DÚVIDAS

Complemento indireto no português coloquial de Angola
Aqui em Angola, ocorre, tanto na linguagem oral como na escrita, um fenómeno linguístico que consiste em começar a frase com sujeito indeterminado e no final dela explicitar o sujeito começando com a preposição em. Exs.: *Lhe bateram no João. *Vão ralhar na Mingota. *Roubaram o teu arroz no Joaquim. É bem provável que essas construções estejam erradas do ponto de vista normativo, mesmo assim, gostaria de saber uma possibilidade de análise sintáctica, principalmente a do sujeito iniciado por em («no João», «na Mingota», «no Joaquim»). Uma hipótese que melhor descreveria esse fenómeno, qual seria? Muito obrigada!
«O que não lhe falta são amigos», de novo
Quero remontar ao ano de 2012, quando foi respondida a dúvida de Daniel Dimas Pelição, em 12 de março. A questão tratava especificamente de predicativo do sujeito, mas, ao examinar a nota da consultora Eunice Marta, ao final da resposta, ficou-me uma dúvida quanto à concordância verbal e a classificação sintática de sujeito/predicado, quando se inverte a posição dos termos na frase. Se não, vejamos: «Amigos é o que não lhe falta» – sujeito: «amigos»; verbo no singular. «O que não lhe falta são amigos» – sujeito (?): «o que não lhe falta»; verbo no plural. Pergunto: alterando-se a ordem dos termos, alteram-se-lhes as funções sintáticas, ou seja, o que era sujeito torna-se predicativo, e vice-versa? E assim também a concordância verbal? Obrigado.
«Matar com ferro» e «matar à paulada»
Estou a fazer uma tradução e, com base na máxima «com ferro se mata, com ferro se morre», surgiu-me a seguinte dúvida: posso dizer «matou uma a ferro e outra à fome», ou terei mesmo de dizer «matou uma com o ferro e outra à fome»? Matar pede a preposição a apenas em frases como «matou à fome», «matou à pancada», «matou à paulada», ou pode ser extensível a outros casos que não encontro na net nem em livros? Reconhecido pela atenção dispensada, despeço-me com respeitosos cumprimentos.
Uso coloquial: «deixa eu ver»
Por motivos familiares, convivo frequentemente com brasileiros, todos eles com cursos superiores. Uma das frases que pronunciam repetidamente e que me choca bastante é «deixa eu ver», «deixa eu fazer». Já tentei explicar que a frase está mal construída. Inutilmente. É de tal forma que até eu já tenho dúvidas! Estas construções estão efetivamente erradas? Agradeço os vossos sempre úteis esclarecimentos
Profanação e desconsagração
Num texto que evoca a história de um edifício destinado ao culto (uma igreja), encontrei os termos consagração/consagrar e profanação/profanar. Exemplos: A cerimónia religiosa de profanação Igrejas e locais consagrados são profanados antes de serem abandonados. A profanação é realizada numa cerimónia religiosa . Em virtude da autoridade que me foi conferida, profano este lugar. Se o termo consagração me remete para um ato pelo qual uma coisa deixa de ser profana para ser destinada ao serviço divino (cf. Infopédia), já o termo profanação parece-me ter uma conotação pejorativa e ser sinónimo de desrespeito ou violação daquilo que é santo, de sacrilégio, de mau uso de uma coisa digna de apreço... Estarei equivocada ao preferir desconsagração (antónimo de consagração) a profanação? Agradecia a vossa prestimosa ajuda para o uso do termo que melhor corresponde ao conceito.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa