIDAS

"Plafonar"
Li a resposta de J.N.H à dúvida sobre plafonar e plafonamento, e manteve-se-me a dúvida: pode ser estrambólica, como dizem quem pergunta e quem responde, mas... e a alternativa? Escalar e escalonamento? Dividir e divisão? Podia ser, mas também me parece que nenhum outro vocábulo é mais apropriado ao contexto do tema (de índole económica, com números, "plafonds" orçamentais, etc.). E se se aceita placar, robô, chofer, tablier, cabina, equipa, implementar, constatar, etc., etc. — porquê rejeitar plafonar e plafonamento?!
Deceptor
Vi, utilizada num manual de Direito Civil, a palavra «deceptor» com o sentido de «indivíduo que engana», «indivíduo que actua com dolo». Todavia, em todos os dicionários que consultei, apenas vi registado, com a mesma raiz, o vocábulo «decepção». Deve-se isto ao facto de a palavra em causa ser pouco utilizada na língua portuguesa, ou, de todo em todo, ela não existir (nem ser tolerável a sua introdução) no nosso idioma?
Acordo Ortográfico
Há alguma instituição comum às nações lusófonas que decida com regularidade como se grafam os novos vocábulos que permanentemente enriquecem a nossa língua? Se sim, por favor, informem-me. Se não, porque não? E neste caso – e receio ser este o caso – será que um acordo ortográfico serve para alguma coisa se nada for feito para impedir que surjam novas divergências ortográficas nos neologismos e nos novos termos técnicos ? Que pensa a SLP disto? P.S.: Será que vale a pena preocuparmo-nos em que uns escrevam 'ato e outros 'acto', quando aparentemente ninguém se preocupou que uns tenham começado a utilizar 'sidoso', e outros 'aidético'? Naturalmente que o primeiro par de palavras não tem menos valor que este último, mas enquanto que aquelas ilustram as diferenças que têm existido, estas são o paradigma das diferenças que, diante de nós, diante dos nossos olhos, continuamos a deixar criar.
Se não e senão
O sol assim captado é sol, mas sol de teatro, ouro em falsete, luz barata, e no prego não dá nada, que o prego não acredita (senão já estava falido) nesse ouro sem quilate......... Cito da Antologia de Ciberdúvidas estes versos do belíssimo poema «Adjectivo» de O'Neill, para vos perguntar se o «senão», neste caso, está bem empregue. Não deveria ser «se não» (se o prego não procedesse assim, já estava falido)?
Um pouco de vírgula
Estou com algumas dúvidas quanto ao emprego da vírgula entre orações subordinadas. Nesta frase: «A referência é portanto desprovida de significação quando a perscrutamos de modo absoluto, como se quiséssemos extrapolar o próprio domínio do discurso no qual nos localizamos sem, contudo, deixar de discursar por meio dele.». Não tenho certeza do que é certo. Seria do jeito que está, ou «…localizamos, sem, contudo, deixar…» ou «…localizamos, sem contudo, deixar…». Acho que o problema está no que consideramos como conjunção.
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