Revira ou tinha revisto
Sou Revisor no Diário de Notícias da Madeira e, como devem calcular, inúmeras dúvidas se me apresentam diariamente sobre palavras da nossa língua. Socorro-me frequentemente desta vossa (excelente) página mas, infelizmente, muitas vezes, as dúvidas ficam por tirar. Como a resolução do problema deve ser imediata – a edição sai no dia seguinte, não podendo eu ficar à espera da vossa resposta – procuro fazer pelo melhor (no meu entender, claro) e resolvo o problema...
Porém, outras questões há que se prolongam no tempo, ou que repetidamente aparecem, pois mais comummente se levantam. E uma delas diz respeito, exactamente, à função que desempenho profissionalmente e ao verbo que se utiliza para a designar.
Sendo eu um Revisor, a acção que pratico é a de rever...
Rever, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa (Porto Editora, 8.ª edição) e o Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Cândido de Figueiredo, Bertrand Editora, 25.ª edição), tem como definição, entre outras, "ver novamente (tornar a ver)"; "ver com atenção (examinar minuciosamente)"; "examinar com cuidado (fazer a revisão de; corrigir)"...
Posto isto, e atendendo ao facto de a conjugação de "rever" se enquadrar no verbo-mãe (se assim se pode chamar) "ver", gostaria de expor algumas dúvidas.
Aquando da conjugação de "rever" como "ver de novo", é lógico que esta se faça como o indicado para "ver", mas quando tal se faz para as restantes definições, ligadas à função de um Revisor, não seria mais indicado que, excepto no pretérito imperfeito e na 1.ª pessoa singular do pretérito perfeito, a desinência verbal, quando iniciada por "i", devesse ser iniciada por "e"?
Exemplo: Pretérito mais-que-perfeito – Em vez de: eu revira; tu reviras; ele revira; nós revíramos; vós revíreis; ele reviram (que dá sempre a ideia de "ver de novo"); fosse: eu revera; tu reveras; ele revera; nós revêramos; vós revêreis; eles reveram.
Não sei se me fiz entender. De qualquer modo fico à espera de uma resposta (nem que seja para dizerem que não perceberam nada...).
Obrigado!
Canários
Antes de tudo, muito obrigado pelo vosso site que é um dos mais interessantes que vi até hoje na net.
A minha pergunta é a seguinte: como devemos chamar aos habitantes de Canárias?
Muita gente diz Canarianos mas já me disseram que a palavra correcta era Canarinos, quando os próprios Espanhóis dizem Canários...
Muito obrigado.
Verbos volitivos e factitivos
Os verbos volitivos referem-se a verbos que expressam a vontade e os factitivos a uma dupla acção.
Exemplos de verbos não consegui encontrar em nenhuma gramática. Podem ajudar-me?
Idioma oficial
A Constituição brasileira, em seu Artigo 13, dispõe o seguinte: "A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil." Poderiam dizer-me se as Constituições dos demais países lusófonos contêm dispositivo similar?
Vamos indo? Vamos bem?
«Vamos indo bem»? Ou «vamos bem»? Gostaria de saber qual das duas respostas seria mais aceite, se a pergunta tivesse sido: «Como vai essa saúde?»
Muito grata.
Dever à ou dever a
Este bairro deve muito à uma família... ou
Este bairro deve muito a uma família...
Qual a frase correta?
A simplificação da Língua Portuguesa
Sabemos que a linguagem surgiu pela necessidade de uma codificação escrita de mensagens, ainda que, nossos escritores e eruditos, vejam nela algo mais profundo e sublime do que esta modesta função. Se vejo a linguagem como uma forma prática de comunicação entre universos diferentes, por que ela guarda dentro de si tantos fatores complicadores ao seu aprendizados na forma de mistérios, dogmas e regras, zelosamente cultivados pelos que dela têm o domínio? Não seria desejável e necessária uma simplificação da interpretação dos códigos para que todos, até mesmo os menos dotados, pudessem melhor se comunicar? Por que a Língua Portuguesa tem tantas regras incoerentes de acentuação? Por que ora o "G" ou o "C" são fonados de forma diversa se estão seguidos de "e" ou "i"? Por que o "Ç" existe para servir apenas a 3 vogais, se há outros símbolos que produzem o mesmo efeito? Por que o ditongo decrescente ou o tritongo? Muitas línguas não têm nada disso e, nem por isso, deixam de bem cumprirem sua finalidade…
Em resumo, por que a Língua Portuguesa tem que ser, desnecessariamente, complicada, se é viável uma simplificação objetiva, que não lhe castre a alma?
Dicionário de Quimbundo
Gostaria que, se fosse possível, me indicassem onde posso adquirir um dicionário de Quimbundo.
Quimbundo no Português
Como estudante, foi-me proposto realizar um trabalho em que relate quais as influências da Língua Kimbundu, oriunda de Angola, no Português.
Normalmente a influência é inversa, com a língua do país colonizador a introduzir-se na língua nativa. O processo inverso também ocorre no entanto.
A minha pergunta é por isso: Qual a influência do Kimbundu sobre o Português? Quais as palavras ou termos comuns mais usados?
O som do r, outra vez
Em reposta à pergunta do dia 11 de Abril de 2000, respondida por o senhor F. V. Peixoto da Fonseca, devo reparar:
O r brasileiro em palavra tarde pode ser:
Pronunciado como r inicial ou r duplo, ou seja, mais ou menos como o h inglês e j castelhano. Assim o pronunciam no Rio de Janeiro, em Espírito Santo, em zona vasta de Minas, em Distrito Federal, em região Nordeste do país, bem como em região do Norte do Brasil. Dá para calcularmos, então, que mais de cinqüenta por cento dos brasileiros têm esta pronúncia. O povo chama esta espécie do r de "r puxado". Muitas vezes este r não se pronuncia e anulam-se as diferenças como, por exemplo, a entre consegui e conseguir.
Outro jeito brasileiro de pronunciar a palavra tarde é com o r pronunciado como o entre vogais. Assim pronunciam os portugueses. Quanto aos brasileiros, apenas os paulistas e os sulistas usam este jeito de pronunciar. Esta espécie do r é conhecida pelo povo brasileiro como "r arrastado". Dá para calcularmos que menos de 50 % dos brasileiros têm esta pronúncia.
O senhor escreveu a Annne Oliveira, brasileira de Manaus: "Proferi-lo como o j espanhol é pouco ou nada aconselhável, e talvez seja por viver no México que o faz soar assim."
A Anne não usa o r puxado por viver no México mas por ser de Manaus. Lá, como em quase todo o Brasil, falam assim. O r arrastado de São Paulo e Sul do Brasil não foi substituído por r mais novo, o puxado, por causa da forte influência da língua italiana nestas terras.
Eu acho que o Brasil deve ter sua pronúncia (ou pronúncias), e que não são os portugueses os que possam achá-la errada ou correta. Aposto que para vocês, portugueses, a pronúncia de s e z como /s, z/ em vez de /ch, j/ , freqüentíssima no Brasil, também é errada.
Voltando ao assunto de usar o r puxado em palavras como falar, tarde, verde....
Bertil Malmberg na sua obra 'La phonétique' (1954) diz que essa troca de r anterior por r posterior ocorreu, ou ainda está ocorrendo em muitas línguas da Europa: em francês, alemão, dinamarquês, em dialetos italianos (o de Torino), em dialetos castelhanos (uns dialetos na América) e num dialeto inglês.
Espero que a Anne ficará satisfeita e que o senhor professor procurará umas palavras como tarde, verde, sorte, ver, no melhor dicionário inglês-português brasileiro (o da Collins). O dicionário regista a pronúncia carioca da cada palavra.
Por exemplo, pode encontrar-se:
/suxpriende(x)/ para surpreender e não /surpriender/. Todos os brasileiros acham a pronúncia carioca a mais correta. Pois então, o r da Anne está certo.
Obrigado.
