«Ante os factos narrados...»
Gostaria que me esclarecessem a forma correta:
1) «Ante os fatos narrados anteriormente...»;
2) «Ante dos fatos narrados anteriormente...»;
3) «Ante aos fatos narrados anteriormente...»
Aproveito o ensejo para apresentar meus agradecimentos aos mestres pelos relevantes esclarecimentos e pelo ótimo nível das respostas.
As orações coordenadas e subordinadas existentes numa frase
Gostaria que me esclarecessem sobre quais as orações coordenadas e subordinadas existentes nesta frase e quais as relações hierárquicas que se estabelecem entre elas.
«Todos os dias os jornais referem que os massacres e as perseguições não param e há muitos timorenses que procuram segurança no exílio, pois não suportam a pressão das autoridades indonésias.»
Grata pela ajuda.
O artigo indefinido após o relativo cujo
Sei que não é possível utilizar artigo definido após o relativo cujo.
No entanto, surgiu-me uma dúvida: é possível utilizar artigo indefinido após o relativo cujo?
Exemplo: «Estou lendo um livro cujo um dos autores é professor titular de uma universidade.»
O advérbio meio em «manteiga meio gorda»
Deparei-me recentemente com uma embalagem de manteiga de uma marca muito conhecida, e diz na embalagem:
«Manteiga meia gorda.»
Houve qualquer alteração à gramática, ou isto é um erro?
«Não abrimos mão (...) mesmo que tal fosse possível...»
Gostaria de saber se a concordância entre os tempos dos verbos das seguintes orações é aceitável:
«Não abrimos mão, porém, assim sem mais nem menos, mesmo que tal fosse possível, de semelhante honra.»
O «ser possível» é, na frase em questão, uma impossibilidade definitiva. Ora, se substituíssemos, seguindo as regras de concordância, «mesmo que tal fosse possível» por «mesmo que tal seja possível», já estaríamos a abrir uma hipótese de «vir a ser possível», certo?
Por outro lado, o «não abrimos mão» é um facto consumado, que está mesmo a acontecer, logo substituí-lo por um «não abriríamos mão» desvirtuaria o sentido da frase...
Mas a frase fica correcta, contudo, tal como a escrevi em cima?
Muito obrigada!
O presente do indicativo ou o pretérito imperfeito em reportagem
Quando se elabora uma reportagem, usa-se o pretérito perfeito nas situações em que a acção avança, tal como acontece no discurso narrativo. Se se pretende fazer referências a aspectos de âmbito mais descritivo, deve utilizar-se o pretérito imperfeito (como acontece quando se faz uma descrição, no discurso narrativo), ou o presente do indicativo? Exemplo: «Subimos a S. Leonardo da Galafura. A paisagem era [ou «é»?] sublime. Numa das paredes da capela, voltada para o Douro Vinhateiro, encontrava-se [ou «encontra-se»?] o famoso poema que Miguel Torga dedicou a este local...»
A regência do verbo assegurar
Num dos testes da edição de 2008 do Campeonato da Língua Portuguesa surgiram algumas dúvidas sobre a regência do verbo assegurar. A Comissão Técnico-Científica do CLP enviou nessa altura a todos os participantes um detalhado esclarecimento sobre a regência desse verbo que, em resumo, concluía o seguinte:
1) O verbo assegurar não pede preposição quando não se encontra conjugado como reflexo. Exemplo: «Asseguro que eles estiveram presentes.»
2) Quando verbo pronominal reflexo exigirá o regime de. Como exemplo, temos a frase: «Assegurei-me de que a porta não estava aberta.»
A frase que deu origem ao debate sobre este verbo aparecia num dos testes do CLP e era a seguinte: «Posso assegurar-vos de que todas as nossas especialidades terão zero calorias.» A Comissão Técnico-Científica e muitos dos participantes no CLP considerámos que a frase continha um erro, pois, baseando-nos no argumento 1) anterior, dever-se-ia escrever «Posso assegurar-vos que todas as nossas especialidades terão zero calorias».
No entanto, e apesar do debate, continuo com uma dúvida sobre este assunto. Já anteriormente a enviei à CTC, mas sem resposta, talvez porque depois de finalizado o CLP a Comissão logicamente já não se encontre em funções. Passo a explicar, pois, a minha dúvida.
Está claro que o verbo assegurar-se sempre irá acompanhado da preposição de, já que «eu asseguro-me de alguma coisa/disto/daquilo».
Também é lógico não ser necessária a proposição em casos como «eu asseguro à Maria que tudo está bem», ou, de maneira mais simples, «eu asseguro à Maria isto/aquilo», não fazendo qualquer sentido dizer «eu asseguro à Maria disto».
Mas: estando claro que posso «assegurar alguma coisa a alguém», posso ou não «assegurar alguém de alguma coisa»?
Para tentar explicar a diferença entre as duas frases, diria que na primeira o que se realça é o que se quer assegurar (o facto), enquanto na segunda o importante é quem se quer assegurar (a pessoa). Por outras palavras, o problema reside em saber se o verbo assegurar (no sentido de «assegurar alguém») pode ou não ter o mesmo significado que «dar uma certeza».
É que, nesse caso, eu poderia dizer: «Asseguro à Maria que tudo está bem»; mas poderia também dizer correctamente: «Asseguro a Maria de que tudo está bem» — neste último caso, dar à Maria a certeza de algo. Se esta segunda frase for correcta, poderemos perfeitamente distinguir uma frase da outra utilizando os pronomes correspondentes:
«asseguro-lhe que tudo está bem», por um lado, e «asseguro-a de que tudo está bem», por outro.
Neste contexto, a ambiguidade aparece quando o pronome de complemento directo e o pronome de complemento indirecto coincidem; é o caso de vos, o que nos leva precisamente à frase que aparece no texto do CLP. Dar-se-ia nessa situação o caso particular em que: «assegurar-vos (CI) que tudo está bem», por um lado, e «assegurar-vos (CD) de que tudo está bem» estariam ambas correctas (pois os pronomes de CD e CI coincidem). No texto do CLP 2008 ocorria essa situação sem que se pudesse diferenciar se o vos se referia a um complemento directo ou a um complemento indirecto. Ou seja, poderia considerar-se correcta a frase do texto: «Posso assegurar-vos de que todas as nossas especialidades terão zero calorias.» Eu estaria a assegurar um grupo de pessoas (CD) de alguma coisa.
A frase «assegurar-me de alguma coisa» — que admitimos correcta no início deste texto — seria assim perfeitamente compatível com «assegurar-vos (CD) de alguma coisa» e corresponderia ao caso particular em que quem assegura e quem é assegurado são a mesma pessoa.
Deixo à vossa apreciação esta dúvida, com um certo ar de sofisma, e espero sinceramente que seja possível entendê-la. Agradeço desde já a atenção dispensada e, talvez, alguma resposta esclarecedora.
A conjunção como nas orações comparativas e nas conformativas
Como diferenciar uma oração subordinada adverbial conformativa de uma comparativa se vierem com a conjunção como? Às vezes é extremamente imperceptível a diferença!
Ajudem-me! Grato!
Elipse e negação: «Não, obrigada»
A frase «Não, obrigada» está na forma negativa?
Obrigada.
«O triste não é ter ideias, triste é não ter ideias para trocar»
O que significa «O triste não é ter ideias, triste é não ter ideias para trocar»?
