DÚVIDAS

Ensurdecimento
Duas amigas conversavam sobre a evolução da Língua Portuguesa. A dada altura, quando falavam sobre a sonorização, ou seja, a passagem das consoantes surdas (p,t,c) para as sonoras (b,d,g), uma delas garantia que houve, mais tarde, um ensurdecimento ou dessonorização, ou seja, o processo contrário. A minha pergunta é esta: houve realmente alguma vez um ensurdecimento ou dessonorização? Estas palavras estão correctas? Obrigada pela disponibilidade.
Ainda o campo lexical e o campo semântico
Peço desculpa por voltar à carga. Não fiquei esclarecida com a vossa resposta de há uns tempos atrás. Mas a culpa terá sido minha, que não coloquei a questão de maneira clara. Há compêndios de gramática que consideram campo lexical o conjunto das palavras "que cabem numa área particular da realidade"; ex.: cão, gato galinha, ovelha, ... pertencerão ao campo lexical dos animais domésticos. Estas gramáticas consideram campo semântico " o conjunto de acepções diferentes de um mesmo vocábulo, em contextos diferentes"; assim por exemplo, os vários significados da palavra cabeça determinarão o campo semântico dessa palavra. Outros autores consideram campo lexical equivalente a família de palavras; portanto e por exemplo, campino, campestre, campesino, campismo, etc., constituirão o campo lexical da palavra campo. Para estes, campo semântico é o mesmo que os autores acima referidos consideram campo lexical. Gostaria de saber qual (quais) destas acepções é que estará (ão) correcta(s).
Marético II
A propósito do adjectivo inglês "tidal" (do inglês "tide" - maré) e da sua possível tradução para português, aprofundando um pouco a investigação dos sufixos que indicam "relação" usados na formação de adjectivos a partir de substantivos, dei-me conta de que "mareal" poderia ter a desvantagem de ser reconhecido como referindo-se a "mar" e não a "maré" (o que só o contexto "desambiguisaria") e de que me escapara o sufixo "tico": assim, "marético" poderia também adjectivar maré com a vantagem, inclusive, de ser mais transparente do que por exemplo "mareico", dado conter em si a própria raiz "maré" na sua integridade fonética, vantagem que talvez compense o facto de ter mais uma silaba do que "mareico". Duma perspectiva linguística - e concordando inteiramente com a conveniência evocada pelo Dr. José Neves Henriques de adoptar uma só palavra - escolheria talvez o adjectivo "marético" na acepção de "relativo a maré". Que pensa, mais uma vez, o Ciberdúvidas sobre esta questão?
Pronome depois do verbo
Apesar dos vários esclarecimentos relativos ao hífen, persiste da minha parte a seguinte dúvida: na frase "tendo-se averiguado da exactidão do conhecimento dos preços pelos clientes, concluiu-se que, de facto, x% dos que afirmaram conhecer os referidos preços, conheciam-nos efectivamente". Não estará correcto (e senão está porquê. Tem alguma coisa a ver com o plural?), escrever conheciam-os em vez de conheciam-nos?
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